Cristãos são multados por evangelizar na Crimeia, onde prevalece lei russa antimissionária

As multas são aplicadas a pastores por liderarem cultos e a membros por participarem.

Fonte: Guiame, com informações de Portas AbertasAtualizado: quinta-feira, 3 de março de 2022 16:11
Cristãos na Crimeia são proibidos de evangelizar e podem ser multados por isso. (Foto: Pixabay/Dimitro Sevastopol)
Cristãos na Crimeia são proibidos de evangelizar e podem ser multados por isso. (Foto: Pixabay/Dimitro Sevastopol)

Pelo menos dez cristãos protestantes já foram multados na Crimeia por causa de ações cristãs no país. A Crimeia, que está na região Sudeste da Ucrânia, está sob o controle da Rússia desde 2014.

De acordo com informações da Artigo 18, há 23 processos administrativos que foram documentados sob as leis de Yarovaya, também conhecidas como “leis antimissionárias”, impostas pelos russos logo após ocupar o país. 

Cristãos que foram multados

Quatro casos envolveram membros da igreja protestante House of the Potter, em Sebastopol, uma cidade na costa do Mar Negro. 

O pastor Evgenii Kornev e um membro da igreja foram multados por liderar os cultos. E outro membro da igreja foi multado duas vezes por participar ativamente dos cultos. 

As acusações foram parcialmente baseadas em evidências coletadas nos canais de mídia social da igreja, que já enfrentou outros problemas com as autoridades

Ao longo dos anos, alguns de seus membros e o pastor foram acusados sob a lei que criminaliza “russos que realizam atividades missionárias” por falar com as pessoas, distribuir folhetos e cantar em um ponto de ônibus.

Em fevereiro, o serviço de segurança da Rússia invadiu uma pequena igreja protestante em Kerch, uma cidade no Leste da Crimeia, supostamente para garantir que a comunidade estivesse operando em conformidade com a Lei de Religião da Rússia

No final, um membro da igreja foi acusado e multado por entregar panfletos a duas mulheres que não eram membros da igreja.

Violações dos direitos humanos e da liberdade religiosa 

Muitos analistas avaliam que a Rússia está trabalhando para a restauração de seu antigo império, que foi perdido quando a União Soviética se separou em 1991. 

“A Ucrânia e outras 14 ex-repúblicas soviéticas conquistaram a independência, mas ao longo dos anos a Rússia começou lentamente a diminuir isso, por exemplo na Geórgia e na Bielorrússia, e obviamente está disposta a ir à guerra para restaurar seu poder”, afirmou um analista da Portas Abertas.

A visão, no entanto, não é recriar o que era a antiga União Soviética. “Não veremos um renascimento completo da URSS [União das Repúblicas Socialistas Soviéticas], incluindo sua ideologia ateísta que causou severa perseguição às igrejas, entre elas a Igreja Ortodoxa Russa”, explicou.

“O regime atual é nacionalista e quer que a Rússia retorne como potência mundial e restaure o orgulho nacional que foi quebrado em 1991”, continuou. 

Mas também há semelhanças, e as violações dos direitos humanos e da liberdade religiosa continuam sendo motivo de preocupação. 

“A URSS era um Estado totalitário e a Rússia tem se movido cada vez mais nessa direção nos últimos anos. Nenhum pensamento independente é permitido e, como na antiga URSS, os níveis de vigilância e monitoramento são altos”, concluiu.

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