Silas Anastácio

Silas Anastácio

Fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico atuante há mais de 10 anos em temas sobre Israel e a comunidade judaica. Também tem papel estratégico na mídia evangélica, fortalecendo os valores da fé cristã.

Campo de concentração de Dachau: Sete vidas em meio ao horror

Foi nesse contexto que nasceu George Legmann, em dezembro de 1944, dentro do campo de concentração de Dachau, na Alemanha.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: quinta-feira, 26 de março de 2026 às 18:01
(Imagem: Arquivo pessoal George Legmann)
(Imagem: Arquivo pessoal George Legmann)

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Europa mergulhou em um cenário de devastação: milhões de pessoas foram exterminadas nas câmaras de gás, enquanto outras sucumbiam lentamente à fome e às doenças. O cotidiano era marcado pelo medo e pela dor, em um tempo em que a vida humana parecia não ter valor.

Foi nesse contexto que nasceu George Legmann, em dezembro de 1944, dentro do campo de concentração de Dachau, na Alemanha. Ele foi o primeiro de sete bebês que vieram ao mundo naquele lugar.

Origens e deportação

Os pais de Legmann eram judeus da Transilvânia, região disputada entre Hungria e Romênia. Durante o conflito, a Hungria se aliou ao Eixo e recebeu como recompensa a Transilvânia do Norte, antes romena. Essa mudança trouxe consequências trágicas: a comunidade judaica foi alvo de perseguições e deportada para campos de concentração.

Na capital regional — Cluj-Napoca em romeno, Kolosvár em húngaro e Klausenburg em alemão — os judeus foram reunidos em uma antiga fábrica de tijolos, escolhida por sua proximidade com a ferrovia. De lá, seguiram em vagões de carga para Auschwitz-Birkenau, o maior centro de extermínio nazista. Entre os deportados estavam familiares de Legmann: seu tio de 16 anos, além dos avós. O tio, debilitado por uma infecção, foi enviado diretamente às câmaras de gás, assim como o avô.

Dachau e os nascimentos

O campo de Dachau chegou a ter mais de 150 subcampos, todos sob rígido controle. Em um deles, um médico encontrou sete mulheres grávidas. Ao consultar Auschwitz sobre o que fazer, recebeu a resposta de que poderia “agir como quisesse”, já que os soviéticos avançavam e os nazistas tentavam apagar provas de seus crimes.

George nasceu em dezembro de 1944. Poucos meses depois, em abril de 1945, Dachau foi libertado pelas forças aliadas. O médico que permitiu a sobrevivência das mães entregou cinquenta latas de leite condensado para alimentar os bebês. Esse gesto pesou em seu julgamento: em vez da pena de morte, recebeu de oito a dez anos de prisão.

Entre os prisioneiros havia o ginecologista judeu húngaro Dr. Kovács, que auxiliou todos os partos. A mãe de Legmann, após dar à luz, ajudou o médico nos demais nascimentos.

Um dos bebês, Leslie, quase não resistiu: sua mãe contraiu tifo e a placenta não se desprendia. Graças à intervenção do médico, conseguiu sobreviver. Miriam, sua mãe, demonstrou enorme força e foi a última das mulheres a falecer.

Um novo começo no Brasil

Após o fim da guerra, um tio de Legmann deixou a Romênia e, passando por outros países, encontrou em um jornal alemão o anúncio de uma fábrica de chocolates em São Paulo que buscava um mestre chocolateiro. Com experiência adquirida na antiga fábrica da família, candidatou-se e foi contratado.

Em 1960, graças a um acordo diplomático conduzido pelo chanceler Santiago Dantas, cinquenta famílias romenas puderam emigrar legalmente para o Brasil — entre elas, a de Legmann. Em São Paulo, começaram do zero, mas com a oportunidade de reconstruir suas vidas em segurança.

Fonte: Alex Solnik

 

Silas Anastácio é fundador do Ministério Davar, evangelista e expositor bíblico com sólida atuação há mais de uma década em temas relacionados ao Estado de Israel e à comunidade judaica. Também desempenha papel estratégico nos bastidores da mídia evangélica, contribuindo para a articulação e divulgação de conteúdos que fortalecem os valores da fé cristã.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Crise no Oriente Médio: Mesquita de Al-Aqsa sob risco

 

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