Líderes evangélicos pedem que Brasil também reconheça Jerusalém como capital de Israel

Deputados evangélicos querem pressionar o governo a seguir os passos da administração Trump e mover a embaixada brasileira para Jerusalém.

fonte: Guiame, com informações de BBC Brasil

Atualizado: Quinta-feira, 7 Dezembro de 2017 as 10:44

Os Estados Unidos reconheceram Jerusalém como capital de Israel. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)
Os Estados Unidos reconheceram Jerusalém como capital de Israel. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Corrêa)

Lideranças evangélicas e judaicas do Brasil estão celebrando a histórica decisão dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir para lá sua embaixada, que atualmente está localizada em Tel Aviv.

Deputados evangélicos como o presidente Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Israel, querem que o Brasil pare de votar a favor de resoluções da Organização das Nações Unidas que condenam atitudes de Israel em relação à Jerusalém e seus territórios.

“A comunidade evangélica aqui no Brasil vê com muitos bons olhos a atitude do governo Trump. É um movimento importante para que o Estado de Israel se firme, para que o povo judeu se firme, anunciando para o mundo que Jerusalém historicamente sempre foi a cidade santa dos judeus e do cristianismo”, disse Jony Marcos (PRB-SE) à BBC Brasil.

Outro grupo que tem pressionado o governo brasileiro é o  Amigos de Israel, que hoje conta com 46 deputados e senadores — 31 deles também integrantes da Frente Parlamentar Evangélica.

No início de 2018, após o recesso parlamentar, Marcos pretende reunir integrantes dos grupos pró-Israel no Itamaraty com objetivo de pressionar o governo a seguir os passos da administração Trump e mover a embaixada brasileira para Jerusalém.

Pressão ao governo

Marcos lamenta o fato de o governo brasileiro continuar votando a favor de resoluções da ONU na Assembleia Geral e na Unesco que desvinculam Israel de seus locais sagrados. Ele destaca que a Bíblia é o registro histórico suficiente para comprovar que Jerusalém é a capital de Israel.


Representantes do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Israel. (Foto: Divulgação/Jony Marcos)

“Donald Trump está sendo como um semeador da verdade”, afirma a pastora Jane Silva, presidente da Associação Cristã de Homens e Mulheres de Negócios e a Comunidade Brasil-Israel.

Jane pretende reunir pelo menos um milhão de assinaturas para pressionar o governo brasileiro a mudar sua postura em relação a Israel e entregar o documento em fevereiro, Brasília.

“O que o governo brasileiro está fazendo é rasgar a nossa Bíblia, rasgar a nossa fé. O Brasil vota que Jerusalém não tem a ver com o povo judeu, com Israel. Se Jesus não é homem judeu, não tem a ver com o povo judeu, o Brasil está tentando desmontar a fé no cristianismo”, criticou a pastora.

Posicionamento brasileiro

Enquanto países como França, Alemanha, Reino Unido, Turquia e China criticaram a decisão americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, o governo brasileiro não se manifestou. Diante dessa neutralidade, Jane e Marcos afirmam que até o momento, não notam mudanças na postura do governo brasileiro em relação a Israel.

A única exigência feita pelo Itamaraty desde que Michel Temer assumiu a Presidência é a mudança na redação das resoluções na ONU pelos países árabes. Um das reclamações está no fato do Monte do Templo ser referido apenas pela denominação árabe, al-Aqsa ou Haram al-Sharif.


Pastora Jane Silva com o diplomata israelense Dani Dayan, que foi recusado por Dilma Rousseff como embaixador no Brasil. (Foto: Divulgação)

Em junho do ano passado, o então chanceler José Serra divulgou nota dizendo que o Brasil iria rever seu apoio à resolução, caso não houvesse mudanças no seu texto. Os países árabes não apresentaram essa resolução em outubro deste ano, o que pode indicar um receio de perder votos do Brasil e de outros países.

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