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Oração ao nazareno

Oração ao nazareno

Atualizado: Quarta-feira, 15 Maio de 2013 as 8:33

 

jesusJesus de Nazaré, amigo de pecadores, interceda pelos que perambulam nas praias desertas sem esperar salvamento, pelos que varrem as pétalas que caíram na festa do casamento, pelos que tentam lembrar o nome de antigos companheiros, pelos que se embriagam com a aguardente dos próprios discursos e se esticam para aparecer atrás do político de fala mansa na hora da fotografia.
 
Jesus de Nazaré, compassivo com a adúltera, interceda pelos apavorados com o sol e também pelos que se agasalham em cobertores finos em noites sem lua, pelos que se calam às certezas de sábios maus e desdenham às verdades de loucos plenos de beleza, pelos que se agacham com medo de encarar a vida, pelos que desistem dos nós cegos, dos torvelinhos e das palavras cruzadas, pelos que riem de quem sonha planando sobre vales escuros e se alimentam de arroz requentado.
 
Jesus de Nazaré, sensível ao mendigo cego, interceda pelos que vivem apressados sem saber para quê, pelos que guardam o gosto amargo do ódio, pelos que fazem da justiça uma ameaça e do amor um suborno, pelos que cirandam pelas coxias escuras do teatro do absurdo em busca do fantasma que lhes seja solidário e bebem da água de Pilatos.
 
Jesus de Nazaré, Agnus Dei, interceda pelos que quebram espelho para não encarar seus monstros, pelos que cozem disfarces coloridos, pelos que plastificam sorrisos, pelos que têm ereção diante do macabro, gozam com a tragédia humana e se betumam no pus da miséria.
 
Jesus de Nazaré,  indulgente com Tomé, interceda pelos que tateiam as paredes caiadas dos corredores eclesiásticos, pelos que se contentam com os consolos da religião, pelos que adoram ídolos de pés de barro e olhos de vidro, pelos que galgam o pináculo da catedral, sentem-se superiores e não sabem explicar o significado da palavra simonia.
 
Jesus de Nazaré, um conosco, interceda pelos que não se reconhecem semelhantes à poeira no deserto e nunca desistem de alimentar-se da petulância, pelos que marcham apoiados em hastes de trigo, velejam em barcos de casco trincado e fabricam relógios para determinarem sua própria hora.
 
Jesus de Nazaré, eternamente bom, interceda por todos nós: patéticos, pusilânimes, bufões, desmiolados, bárbaros, relegados, malbaratados, palermas, voláteis, brutos. Ninguém é melhor do que ninguém; feitos de trevas e luzes, somos teus irmãos e carecemos de tua infinita paciência.
 
Soli Deo Gloria
 
 
- Ricardo Gondim
 

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