
O suspeito de provocar o incêndio criminoso na Sinagoga Beth Israel, em Jackson, EUA, no sábado (10), teria sorrido ao relatar o ato ao pai.
Segundo uma declaração juramentada do FBI e um comunicado do Departamento de Justiça, o suspeito também teria descrito o local de culto como “satânico” ao confessar seus atos às autoridades.
Com 160 anos de história, a sinagoga – a maior do Mississippi e a única em Jackson – já foi alvo de um atentado da Ku Klux Klan em 1967, em represália ao papel da congregação nas atividades pelos direitos civis.
A informação é do Institute of Southern Jewish Life, que também mantém seu escritório no prédio.
“Essa história nos lembra que ataques a casas de culto, seja qual for a causa, atingem o cerne da nossa vida moral compartilhada”, disse CJ Rhodes, um proeminente pastor batista negro em Jackson, em uma postagem no Facebook.
“Isso não foi vandalismo aleatório – foi um ataque deliberado e direcionado à comunidade judaica”, disse Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação, em um comunicado.
We are outraged by the arson attack that severely damaged Beth Israel Congregation, the largest synagogue in Mississippi.
— American Jewish Committee (@AJCGlobal) January 11, 2026
While no one was hurt, the synagogue was extensively damaged, several Torah scrolls were destroyed, and the congregation— the only synagogue in Jackson —… pic.twitter.com/CkPqLLFMeR
“O fato de ter sido atacada novamente, em meio a uma onda de incidentes antissemitas nos EUA, é um lembrete claro: a violência antissemita está aumentando e exige condenação total e ação rápida de todos”, disse Greenblatt.
A sinagoga continuará seus programas e cultos regulares durante o Shabat, o sábado judaico semanal, provavelmente em uma das igrejas locais que se aproximou.
“Somos um povo resiliente”, disse Zach Shemper, presidente da Congregação Beth Israel, em um comunicado. “Com o apoio da nossa comunidade, vamos reconstruir.”
Torá resistiu ao fogo
Uma Torá que sobreviveu ao Holocausto estava protegida por vidro e não sofreu danos no incêndio, informou o Mississipi Today. Cinco Torás localizadas no santuário estão sendo avaliadas quanto a possíveis danos causados pela fumaça.
Já duas Torás da biblioteca – a área mais atingida – foram destruídas, segundo um representante da sinagoga.
O santuário teve pisos, paredes e teto cobertos de fuligem, e será necessário substituir estofados e carpetes.
Ataque na madrugada
Stephen Spencer Pittman, morador de Madison, Mississippi, teria usado um machado para quebrar a janela da única sinagoga de Jackson antes do amanhecer. Em seguida, entrou no local, derramou gasolina e ateou fogo ao templo.
De acordo com relatos, o suspeito de 19 anos teria ateado fogo ao próprio corpo durante o ataque, sofrendo queimaduras nos tornozelos, mãos e rosto.
Ainda segundo as informações, Pittman deixou na sinagoga uma lanterna e um telefone celular.
Antes e depois do suposto ataque, o suspeito manteve contato com o pai sobre suas intenções e ações.
“Sinagoga de Satanás”
Pittman teria ignorado os apelos para voltar para casa e afirmou que estava prestes a “dar um show”.
Ao ser confrontado pelo pai em casa, ele teria relatado o crime rindo e acrescentado que “finalmente os pegou”.
O pai de Pittman comunicou a confissão ao FBI, e as autoridades confirmaram a denúncia por meio de dados de GPS e mensagens de texto trocadas entre eles.
Após ser preso, Pittman teria dito às autoridades, em depoimento, como realizou o incêndio criminoso no que ele chamou de “sinagoga de Satanás”.
De acordo com o Departamento de Justiça, o incêndio causou danos significativos à sinagoga, deixando-a inoperante por tempo indeterminado.
Reconstrução
Congregantes e líderes se comprometeram a reconstruir a histórica sinagoga do Mississippi, que ficou gravemente danificada pelo incêndio.
O incêndio devastou a Congregação pouco depois das 3h da manhã de sábado, segundo as autoridades. Nenhum fiel ficou ferido.
Imagens mostravam os restos carbonizados do escritório administrativo e da biblioteca da sinagoga, onde várias Torás foram destruídas ou danificadas.
O prefeito de Jackson, John Horhn, confirmou que uma pessoa foi detida após uma investigação que contou com a participação do FBI e da Força-Tarefa Conjunta contra o Terrorismo.
“Atos de antissemitismo, racismo e ódio religioso são ataques a Jackson como um todo e serão tratados como atos de terror contra a segurança e a liberdade de culto dos moradores”, disse Horhn em um comunicado.
Ele não revelou o nome do suspeito nem as acusações que enfrenta. Um porta-voz do FBI em Jackson afirmou que a equipe está “trabalhando com parceiros das forças de segurança nesta investigação”.
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