
Dois pastores sudaneses estão recebendo ameaças de morte em um campo de refugiados no Sudão do Sul. As ameaças começaram após um ataque de extremistas muçulmanos contra um deles, em maio deste ano.
Na ocasião, o pastor Drij Haruon Khamis foi atacado dentro de sua igreja, no campo de refugiados de Gorom, e ferido na perna. Antes do ataque, ele e o pastor Adel Idris, que também lidera o Conselho Cristão de Darfur, já haviam recebido ameaças de extremistas muçulmanos.
A preocupação aumentou em 25 de setembro, quando um homem ficou por cerca de 30 minutos em frente à casa de Khamis, às 21h. A residência fica a cerca de 26 quilômetros da capital do Sudão do Sul, Juba.
Segundo o Morning Star News, o homem falava ao celular enquanto aparentemente vigiava o pastor. Khamis acionou a polícia, que foi até a casa e prendeu o suspeito, que continua detido.
Fontes informaram que o homem teria sido enviado pelos extremistas muçulmanos que atacaram Khamis em maio. Durante o interrogatório, a polícia descobriu que ele representava uma ameaça.
Em 27 de setembro, Khamis e outros cristãos comunicaram as ameaças de morte ao Conselho Cristão de Darfur e à igreja, pedindo orações.
“Isso nos fez temer por nossas vidas, pois não sabemos o que os próximos dias nos reservam. Há muito medo, mas acreditamos que Deus assumirá o controle. Glória a Deus”, disse o pastor Khamis ao Morning Star News.
Cristãos enfrentam ameaças após deixar o Islã
A situação tem causado preocupação entre os cristãos que vivem nos campos de refugiados de Darfur. Muitos deixaram o islamismo para seguir Jesus e, por isso, enfrentam ameaças de extremistas e rejeição da própria família. Diante disso, líderes cristãos pedem que as autoridades garantam a segurança dos convertidos.
Incentivados pelo líder de uma mesquita do campo, extremistas muçulmanos consideram os esforços de evangelização da igreja uma ameaça ao islamismo na comunidade.
Embora a Constituição do Sudão do Sul garanta a liberdade religiosa, incluindo o direito de mudar de religião e compartilhar a própria fé, cristãos refugiados ainda enfrentam pressão social e familiar.
No Sudão, a apostasia — abandono da religião islâmica — deixou de ser crime punível com a morte em 2020. No entanto, a intolerância à conversão ainda expõe cristãos a ameaças e violência.
Com isso, os líderes religiosos de Gorom pedem maior proteção para os convertidos ao cristianismo e buscam ajuda para fornecer itens básicos às famílias afetadas pela perseguição.
Desafios do campo de refugiados
Além da insegurança, os refugiados enfrentam dificuldades para conseguir alimentos, água e atendimento médico. O campo de refugiados de Gorom foi criado em 2010, com apoio da ONU, para receber cerca de 2.500 etíopes que fugiam de conflitos.
Com o aumento das crises na região, o local passou a receber mais refugiados. Em agosto de 2023, mais de 10 mil pessoas viviam no campo, incluindo refugiados que chegaram do Sudão.
Em janeiro de 2025, a violência contra sudaneses em Juba levou mais de 6.800 refugiados a Gorom. Em abril daquele ano, a população do campo ultrapassava 22 mil pessoas.
De acordo com o Projeto Joshua, cerca de 93% da população sudanesa é muçulmana, enquanto os cristãos representam aproximadamente 2,3% dos habitantes.
O Sudão ocupa a 4ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, que aponta os países onde os cristãos enfrentam maior dificuldade para praticar a fé.
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