Matar alguém

Contra um espírito de vida, que é o Espírito Santo, existe um espírito de morte que se chama progressismo.

Fonte: Guiame, Sergio Renato de MelloAtualizado: quinta-feira, 10 de março de 2022 17:46
(Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Ao contrário de uma primeira impressão apressada, a palavra “progresso” não tem o significado que parece ter, de avanço, melhoria, o significado comum. Este senso vulgar da linguagem, quando acrescido do elemento ideológico, chega a ser anticristão. Ilustrando isso, faço uma pergunta: Por acaso, o leitor nunca viu na internet alguma mãe se sentindo orgulhosa e “moderna” por não querer registrar o sexo ou o nome de seu filho recém-nascido, deixando que ele mesmo decida isso depois de crescido? O tal do progressismo é tipo isso aí, coisas deste tipo.

Contra um espírito de vida, que é o Espírito Santo, existe um espírito de morte que se chama progressismo, e que não mostra a sua verdadeira face, com vocação para roubar, matar e destruir almas humanas.

O espírito de morte tem como finalidade, como o próprio nome já diz, a morte de vidas humanas. Este caminho pode ser lento e gradual. O caminho que ele percorre é o do niilismo. É uma palavra difícil de encarar, à primeira vista, parecendo filosófica (e é), mas não deixa de ser fácil quando explicada a sua finalidade. O niilismo é o descrédito levado ao extremo, às últimas consequências. Tem gente até que se mata, comete suicídio, quando vira doença da alma. O niilismo, então, leva ao pecado e à morte. Podemos associar o niilismo à apostasia da fé.

Este espírito niilista é informal. Ele dispensa apresentações, não quer ser apresentado. Ele recusa mostrar a sua cara, a sua verdadeira identidade. Este espírito é de poucas palavras, pouca conversa, porque não quer encarar a verdade que o aniquila. Ele prefere se olhar no espelho, se autobajular, e que os outros o bajulem mesmo sem o conhecerem. É um espírito narcísico.

Este espírito progressista é otimista em sua essência. Parece um lado bom dele, mas não é. É engano. É um espírito enganador. Se se autodestruir ou se destruir valores da cultura ocidental é ser progressista, então eu prefiro ser cético, o que duvida de tudo antes de seguir em frente com qualquer teoria igualitária ideológica, como Pirro, o pai do ceticismo antigo. Ser como Pirro é primeiramente conhecer a si mesmo para depois tentar conhecer o mundo externo a nós.

Um bom exemplo é o caso canadense. Uma pessoa, com nome Kori Doty, transgênero não binário que não se identifica com pronomes masculino ou feminino, quis que seu filho nascesse sem identificação de sexo, permitindo sua descoberta somente depois de crescido.

Depois deste exemplo eloquente, chego, então, ao aborto.

O aborto é crime que atenta contra a vida humana, o valor máximo protegido pelo Direito, pela Constituição, pelas leis do mundo todo.

Todavia, o aborto está deixando de ser tratado como um valor humano absoluto para ser visto como uma mera questão de saúde pública ou como simples autolesão. Já ouviram falar do slogan “meu corpo minhas regras”? Por isso, é preciso voltar ao seu real significado, deturpado ao longo do tempo pela mentalidade progressista, principalmente para a defesa de quem não pode se defender, a vida que existe dentro da mãe. O ataque não é contra o corpo da mãe, é contra uma vida que está ali dentro dela.

Em 22 de fevereiro deste ano, a Colômbia passou a permitir o aborto até o 24º mês de gestação. A Colômbia, como tantos outros países que se vangloriam e se envaidecem por serem progressistas, mexeu na linguagem. Matar alguém no ventre deixou de ser aborto. Agora é mera interrupção de gravidez.

Quando animais e plantas passam a ter mais valor do que seres humanos é de se desconfiar deste “progresso” humanitário desejado a todos os povos, que é instrumento de poder. Mas quando seres humanos deixam de ser seres humanos para serem objetos descartáveis, aí a coisa fica realmente muito séria.

Liberais irresponsáveis que são a favor do aborto se esquivam de falar sobre ele dizendo que aborto é questão complicada, complexa, delicada. Não pode ser assim. Aborto é aborto. Simples, não acham?

Mas, por que motivo os abortistas e defensores de uma cultura de morte preferem o silêncio? Porque a “polemização” é uma das armas que o diabo utiliza para calar a boca das pessoas sobre questões importantes, valorosas, dignas de debate. Então, ao invés de conversarem, as pessoas preferem calar-se a pretexto de não entrarem em polêmicas. O diabo é politicamente correto. A mentalidade progressista é rápida na ação de morte, porém omissa porque se esconde por trás da verdade, na sombra da mentira, da vaidade, do coletivismo. Não quer assumir a autoria de seus crimes, explicar o modus operandi da ação delitiva.

O aborto, tal como ele foi aprovado na Colômbia, não é aborto. É homicídio com o nome de aborto legalizado.

No Brasil, a vida humana tem a sua proteção legal. O aborto é tratado como crime. Mas existem exceções que o permitem. São as exceções legais.

A vida humana é protegida no direito brasileiro como o mais alto grau de valor que existe. É homicídio e feminicídio matar homem e mulher. Enquanto isso, é crime também provocar aborto. E infanticídio o ato de matar o próprio filho durante o parto ou logo após ele.

Por Sergio Renato de Mello, defensor público de Santa Catarina, colunista do Jornal da Cidade Online e Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas, cristão membro da Igreja Universal do Reino de Deus.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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