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Nunca importou tanto ser sal

Nunca importou tanto ser sal

Atualizado: Sexta-feira, 22 Maio de 2009 as 12

"Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens". - Mateus 5.13.

Eu vivia nos Estados Unidos e cursava o Instituto Bíblico, preparando-me para o ministério pastoral. Semanalmente saíamos anunciando a mensagem do Evangelho em lugares onde normalmente não se esperava a presença de cristãos. Entrávamos em boates, bares mal iluminados e nos becos sujos das cidades americanas. Numa dessas incursões ao sub-mundo, deparei-me com um rapaz que optara por viver nas ruas. Sujo, com um olhar distante e sem qualquer sorriso nos lábios, aceitou conversar comigo.

Sentei-me ao seu lado, na calçada mesmo, falei-lhe de Cristo e da minha experiência de conversão. Durante minha conversa, sua expressão facial não mudou, já se acostumara ao discurso religioso americano. Resolvi mudar de assunto. Perguntei-lhe qual era a sua formação. Graduara-se em ciências políticas por uma renomada universidade. "Optei por um estilo de vida alternativo, pois detesto o consumismo americano", acrescentou..

De repente, mirando-me diretamente nos olhos, perguntou-me: "Você já sonhou voando como uma borboleta?". Afirmei-lhe que sim, já sonhara voando, só não estava certo se era como uma borboleta. Ainda sem entusiasmo algum em sua fala, continuou: "Quem me garante que não somos borboletas sonhando que somos homens?". Não havia como respondê-lo.

Naquele dia entendi que a modernidade vivia seus últimos momentos. Ali estava um estudante universitário que abandonou todas as promessas da civilização ocidental e que abandonara também seus métodos racionais. A pós-modernidade, que é o tempo histórico que vivemos, não se limita mais ao conhecimento científico. A verdade é hoje totalmente irrelevante. As pessoas se dispõem aceitar qualquer culto, seita, ideologia. Tudo vale no mercado das idéias pós-modernas.

Quando pregamos o evangelho nos tempos atuais, não enfrentamos mais as típicas rejeições do século passado. Não se pergunta mais: "A Bíblia é confiável? É verdadeira? Jesus realmente existiu? O Cristo descrito nas páginas do Novo Testamento é o mesmo que os seus contemporâneos conheceram?". Nada disso interessa.

O que interessa as pessoas chama-se credibilidade. Perguntam sim: "Há coerência entre o que você me fala e o que você vive? Seus princípios se concretizam na vida e no gesto?". O mundo está aberto para uma mensagem que possua testemunho. Portanto, antes que você se empolgue em ganhar o mundo, procure saber se está conseguindo viver o que deseja anunciar. Antes que a igreja proponha mudanças para a sociedade,deve olhar para dentro e responder honestamente se consegue ser sal da terra. Nosso desafio não é apologético, mas de testemunho. Hoje, mais do que nunca, sal sem sabor, receberá enormes pisadas humanas.

Ricardo Gondim é pastor da Igreja Betesda de São Paulo e presidente da Convenção Nacional da denominação. Presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. Gondim é casado com Silvia Geruza Rodrigues, pai de três filhos - Carolina, 29; Cynthia, 27; e Pedro, 19 - e avô de Gabriela, Felipe e Felipe Naran. Nascido em 1954, em Fortaleza, Ceará, é formado em Administração de Empresas. Viveu nos Estados Unidos onde obteve formação teológica no Gênesis Training Center em Santa Rosa, Califórnia. Ministra palestras e conferências. É colunista das revistas evangélicas "Ultimato" e "Enfoque Gospel". Como escritor, Gondim é autor de livros como "O Evangelho da Nova Era", "Santos em Guerra", "Saduceus e Fariseus", "Creia na Possibilidade da Vitória", "É Proibido" - obra indicada ao prêmio Jabuti, de literatura brasileira -, "Artesão de uma Nova História", "Como vencer a Inconstância", "A presença imperceptível de Deus", "Do Púlpito 5", "O que os evangélicos (não) falam", "Creio, mais tenho dúvidas", e "Sem perder a Alma", o mais recente.

Site oficial:

www.ricardogondim.com.br

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