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Precisamos de mais discípulos do que de crentes

O Mestre não no mandou trabalhar na cristianização de nenhuma nação, mas no "fazer discípulos".

fonte: Guiame, Saulo Porto

Atualizado: Sexta-feira, 8 Maio de 2020 as 3:24

(Foto: Pinterest)
(Foto: Pinterest)

Calma. Não estou criticando os crentes. Apenas quero apresentar aqui o que são dois processos diferentes. De um lado temos um processo de crer (ou acreditar) no cristianismo como religião. Mas por outro lado, há o processo que vai além deste, que torna o crente em um discípulo. E entre estes dois, o segundo processo é o mais eficaz no Reino de Deus.

O Mestre não no mandou trabalhar na cristianização de nenhuma nação, mas no "fazer discípulos". Está na grande comissão. É indiscutível. Às vezes, somos doutores em religião, e analfabetos em Reino de Deus. Como movimento cristão brasileiro, eu penso que nossa caminhada precisa ser mais intencional quando o assunto é discipulado, porque são os discípulos que buscam e expandem o Reino.

O "discipulado"de maneira simples e clara, pode ser definido como um processo de aprendizado capaz de tornar um cristão nominal, em um seguidor de Jesus, que abraçou a vontade do Mestre como se fosse sua. Eu sei que dá muito trabalho (até pra gente mesmo) tornar-se discípulo, quanto mais discipular outros. Mas isso não nos isenta da responsabilidade.

O discipulado é um processo, então não é um programa automático. Leva tempo. Exige convivência, que é o que menos temos hoje em dia nas comunidades. Temos muitas programações e pouca convivência. Muito entretenimento para pouco relacionamento. Investimos tempo e dinheiro, trabalhamos muito e produzimos uma geração de ouvintes em nossas reuniões, mas muitos não se conhecem de verdade. Sem relacionamento não há discipulado. Acabamos criando um negócio de “ser cristão sem ser discípulo”. É o programa sem o propósito, a embalagem sem o conteúdo.

Enquanto a cristianização pode ser uma mudança apenas externa, religiosa e superficial, o discipulado só acontece quando há uma mudança interna, relacional e profunda. Isso ocorre quando a pessoa tem contato com os valores eternos no Reino. Repito, valores. Por isso que ninguém discipula ninguém apenas "informando". O que vai fazer o processo de discipulado ser bem sucedido é manifestação do Reino e o exemplo demostrado de forma natural e autêntica. Precisa-se ter caráter para ser um discipulador, e não apenas uma sala de aula. O caráter vai além do que se fala, é valor e virtude que transcende o discurso, e que afeta quem está por perto.

O Apóstolo Pedro até já tinha dito, “acrescentai à vossa fé a virtude, e à vitude a ciência” (II Pedro 1:5b).

Quando seguimos o modelo de Jesus de discipulado, colocamos o foco nas pessoas, sua história, seu presente e seu futuro. Queremos propósito encarnado em forma de gente! Jesus nos mostra os elementos essenciais que podem tornar qualquer cristão em discípulo: "caráter, tempo e propósito", e nenhum desses está a venda, demanda uma renúncia pessoal. É assim que avança Seu Reino na Terra, com os amigos de Jesus, que caminhando em direção a Jesus, encontram-se no propósito divino.

Dois versículos para concluir:

"Basta ao discípulo ser como seu mestre" Mateus 10: 25a

"Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." João 15:14

Ainda dá tempo para construirmos uma Igreja com mais discípulos do que crentes. Você ainda acredita?

Por Saulo Porto, teólogo e pastor, missionário da Missão Mãos Estendidas em Portugal e África, professor de Cosmovisão Bíblica na Jocum e estudante de Psicologia na Universidade do Algarve. Casado com a Juliana, com quem tem duas filhas, Alice e Nadine.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Para refletir: O Reino de Deus em tempos de pandemia

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