
Cristã desde adolescente, Membro da Igreja Metodista Wesleyana, Diretora Geral de Ministérios, Adm de Empresas, Professora Universitária, Empresária, Mentora de Líderes e Equipes e CEO da Cyclos Consultoria.

1. Uma verdade libertadora da fé cristã
Uma das compreensões mais libertadoras — e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras — da vida cristã é esta: Deus não muda.
Em muitos momentos, aproximamo-nos do jejum com expectativas equivocadas. Esperamos que Deus mude circunstâncias, reverta cenários ou aja conforme nossas urgências. No entanto, a Escritura é enfática ao afirmar que o Senhor é imutável:
“Porque eu, o Senhor, não mudo.” Malaquias 3:6 – ARA
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.” Tiago 1:17 – ARA
Essa verdade nos conduz a uma pergunta mais honesta e profunda:
O que acontece conosco quando escolhemos jejuar?
O jejum não altera o caráter de Deus. Ele transforma o coração humano.
2. O significado bíblico do jejum
Para compreender essa transformação, é importante olhar para o significado bíblico do jejum.
No Antigo Testamento, a palavra hebraica tsûm aparece associada à expressão ‘anah nefesh’, que significa “afligir” ou “humilhar a alma”. Essa construção revela que o jejum sempre esteve ligado a uma postura interior de rendição, dependência e quebrantamento diante de Deus.
Jejuar, portanto, nunca foi apenas deixar de comer.
É submeter a alma, silenciar o orgulho e reconhecer, de forma consciente, nossa total dependência do Senhor.
No Novo Testamento, o termo grego nēsteía significa literalmente “não comer”, mas carrega um sentido espiritual mais amplo: interromper o natural para intensificar o espiritual. O jejum aparece sempre conectado à oração, à consagração e ao serviço, nunca como prática isolada ou ritual vazio.
O jejum não ajusta o trono de Deus. Ele ajusta o coração humano.
3. Quando o jejum perde o seu propósito
A Bíblia também nos alerta para o risco de um jejum esvaziado de sentido espiritual. Em Isaías 58, Deus confronta um povo que jejuava, mas não permitia que o jejum transformasse atitudes, relacionamentos e escolhas.
O problema nunca foi a prática do jejum em si, mas a ausência de mudança interior.
Jejuar sem transformação é apenas abstinência. Jejuar biblicamente é permitir que Deus revele o que precisa ser alinhado, tratado e transformado em nós.
Quando jejuamos, não estamos tentando mover Deus. Estamos nos colocando disponíveis para que Ele nos mova.
4. Tipos de jejum à luz da Bíblia (com discernimento)
A Escritura apresenta diferentes formas de jejum, sempre conectadas a propósito, contexto e direção espiritual. Entre as principais, destacam-se:
Jejum normal : Consiste na abstinência de alimentos sólidos por um período determinado, mantendo a ingestão de água. É a forma mais recorrente encontrada na Bíblia e pode ser vivida com equilíbrio, discernimento e acompanhamento espiritual.
Jejum parcial: Exemplificado na experiência do profeta Daniel, que se absteve de alimentos desejáveis por um tempo específico (cf. Daniel 10). Esse tipo de jejum ensina renúncia consciente, foco espiritual e disciplina progressiva.
Jejum total: Envolve a abstinência completa de alimentos e água por um curto período. Na Bíblia, aparece em contextos excepcionais de extrema urgência espiritual, como no caso de Ester (cf. Ester 4). Esse tipo de jejum exige muito discernimento e não deve ser praticado sem cautela ou orientação.
5. Jejum e cuidado com o corpo
Aqui cabe uma orientação fundamental: o cuidado com o corpo também é bíblico.
O apóstolo Paulo afirma que o corpo é templo do Espírito Santo (cf. 1 Coríntios 6:19). Autores cristãos que refletem sobre as disciplinas espirituais, como Richard Foster, reforçam que o jejum deve ser vivido com sabedoria, considerando limites físicos, emocionais e condições de saúde.
“O jejum cristão deve sempre ser praticado com discernimento e responsabilidade, nunca como forma de autopunição ou imprudência.”
(Richard Foster, Celebração da Disciplina)
Jejum com Deus nunca é irresponsável.
Ele aprofunda a espiritualidade sem desprezar o cuidado com a vida.
6. O que muda em nós quando jejuamos
Cada experiência revelará coisas particulares entre você e Deus. Quando vivido como disciplina espiritual, o jejum:
O jejum não dobra a vontade de Deus. Ele realinha a nossa.
7. Para pensar e agir
Tenho jejuado?
Se sim, tenho esperado apenas que Deus mude circunstâncias — ou tenho permitido que Ele me transforme?
E se ainda não tenho jejuado, que tal vivenciar essa disciplina espiritual, com discernimento e propósito, para me aproximar ainda mais do nosso Pai?
Vamos Orar, Juntos?
Senhor, obrigada por me guiar e ampliar a minha visão sobre o jejum, por me despertar a praticar e ter a minha vida consagrada à tua vontade. Te amo Senhor crendo que em cada dia sou transformado(a), ajuda-me e me fortalece para viver os Teus propósitos. Em nome de Jesus, amém.
No próximo episódio:
JEJUM QUE PREPARA PROFUNDIDADE PARA BATALHAS REAIS.
Rosana Sá (@rosanasa_oficial) é Mentora Executiva, Professora Universitária e CEO da Cyclos Consultoria. Especialista em comportamento, neurociência e liderança. Palestrante e conferencista, serve ao Senhor na IMW como Diretora Geral de Ministérios, conduzindo líderes e equipes com propósito.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: Discernimento no jejum: Maturidade espiritual é nosso foco
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