Ex-criança soldado, jovem conta que foi treinado para matar cristãos

Ele conta como escapou do extremismo e que, através de um amigo que se tornou cristão, leu a Bíblia e conheceu Jesus.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Sexta-feira, 21 Dezembro de 2018 as 4:46

Imagem alterada por segurança. (Foto: John Zada)
Imagem alterada por segurança. (Foto: John Zada)

Jahan* é um homem afegão de 24 anos que vive em meio a cristãos em local não divulgado no Oriente Médio. Sua vida hoje é muito diferente do que a da imensa maioria de seus compatriotas e familiares – e nada igual à que era esperada dele quando criança. 

Durante toda sua infância, Jahan conviveu em meio a um grupo extremista islâmico, tornando-se um deles.  Nesse grupo recebeu treinamento como criança soldado para matar cristãos. “Eu amava rifles, e tudo que ouvia era sobre matar. Matar pessoas, porque me diziam que não eram boas”, lembrou o jovem sobre sua missão, que incluía assassinar os “infiéis e aqueles que se tornavam cristãos”. 

Seu testemunho foi contado como forma de inspiração para o público do Oriente Médio e norte da África nesta quinta-feira (21) por uma emissora de tevê que compartilha testemunhos cristãos.   

A história de Jahan passa por muitos perigos. Ele enfrentou uma longa jornada ao lado de contrabandistas em campos e montanhas até chegar ao Irã, onde se tornou aprendiz de construtor. Tempo depois, Jahan se lembrou de um amigo que soube ter se tornado cristão. “Eu pensei: eu preciso ler o livro dele [a Bíblia] e encontrá-lo”.  

Jahan lê a Bíblia e se converte a Jesus 

O telefone foi o meio de comunicação que uniu Jahan e seu amigo. Eles conversaram pelo telefone e seu amigo cristão lhe contou tudo sobre sua fé. “Eu experimentei muito sofrimento para poder ter luz em minha vida”, disse Jahan que passou a ler a Bíblia, o livro que sentiu vontade de conhecer. 

“Quando leio a Bíblia, entendo que o que eu aprendi é muito diferente. [Porque] alguém que lê a Bíblia pode ir a seu Deus e resolver seus problemas.

”Jahan declarou que está agora em um lugar feliz como cristão, mas triste por seu pai e sua mãe, que ainda estão vivendo uma vida radicalizada. 

Mesmo correndo perigo Jahan tenta o contato com os pais. “Eles não atendem minhas ligações e sei que, se me encontrassem, me matariam. Mas eu quero que meu pai, viva uma vida longa e saudável, é o que desejo como seu filho, mas eu não quero viver em um mundo escuro”, disse o homem que encontrou uma nova vida como soldado de Cristo. 

Perseguição 

O grupo de vigilância de perseguições, Portas Abertas dos EUA, classifica o Afeganistão como o segundo pior país do mundo para os cristãos, atrás apenas da Coreia do Norte

“Como todos os cristãos no Afeganistão são essencialmente convertidos, eles são incapazes de expressar sua fé, mesmo em particular. Em muitos casos, ao serem descobertos, esses convertidos são considerados insanos por deixar o Islã. Se eles não podem ser convencidos a voltar à fé anterior, eles às vezes estão comprometidos com instituições psiquiátricas”, explica o grupo em seu site sobre o sofrimento que os cristãos enfrentam. 

“Outros experimentam a perda de bens pessoais e negócios, espancamentos e até a morte nas mãos de seus próprios familiares e comunidades. Sabendo disso, os crentes arriscam tudo ao contar a outros sobre Cristo, também colocando em risco aqueles que testemunham. No Afeganistão, a perseguição cristã é um trágico conto que é ao mesmo tempo antigo e novo e aparentemente não vai a lugar algum”. 

O extremismo islâmico é um problema no país. O grupo terrorista do Estado Islâmico e outras facções terroristas estão há anos em guerra contra os soldados do governo. Em novembro, combatentes do EI mataram 27 soldados em uma mesquita em uma base do exército afegão, ferindo outros 44. 

Grupos de terroristas intensificaram seus ataques mortais nos últimos dois meses, observou a AFP, com o objetivo de espalhar sua influência no país.

Jahan* é um nome fictício por motivo de segurança.

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