
Uma adolescente cristã, de 13 anos, foi brutalmente torturada e teve o cabelo raspado por seus empregadores muçulmanos, no Paquistão.
Segundo o jornal paquistanês Voicepk, há sete meses Zarnab Noor foi enviada pelos pais para trabalhar na casa de Bao Tariq Gujjar e sua esposa, Naml Bibi, na cidade de Johar, no estado de Punjab.
Enfrentando a extrema pobreza, o pai da menina, Shariya Bibi, disse que foi obrigado a enviar a filha para trabalhar como empregada doméstica para ajudar no sustento da família.
Na residência dos muçulmanos, Zarnab passou a ser punida com violência por pequenos erros em seu trabalho.
"Eu fui espancada por ambos", disse a adolescente, em lágrimas, em entrevista ao Voicepk. "Eles ficavam extremamente irritados por coisas pequenas. Se eu dormia um pouco mais tarde, eles eram verbal e fisicamente violentos comigo. Às vezes, se algo escorregava da minha mão e quebrava, eles me batiam feio por causa disso. Os erros não foram tão grandes, mas me puniram terrivelmente”.
Devido a sua fé cristã, ela foi espancada repetidamente com um cano de plástico, chutes e tapas no rosto, mantida em cárcere privado, humilhada e torturada por Bao e sua esposa.
Proibida de ver os pais
Além disso, Zarnab foi proibida de visitar os pais ou receber visita deles no trabalho. "Não me deixaram ir para casa no Natal ou em qualquer outra ocasião importante", contou.
"Eu também tinha que trabalhar nesses dias. Se meus pais viessem me ver, arranjavam uma desculpa e diziam que eu estava dormindo e mandavam minha família embora. Frequentemente me trancavam dentro do banheiro como punição”.
A adolescente também enfrentava abuso psicológico e verbal do casal muçulmano. Eles chamavam Zarnab por insultos religiosos depreciativos, como infiel.
Ameaçada de morte
Ela chegou a ser levada para outro local e mantida com as mãos e os pés amarrados. Na ocasião, Naml Bibi a ameaçou de morte, gritando que ela deveria ser morta e seu corpo jogado no esgoto.
"Sempre fui mantida trancada, mas a única forma de sair foi quando eles mesmos me expulsaram de casa", comentou Zarnab.
"Disseram que eu não podia trabalhar e rasparam minha cabeça como punição. Fui empurrada para fora do portão principal e fiquei lá por muito tempo chorando. Implorei e implorei para que me aceitassem de volta, mas não quiseram. Um motorista de riquixá gentil me ajudou a chegar até meus pais em Kasur. Tive que perguntar o caminho para chegar lá”, acrescentou.
No dia 23 de janeiro, a menina voltou para sua casa em estado de trauma físico e psicológico extremo. Seu corpo tinha sinais de tortura grave e prolongada.
A família de Zarnab não denunciou o caso à polícia após ser ameaçada e pressionada. "Fui informado pela família de que estão sendo pressionados pela polícia a se reconciliar com os agressores e que não devem buscar recursos legais", afirmou Joseph Janssen, fundador da Voice of Minorities, uma organização que defende as minorias no Paquistão.
Apelo por justiça
Agora, a Voice of Minorities está apoiando a adolescente e entrou com uma ação na Justiça pedindo a punição dos criminosos. Sua família foi abrigada em outro local por segurança.
Janssen observou que a violência enfrentada por Zarnab é mais um caso de perseguição contra cristãos no Paquistão.
"Atrasos ou falhas das autoridades policiais em agir de forma decisiva reforçam ainda mais a impunidade e minam a justiça", criticou ele.
A Samaritan’s Fellowship Foundation, uma organização que apoia os cristãos paquistaneses perseguidos, também apelou que as autoridades do país façam justiça por Zarnab.
“A Samaritan’s exige fortemente: Prisão imediata e ação legal contra os autores, proteção total e apoio para Zarnab Noor e sua família, entrega rápida e transparente da justiça, conscientização e ações políticas para prevenir tais incidentes no futuro”, afirmou a organização em nota.
“Também pedimos à Honorável Primeira-Ministra do estado de Punjab, Sra. Maryam Nawaz, que tome imediata atenção deste caso e garanta que a justiça seja feita”.
O Paquistão, cuja população é 96% muçulmana, ficou em 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, dos lugares mais difíceis para ser cristão.
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