
Dados divulgados pelo FBI mostram que quase dois terços dos crimes de ódio motivados por religião registrados nos EUA em 2025 tiveram judeus como alvo.
Embora os casos tenham diminuído em relação ao ano anterior, o número permanece entre os mais altos já registrados no país.
Segundo o relatório anual de estatísticas de crimes de ódio do Federal Bureau of Investigation (FBI), foram registrados 1.528 incidentes antissemitas em 2025, o equivalente a 63% dos 2.408 crimes de ódio de motivação religiosa registrados no período.
A desproporção chama atenção porque os judeus representam cerca de 2% da população dos EUA. Além disso, os crimes contra judeus corresponderam a aproximadamente 14% de todos os crimes de ódio registrados no país, independentemente da motivação.
Os muçulmanos apareceram como o segundo grupo religioso mais atingido, com 205 incidentes, número mais de sete vezes inferior ao registrado contra judeus.
Terceiro maior número já registrado
Os dados apontam uma redução dos crimes antissemitas em comparação com 2024, quando foram registrados 1.938 casos. Ainda assim, 2025 foi o terceiro pior ano da série histórica para crimes de ódio contra judeus nos EUA.
No mesmo período, houve queda no total de crimes de ódio registrados no país, de 11.679 casos em 2024 para 10.881 em 2025. Mesmo com a redução geral, a comunidade judaica continuou sendo, de longe, a mais atingida entre os grupos religiosos.
A Anti-Defamation League (ADL) destacou ainda que as autoridades registraram 162 agressões contra judeus em 2025, sendo 50 agressões graves e 112 simples. Também foram contabilizados três homicídios ou casos de homicídio não negligente e 505 atos de intimidação contra vítimas judias.
A destruição e o vandalismo de propriedades foram as ocorrências mais frequentes. Dos 1.685 delitos antijudaicos contabilizados – um mesmo incidente pode envolver mais de um delito –, 920 envolveram destruição, danos ou vandalismo, incluindo ataques contra sinagogas, instituições judaicas e propriedades com símbolos judaicos.
Violência antissemita
Segundo o Algemeiner, observadores associam os níveis elevados de antissemitismo registrados nos últimos anos ao cenário que se seguiu ao ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Os senadores Jacky Rosen, democrata de Nevada, e James Lankford, republicano de Oklahoma, que lideram uma força-tarefa bipartidária do Senado de combate ao antissemitismo, alertaram que os índices continuam acima dos registrados antes do ataque de 7 de outubro.
“Este relatório mostra a sombria realidade para os judeus americanos”, afirmaram os parlamentares, acrescentando que o país enfrenta uma crise que exige “ação coletiva”.
Em 2025, ataques antissemitas também resultaram em mortes nos EUA pela primeira vez desde 2019. Em maio, dois funcionários da Embaixada de Israel foram mortos a tiros em Washington, D.C. Semanas depois, um ataque com coquetéis molotov contra uma manifestação em Boulder, Colorado, provocou a morte de uma vítima idosa.
Mais de 6 mil incidentes
Um levantamento separado da ADL, que inclui episódios criminosos e não criminosos de agressão, assédio e vandalismo, contabilizou 6.274 incidentes antissemitas em 2025 – média de aproximadamente 17 por dia.
O resultado representou queda de 33% em relação ao ano anterior, mas também foi o terceiro maior número registrado pela organização desde que iniciou o monitoramento, em 1979.
Jonathan Greenblatt, CEO da ADL, afirmou que a redução não deve minimizar a gravidade do problema.
“Por trás de cada um desses números há uma pessoa que foi alvo simplesmente por ser judia, seja por vandalismo, intimidação ou violência”, declarou.
Segundo ele, o antissemitismo continua sendo “uma das formas de ódio mais persistentes e perigosas” nos EUA e em outros países.
Os números do FBI são baseados em informações fornecidas por agências policiais. Em 2025, 16.791 agências participaram do sistema de notificação de crimes de ódio, representando 85,9% das instituições inscritas no programa, o que significa que os dados não abrangem necessariamente todos os episódios ocorridos no país.
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