Ex-muçulmano se arrisca para ser batizado no Iêmen após discipulado online: “Cresci na fé”

Zaid conheceu o Evangelho pela internet e decidiu ser batizado nas águas, mesmo correndo risco de prisão ou morte no país islâmico.

Fonte: Guiame, com informações de Portas Abertas Brasil Atualizado: terça-feira, 9 de junho de 2026 às 18:23
Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas Brasil).
Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas Brasil).

Zaid* cresceu em uma família muçulmana rígida no Iêmen. Durante a adolescência, ele passou a questionar secretamente o islamismo.

O adolescente não tinha certeza se iria para o Céu após a morte e essa incerteza o assombrou. Até que Zaid se tornou ateu e passou a buscar a verdade na internet. “Eu estava usando as redes sociais para pesquisar e debater”, contou ele, à Portas Abertas. 

Depois de seis meses de pesquisas, o jovem não encontrou uma resposta e se sentiu ainda mais vazio.

“Eu me sentia sozinho. Não havia ninguém com quem eu pudesse conversar, ninguém para compartilhar meus desafios”, explicou ele.

Até que Zaid teve contato com o Evangelho na web. “Eu lia sobre o cristianismo para aprender como vencer debates contra os cristãos. No entanto, quando eu percebia que não conseguia vencer, eu os amaldiçoava para ver a reação deles. O que me atraía neles era o amor. Eles demonstravam amor e nunca me amaldiçoavam de volta”, lembrou.

“Lentamente, comecei a ouvir para entender, e não para debater. A ideia de que Deus nos ama, de que Ele nos criou à sua imagem e de que enviou seu Filho para morrer por nós eram pensamentos e verdades completamente novos para mim”.

O ex-muçulmano passou a aprender mais sobre Jesus e a ler a Bíblia em um aplicativo no celular. Além disso, ele foi discipulado por um cristão de forma online.

“Por um ano e meio, percorri uma jornada de discipulado e cresci na fé em Jesus”, comentou.

Risco de prisão e morte

Em seguida, mesmo correndo risco de perseguição, Zaid decidiu que queria ser batizado nas águas.

O Iêmen é o terceiro país mais perigoso para ser um cristão. Na nação islâmica, se tornar um seguidor de Jesus é crime e, se um crente é descoberto, pode ser punido com a morte.

“Alaa, o cristão que me discipulava online, disse que organizaria tudo. Ele enviaria um irmão que morava perto de onde eu estava e ele poderia me batizar se eu estivesse certo sobre minha decisão. Claro que eu estava! Eu queria obedecer!”, relatou.

Então, Zaid se encontrou com o cristão local, que o batizou em uma piscina pública. “Eu encontrei o homem em uma rua. Apertei sua mão, e caminhamos juntos até uma piscina. Era um dia movimentado e a piscina estava cheia de gente. Descemos as escadas até um canto da piscina. O homem me fez duas perguntas simples sobre minha fé, depois me batizou, mergulhando e tirando da água, e fomos embora imediatamente”, contou.

“Não o vi depois disso. Aquela foi a primeira vez que conheci um cristão pessoalmente no Iêmen”.

Hoje, com ajuda de parceiros da Portas Abertas, Zaid começou um grupo de discipulado com novos crentes. O propósito do projeto é oferecer um lugar seguro para capacitar cristãos a liderarem igrejas domésticas no país.

“Honestamente, como uma pessoa comum, eu tenho medo, sim. Mas se não corrermos riscos, não conseguiremos alcançar nossas comunidades. Até os discípulos arriscaram muito; enfrentaram perseguição, foram mortos, espancados e vigiados, mas por causa de seus sacrifícios, a Palavra de Deus chegou até nós”, refletiu ele. 

E destacou: “Um dia, a polícia pode me levar, ou alguém pode me matar, mas Deus estará comigo”.

Perseguição no Iêmen

Em uma sociedade majoritariamente muçulmana e profundamente marcada por conflitos políticos e religiosos, a fé cristã costuma ser vivida em segredo.

Reuniões, discipulados e momentos de oração frequentemente acontecem de forma clandestina para evitar represálias.

Apesar da pressão crescente, líderes cristãos afirmam que o número de pessoas interessadas no cristianismo continua aumentando no país.

A Igreja no Iêmen está enfrentando uma repressão sem precedentes, com mais de 50 crentes presos nos últimos meses.

Em fevereiro deste ano, convertidos foram presos ou sequestrados após operações realizadas principalmente por autoridades ligadas ao grupo terrorista Houthi.

Muitos são levados para locais desconhecidos e mantidos sem comunicação com familiares ou advogados.

*Nome alterado por motivos de segurança.

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