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O que é teologia?

O que é teologia?

Atualizado: Terça-feira, 24 Março de 2009 as 12

"Deus está além de Deus", disse Paul Tillich. João afirmou: "Nunca ninguém viu Deus". Moisés, que falava com Deus com intimidade ímpar, contentou-se em contemplar as "costas" divinas.

Um Deus que se submetesse a uma dissecação teológica, filosófica ou argumentativa, não seria Deus. A mente humana não consegue sair das margens do conhecimento espiritual. Deus reside no infinito oceano da eternidade. Seu trono foi estabelecido bilhões de quilômetros depois da última galáxia, lá nos confins do universo. Mesmo que a luz, com sua incrível velocidade, percorresse eternamente a extensão do cosmo, mesmo assim, não chegaria até a morada do Altíssimo.

Teologia não estuda a anatomia espiritual de Deus; não consegue torná-lo compreensível; não o revela e nem o torna palatável. Um Deus concebível pela mente humana seria menor do que a própria mente, já que conseguiu abarcá-lo. Esse deus seria, portanto, o resultado dos raciocínios, ou seja, um ídolo.

O que é teologia, então? A hermenêutica da história a partir da experiência do mistério absoluto. É a maneira como as pessoas se organizam, estabelecem suas relações sociais, seus acordos relacionais, desde o encontro que tiveram com o sagrado.

O que se conhece de Deus será sempre provisório. Não porque Ele seja mutável, mas as pessoas são. A teologia altera realidades históricas, mas o contrário também é verdadeiro: tragédias, pestilências, organização política, escravatura, influenciam o labor teológico. Não há como negar que mulheres sofrem destrato das religiões devido à influência cultural – judaísmo e cristianismo inclusive. A percepção que a teologia alcançou atualmente sobre as relações de Deus com os escravos, por exemplo, não é a mesma de Moisés, de Paulo ou de Santo Agostinho. Deus mudou? Não, a teologia sim.

Teologia é o estudo dos processos de sabedoria, solidariedade, busca da virtude das diversas culturas a partir do conhecimento que alcançaram do Divino. Algumas culturas desenvolveram sistemas perversos com o pouco conhecimento que reuniram sobre Deus. Sacrificaram os filhos, escravizaram nações vizinhas, dizimaram etnias, rapinaram riquezas - tudo em nome de um ser superior. A busca de conhecer a Divindade também gerou beleza artística - Bach, Hendel, Michelangelo que o digam; nobreza ética – Ghandi, Martin Luther King e Desmond Tutu com a palavra; solidariedade – Madre Teresa de Calcutá e todos os missionários com semelhante paixão.

Deus não será diferente a partir do entendimento que os humanos têm dele, mas as pessoas serão. O importante não é a verdade absoluta que a teologia elabora, mas o tipo de pessoa que ela produz.

Ricardo Gondim é pastor da Igreja Betesda de São Paulo e presidente da Convenção Nacional da denominação. Presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. Gondim é casado com Silvia Geruza Rodrigues, pai de três filhos - Carolina, 29; Cynthia, 27; e Pedro, 19 - e avô de Gabriela, Felipe e Felipe Naran. Nascido em 1954, em Fortaleza, Ceará, é formado em Administração de Empresas. Viveu nos Estados Unidos onde obteve formação teológica no Gênesis Training Center em Santa Rosa, Califórnia. Ministra palestras e conferências. É colunista das revistas evangélicas "Ultimato" e "Enfoque Gospel". Como escritor, Gondim é autor de livros como "O Evangelho da Nova Era", "Santos em Guerra", "Saduceus e Fariseus", "Creia na Possibilidade da Vitória", "É Proibido" - obra indicada ao prêmio Jabuti, de literatura brasileira -, "Artesão de uma Nova História", "Como vencer a Inconstância", "A presença imperceptível de Deus", "Do Púlpito 5", "O que os evangélicos (não) falam", "Creio, mais tenho dúvidas", e "Sem perder a Alma", o mais recente.

Site oficial: www.ricardogondim.com.br  

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