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Israel

Cristãos estavam na fronteira com Gaza dois dias antes do 7 de outubro: ‘Foi um choque’

Em entrevista ao Guiame, David Parsons, da Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém, contou como a missão tem ajudado Israel a se recuperar do massacre.

Fonte: Guiame, Cássia KiefferAtualizado: sexta-feira, 9 de outubro de 2026 às 17:49
David Parsons, o Vice-Presidente Sênior e Porta-Voz da ICEJ. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).
David Parsons, o Vice-Presidente Sênior e Porta-Voz da ICEJ. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa).

Na última quarta-feira (7), o ataque terrorista do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 completou três anos.

O povo israelense ainda lida com as feridas e a destruição daquele dia. Por isso, a Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém (ICEJ) continua levando ajuda aos sobreviventes do atentado.

Em entrevista ao Guiame, David Parsons, o Vice-Presidente Sênior e Porta-Voz da ICEJ, contou como o ministério está atuando desde o massacre.

“Foi um grande choque para Israel, mas foi algo muito surreal para nós da Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém. Em 5 de outubro, apenas dois dias antes e no fim da nossa grande celebração da Festa dos Tabernáculos, estávamos na fronteira com Gaza com cerca de 500 cristãos”, disse David.

“Estávamos plantando árvores bem na fronteira — justamente onde centenas de terroristas do Hamas romperam a cerca e passaram exatamente pelo lugar onde havíamos estado. Tínhamos almoçado ali com alguns dos israelenses locais e, dois dias depois, vimos que eles estavam cercados por terroristas”.

Tratamento de trauma

Após o atentado, a Embaixada construiu mais abrigos antiaéreos na fronteira com Gaza e também no norte, onde o Hezbollah tem atacado Israel do Líbano.

A ICEJ também passou a oferecer tratamento de trauma através da terapia com animais, como a equoterapia.

“Ajudando especialmente as crianças a voltarem a confiar no mundo depois de enfrentarem ataques de foguetes e intensos episódios traumáticos”, explicou Parsons.

Reconstruindo comunidades

Com ajuda de doações de cristãos do mundo todo, a Embaixada ainda iniciou uma campanha de reconstrução nas comunidades israelenses do Neguev Ocidental, uma região atingida no ataque de 7 de outubro.

“Desenvolvemos cerca de oito ou nove grandes projetos de construção e infraestrutura para ajudá-los a reconstruir essas áreas ainda melhor do que eram antes, permitindo o retorno dos moradores deslocados”, afirmou David.

“Entre as iniciativas, estamos viabilizando um centro para idosos, um centro para jovens, uma creche, um centro de musicoterapia, um centro equestre e de cuidados com animais, e uma escola de agrotecnologia voltada para a agricultura de alta tecnologia para jovens israelenses”.

A organização já tem planos para reconstruir outras comunidades atingidas, como Be'eri, Kfar Aza e Nir Oz.

“Em alguns casos, um quarto da população foi morta ou sequestrada. Foi um impacto devastador, mas eles estão começando a se recuperar, e temos caminhado ao lado deles ao longo de todo esse processo”, comentou o porta-voz.

Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém

A Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém foi fundada por cristãos em 1980, como uma resposta após vários países decidirem retirar suas embaixadas de Jerusalém.

A instituição nasceu com o propósito de apoiar Israel e ensinar sobre o significado profético da nação no plano divino.

“Na época, as nações árabes ameaçaram com boicote ao petróleo contra qualquer país que ainda mantivesse sua embaixada em Jerusalém. Havia 13 países aqui naquela época, e um a um, sob a pressão dessa ameaça de um embargo árabe ao petróleo, todos foram para Tel Aviv se juntar às mais de 50 embaixadas que havia lá. Acho que o Brasil estava entre eles”, relatou David.

Ele contou os bastidores da ideia de criar a Embaixada Cristã: “Havia cerca de 1.000 cristãos reunidos para a Festa bíblica dos Tabernáculos, a primeira celebração cristã dessa festa, em setembro de 1980”.

“E eles disseram: ‘Se nossos países não vão nos representar aqui em Jerusalém, teremos que representar a nós mesmos. Teremos que abrir nossa própria embaixada para representar a mentalidade bíblica que vê Israel e o povo judeu, e especialmente Jerusalém, como centrais no plano redentor de Deus, no passado, presente e futuro”.

E acrescentou: “Estamos aqui desde então. Estamos na linha de frente desse movimento, ajudando a apoiar e encorajar Israel, explicar a situação de Israel às pessoas, e especialmente a base bíblica para o nosso apoio a Israel”.

Ajudando judeus a retornarem à Israel

Nos últimos 45 anos de atuação, a ICEJ também ajudou mais de 200 mil judeus a fazerem a aliá (como é chamada a imigração judaica para a Terra Santa).

“Boa parte dessa ajuda consistiu em pagar suas passagens aéreas. É um grande investimento, porque acreditamos que o futuro deles está aqui e que não se trata apenas de reuni-los novamente nesta terra, mas de reuni-los novamente com Deus, e das coisas maravilhosas que Deus prometeu ao povo de Israel aqui”, ressaltou David.

O líder observou que o termo “aliá” vem da Bíblia e significa “subir”. “As últimas palavras da Bíblia hebraica são as do rei persa dizendo ao povo judeu: ‘Subam. Voltem a subir para Jerusalém’”, disse.

“E isso é visto não apenas como imigrar, mudar-se, estabelecer você e sua família em uma nova terra, que é sua pátria ancestral, mas também como algo espiritual: voltar para Deus”.

Com o aumento da antissemitismo ao redor do mundo, houve um crescimento da imigração judaica para Israel, conforme David.

“Agora, pela primeira vez em décadas, a maior origem da imigração judaica foi a França. Lá ainda existe uma grande população judaica, de cerca de 500 mil pessoas. No ano passado, 8 mil judeus se mudaram da França para Israel, nós esperamos que venham mais”, declarou.

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