Pessoas introspectivas usam mais áreas do cérebro para resolver problemas

Pessoas introspectivas usam mais áreas do cérebro para resolver problemas

Atualizado: Sexta-feira, 22 Outubro de 2010 as 11:41

Pesquisadores da University College London, no Reino Unido, afirmam que pessoas introspectivas, que fazem mais reflexões sobre suas ideias, emoções e comportamentos, usam mais áreas do cérebro antes de resolver problemas.

Pessoas introspectivas usam mais áreas do cérebro para resolver problemasO estudo, feito por Geraint Rees e Steve Fleming, aponta que todas as pessoas refletem sobre seus próprios pensamentos (o chamado "pensar sobre pensar" que só é observado nos humanos), questionam seus sentimentos e decisões. "É algo que fazemos o tempo todo, mas algumas pessoas fazem isso com mais frequência", diz Fleming. "Mesmo que não tenhamos uma análise de outras pessoas sobre nossas escolhas, todos, intuitivamente, sabem se uma decisão tomada é boa ou ruim."

A introspecção não é algo como o aprendizado ou poder de decisão, que pode ser medido por testes de performance. De acordo com os pesquisadores, não há sinais claros de quando isso acontece nem se afetou ou não uma escolha.

Mas para entender o processo, Rees e sua equipe formularam dois experimentos que mediam a performance objetiva de uma atividade e analisaram como uma pessoa julgava sua própria resposta aos experimentos. Ou seja, os pesquisadores observaram o quanto as pessoas eram eficientes em pensar sobre as próprias decisões tomadas.

A experiência – descrita como bastante difícil – foi feita com 32 voluntários saudáveis que tinham de analisar diversas imagens similares. Uma dessas imagens, porém, tinha cores vagamente mais vibrantes que as outras e deveria ser indicada. Os voluntários foram questionados sobre o nível de confiança no acerto da resposta (isso antes de saberem se haviam realmente acertado a tarefa) e também passaram por exames de ressonância magnética para monitorar o nível de atividade cerebral.

Rimona Weil, outra pesquisadora envolvida no estudo, diz que, assim como em shows de perguntas e respostas, um bom competidor sabe quando tem a resposta na mão e procura ajuda caso tenha dúvidas sobre o problema. Já alguém menos preparado não sabe se está realmente correto ou não. Isso poderia servir para determinar se o nível de confiança nas respostas, apontada pelos voluntários, teria a ver com introspecção – pensar e pesar sua certeza no acerto – e a confiança exagerada de se estar certo.

A partir da análise desses resultados, os pesquisadores concluíram que pessoas mais introspectivas demonstravam maior confiança no acerto quando tinham um alto nível de certeza de terem feito a escolha correta. Quando havia alguma dúvida, eles afirmavam ter pouquíssima certeza da resposta. A média das pessoas menos introspectivas tinha menos variações.

Pessoas introspectivas usam mais áreas do cérebro para resolver problemasUm segundo teste também foi aplicado, mas com uma dificuldade menor, em que o nível de acerto era mais similar entre os participantes. A diferença, entretanto, ficou clara quando analisadas as imagens de ressonância magnética: as pessoas mais introspectivas, identificadas no primeiro teste, tinham maior atividade cerebral em uma pequena área do córtex pré-frontal. Quanto mais introspectivas essas pessoas – mais "remoíam" os motivos de uma tomada de decisão – maior esse nível de atividade.

Os pesquisadores apontam para duas hipóteses: a primeira que indica para uma diferença anatômica entre as pessoas e a segunda sobre os efeitos da experiência introspectiva no cérebro (que modificaria o modo de pensar). A segunda possibilidade levaria à conclusão de que essas regiões, sendo mais maleáveis às mudanças, são passíveis de treinamento e, portanto, acessíveis a todos, ajudando as pessoas a desenvolverem uma habilidade que melhoraria o nível de tomada de decisão.

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