Liga Árabe diz na ONU que ‘guerra religiosa’ vai começar se Israel anexar Judeia e Samaria

Após a reunião do Conselho de Segurança da ONU, os EUA sinalizou apoio à medida israelense, que pretende aplicar soberania a partes da Cisjordânia.

fonte: Guiame, com informações do Times of Israel

Atualizado: Sexta-feira, 26 Junho de 2020 as 11:40

Ahmed Aboul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe. (Foto: Khaled Desouki/AFP)
Ahmed Aboul Gheit, secretário-geral da Liga Árabe. (Foto: Khaled Desouki/AFP)

As Nações Unidas (ONU), a União Europeia e a Liga Árabe se uniram na quarta-feira (24) pedindo a Israel que abandone seus planos de anexar partes da Judeia e Samaria, território mais conhecido pela comunidade internacional como Cisjordânia.

“Estamos em um momento divisor de águas”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma videoconferência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Se implementada, a anexação constituiria a violação mais grave do direito internacional. Exijo que o governo israelense abandone seus planos de anexação”.

Guterres voltou a sugerir uma solução de dois Estados, tendo Jerusalém como capital de ambos, Palestina e Israel.

O governo de Israel planeja anexar assentamentos judaicos na Cisjordânia e no Vale do Jordão, como parte de uma proposta dos EUA para um acordo de paz entre israelenses e os palestinos.

O plano prevê a criação de um Estado palestino, mas em território reduzido, e sem que os eles tenham sua capital em Jerusalém Oriental. O plano foi totalmente rejeitado pelos palestinos.

Segundo a organização B'Tselem, 65.000 palestinos e cerca de 11.000 colonos israelenses vivem na área. 

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, disse que a anexação “destruirá qualquer perspectiva de paz no futuro” e poderá desencadear “uma guerra religiosa dentro e fora” da região.

“A possível ação do governo israelense de anexar partes do território palestino ocupado constituiria, se implementada, uma séria ameaça à estabilidade regional”, afirmou.

O coordenador da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que a anexação “pode ​​alterar irrevogavelmente a natureza das relações entre israelenses e palestinos”.

Ele acrescentou: “Corre o risco de comprometer mais de 25 anos de esforços internacionais em apoio a um futuro Estado palestino viável, vivendo em paz, segurança e reconhecimento mútuo com o Estado de Israel”.

Em uma declaração conjunta, membros da União Europeia no Conselho de Segurança alertaram que a anexação prejudicaria seus laços com Israel.

“Atualmente, todos temos um relacionamento próximo com Israel e desejamos continuar trabalhando com Israel de maneira construtiva e abrangente, no espírito da amizade de longa data que nos une. No entanto, seguindo nossas obrigações e responsabilidades sob o direito internacional, a anexação teria consequências para nosso relacionamento com Israel”, afirmou.


Reunião do Conselho de Segurança da ONU em Nova York, em junho de 2017. (Foto: Mohammed Elshamy/Anadolu Agency)

Apoio dos EUA a Israel

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, indicou na quarta-feira que Israel tinha aprovação dos Estados Unidos para anexar terras palestinas.

“As decisões sobre estender a soberania dos israelenses a esses locais são decisões que cabem aos israelenses tomar. Estamos conversando com todos os países da região sobre como podemos administrar esse processo para o nosso objetivo de um Estado final”, disse Pompeo à imprensa.

O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que a palavra correta para os planos de Israel não seria “anexação”, já que o Estado judeu conquistou a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, durante a Guerra dos Seis Dias em 1967.

“Se Israel decidir estender sua soberania, seria feito com relação a áreas sobre as quais sempre manteve uma reivindicação histórica e legítima”, afirmou. “As oposições abraçam uma falsa narrativa palestina, em vez de fazer uma avaliação da verdade histórica e legal”.

Não está claro se Israel seguirá com a anexação em 1º de julho, data em que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu definiu o início do processo. Os EUA aguardam pelo apoio de Benny Gantz e Gabi Ashkenazi, ministros da Defesa e Relações Exteriores, que até agora não deram sinal verde.

Também foi sugerido que o plano poderia avançar em etapas ou se aplicar apenas a um território menor.

O primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohammed Shtayyeh, disse em um protesto liderado pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) na quarta-feira que não importa se Israel irá anexar uma pequena parte ou toda a Cisjordânia.

“Eles dizem: ‘Se pegarmos um pouco de terra, não tem problema’. Sim, tem problema! Anexação é anexação, não importa seu tamanho. Pequeno ou grande, é um problema para o povo palestino”, disse Shtayyeh. “O vale do Jordão é como Jerusalém”.

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