Como lidar com os traumas

Como lidar com os traumas

Atualizado: Segunda-feira, 9 Maio de 2011 as 11:28

O trauma psicológico envolve situações inesperadas. Não existe uma resposta universal para o trauma e é natural que diferentes reações pós-traumáticas sejam apresentadas como, por exemplo: estado de alerta contínuo, insônia, pesadelos, isolamento, silêncio, estado de choque, amortecimento emocional, agressividade, medo, entre outras.

Respostas de hiperestimulação (medo e alerta) são comuns, como se o fato ao qual alguém tem temor fosse acontecer novamente. Alguns cuidados específicos podem abreviar mais facilmente o sofrimento e construir a superação das pessoas que apresentam sintomas pós-trauma.

“Garantir a segurança do ambiente é o primeiro passo do processo de superação traumática. Nenhuma estratégia terapêutica poderá ajudar se a pessoa ainda estiver em contato com o evento estressor e, portanto, em risco para re-traumatização”, explica Julio Peres, psicólogo clínico e doutor em neurociência e comportamento pela Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o especialista, em se tratando dos menores, é preciso favorecer que a criança expresse em palavras (ou em expressões artísticas, como desenhos), as suas emoções, angústias e sensações, para significar e representar a ocorrência traumática. Ao invés de evitar falar sobre o assunto, na tentativa de protegê-los, os pais devem escutar seus filhos várias vezes.

“Porém, para poder transmitir essa mensagem de segurança, os pais devem acreditar nela, isto é: se a embalagem emocional não estiver de acordo com o conteúdo, o efeito pode ser muito pior que a angústia, a incerteza da dupla mensagem e a dissociação provocadas”, afirma Peres.

O acesso a exemplos de superação ajudam na representação de uma nova perspectiva para a saída do trauma, gerando uma esperança que contrapõe o sofrimento. Por isso, a ajuda profissional, somada ao apoio e segurança passados pelos pais, permitirá que crianças com esse tipo de problema consigam superar os “fantasmas” do passado.

“Com a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra especializado em Transtorno de Estresse Pós-Traumático, o menor conseguirá atribuir significados aos fatos e, em seguida, usá-lo em direção à superação”, conclui.

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