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Salvação a-religiosa

Salvação a-religiosa

Atualizado: Sexta-feira, 17 Maio de 2013 as 4:24

Salvem-se desta geração corrompida
oraçãoAtos 2.40

 
É possível metamorfosear-se, reinventar-se. Salvação, mais que um preceito religioso, pode significar um cobrir-se de delicadeza; na relação com o próximo, envolver-se no manto da consideração. A redenção proposta por Jesus considera a possibilidade de uma crisálida, em que as pulsões de morte se transformam em docilidade.
 
No imperativo de salvar-se reside a demanda de adornar-se com gentilezas. No mandado de safar-se desta geração corrompida, vem incluído o dever de ataviar-se com gestos nobres, com distinção. Salvar-se tem a ver com o anseio de despertar galhardia no trato com o diferente. Para o cristão há um desnudar-se de tudo o que é pequeno – da perversidade pura e simples à pieguice doutoral. O convertido quer livrar-se do dandismo beato, anela fugir da teatralidade piedosa, busca desvencilhar-se dos andrajos de sua natureza carcomida de egoísmo.
 
Ele perde a ambição de assentar-se à mesa onde se conversam platitudes; corre dos lambe-esporas; desrespeita a lógica do petulante; desconfia do basbaque pretensioso; distancia-se do subserviente. Quer tornar-se sal.
 
O nascido de novo mapeia modos de esmiuçar o sublime, prospectar a concórdia, semear beleza. Ele caça serenidade como uma borboleta rara; garimpa altruísmo como um astrônomo à caça de uma nova estrela. Seu objetivo é a excelência ética e a exaltação da modéstia.
 
Ser resgatado por Deus implica em celebrar a beleza, alimentando-se de metáforas, abraçando a subjetividade, meditando no silêncio. O salvo se introverte para alcançar a expansão do céu. Ele exercita a arte de falar sozinho enquanto contempla as montanhas, e inspira para dentro da alma a melodia do vento.
 
Salvação é vencer a fadiga existencial com certa dose de humor, enfrentar o desespero com afoiteza, combater a monotonia com arrojo e desafiar o pessimismo com obstinação. O conceito de expiação traz o ânimo de ser tenaz.
 
O redimido prefere cautela à imprudência, compromisso à indiferença, cortesia à incivilidade, humildade à insolência e misericórdia à inclemência. Ele ama a benignidade. Encarna o fruto do Espírito e se torna notório filho de Deus.
 
Soli Deo Gloria
 
 
- Ricardo Gondim
 

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