
Um cristão de 35 anos foi morto a tiros no Paquistão após sua família se recusar a continuar trabalhando para um proprietário de terras muçulmano em regime de escravidão para quitar uma dívida.
Masih trabalhava na província de Punjab e era submetido a longas jornadas de trabalho, recebendo pouca remuneração além de alimentação e itens básicos em troca do serviço.
Segundo o Pakistan Christian Post, quando a família decidiu deixar o trabalho, o proprietário exigiu cerca de 600 dólares para quitar uma suposta dívida e liberar os irmãos.
Sem condições de pagar o valor, eles passaram a sofrer ameaças e intimidações constantes de muçulmanos locais.
Constantemente, os extremistas iam até a casa da família e atiravam contra os cristãos, além de ameaçar as mulheres de serem arrastadas nuas pelas ruas.
A negligência das autoridades locais
A situação se agravou em 14 de junho, quando muçulmanos armados retornaram ao local e abriram fogo contra a residência. Masih foi gravemente ferido e levado às pressas para um hospital em Lahore, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
O caso gerou revolta entre cristãos no Paquistão. A organização LEAD Ministries, que monitora casos de violência, discriminação e perseguição contra cristãos no país, lamentou o assassinato e cobrou uma resposta das autoridades.
“Após tomar conhecimento dos detalhes desse trágico incidente, parece que os cidadãos comuns, especialmente os membros de comunidades minoritárias, continuam a enfrentar sérios desafios para obter proteção e justiça”, disse o pastor Imran Amanat, do LEAD, à Worthy News.
“Instamos as autoridades a conduzirem uma investigação completa e imparcial e a responsabilizarem todos os envolvidos perante a lei”, acrescentou.
A família informou que as ameaças e o assédio já haviam sido denunciados à polícia local antes do ataque. No entanto, nenhuma medida efetiva foi tomada para garantir sua segurança.
A organização Voice of Pakistan Minority destacou que, até o momento, não houve uma resposta pública oficial às acusações da família.
O assassinato aconteceu apenas quatro dias após outro caso semelhante na província. Zain Masih, de 22 anos, foi morto a facadas em outra cidade de Punjab.
Para a organização Voice of Pakistan Minority, observou que o assassinato não foi um incidente isolado, mas parte de um padrão mais amplo.
“A discriminação, a exploração econômica e a insegurança se cruzam, muitas vezes deixando os mais marginalizados sem proteção significativa”, explicou a organização.
Os cristãos representam cerca de 2% da população do Paquistão, formada por mais de 240 milhões de habitantes.
Na nação de maioria islâmica, eles enfrentam perseguição por meio de leis de blasfêmia, conversões e casamentos forçados, além de discriminação social e episódios de violência.
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