Zaira* nasceu em uma família muçulmana em um país da Ásia Central. Ela tinha muito medo da morte e buscou paz para sua alma em diversas religiões.
“Quando jovens morriam, eu ficava assustada pensando sobre o local para onde suas almas iriam”, disse Zaira, à Missão Portas Abertas.
Na vida adulta, ela se casou e teve duas filhas, mas ainda não se sentia satisfeita e continuou buscando por paz.
Mais tarde, seu pai ficou gravemente doente e acabou falecendo. Zaira não conseguiu se despedir porque morava longe, e enfrentou uma dor avassaladora.
A mulher questionou Deus, dizendo: “Você existe mesmo?”. “Eu clamava: ‘Onde está meu pai?’ Eu gritava e gritava”, lembrou ela.
Em meio ao luto, Zaira conheceu o Evangelho através de livros cristãos que seu pai havia recebido de um estrangeiro. Na época, ele trouxe os livros para casa e os guardou entre seus textos islâmicos.
Zaira começou a ler um desses livros que se chamava “Perguntas – o que a Bíblia ensina?”.
“Logo no índice, encontrei minhas perguntas: ‘Onde está Deus?’, ‘Como posso falar com Deus?’, ‘Por que não podemos ver Deus?’. Sobre Jesus, o livro dizia: ‘Quem tem fé em Jesus não morrerá, mas viverá eternamente’. Era isso que eu procurava e encontrei”, comentou.
Encontro com Jesus
A mulher aprendeu que Jesus era o caminho para Deus e fez a oração do livro para entregar sua vida a Cristo.
Zaira testemunhou que foi transformada no mesmo instante: “Senti como se tivesse voado e voltado. Minha boca não parava de dizer ‘Jesus’”.
Junto com sua irmã mais nova, ela passou a ir a uma igreja local, próxima a sua casa, para conhecer mais sobre o Evangelho.
Seu irmão mais velho descobriu que elas haviam ido ao culto e ficou furioso. Ele tomou os livros cristãos das irmãs e os queimou no fogão.
Zaira tentou impedir, mas ouviu uma voz: “Deixe os livros queimarem. As palavras no seu coração não podem ser queimadas”.
Perseguida por extremistas
Depois desse dia, ela enfrentou diversos episódios de perseguição por ter se tornado cristã. Zaira foi expulsa de locais por extremistas e, quando estava grávida, chegou a ser espancada.
Mesmo em meio a perseguição, a mulher continuou seguindo Jesus com coragem. Com o tempo, sua sogra e sobrinhas também se converteram.
Hoje, Zaira acolhe mulheres cristãs perseguidas em sua casa e cuida delas. Para quem enfrenta oposição por causa de sua fé cristã, ela aconselha: “Não tenha medo. Seja ousado. Fique firme na fé. A perseguição é o melhor momento para falar de Deus porque as pessoas estão ouvindo”.
A perseguição na Ásia Central
A Ásia Central é uma região composta por países que, no passado, faziam parte da União Soviética — país comunista que existiu durante o século 20 e reunia várias nações sob um único governo. Essas nações eram chamadas de repúblicas soviéticas e foram organizadas no período em que Joseph Stalin estava no poder.
Em 1991, a União Soviética chegou ao fim e se desfez. Com isso, as repúblicas que antes eram controladas por Moscou se tornaram países independentes, passando a ter seus próprios governos e autonomia.
A Ásia Central é predominantemente muçulmana. Os países que compõem a região são: Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. Em todos eles há perseguição aos cristãos.
Atividades evangelísticas não são bem recebidas e atraem a atenção das autoridades, e de muçulmanos que se opõem a tais ações locais.
Além disso, convertidos do islamismo enfrentam oposição de familiares, amigos e comunidade, e todas as categorias de comunidades cristãs enfrentam alguma forma de perseguição.
São os cristãos de origem muçulmana nativos que suportam o peso da perseguição, tanto nas mãos do Estado, como da família, amigos e comunidade. Onde as igrejas não são registradas, os cristãos enfrentam repetidas batidas policiais, ameaças e multas.
Nenhuma atividade religiosa fora das instituições controladas e administradas pelo governo é permitida. Na região, é muito comum que membros de igrejas protestantes sejam considerados seguidores de uma seita estrangeira.
Se cidadãos nativos (que são muçulmanos) se converterem ao cristianismo, é provável que experimentem pressão e até mesmo violência física por parte da família, amigos e comunidade local, para forçá-los a voltar à antiga fé.
Alguns cristãos de origem muçulmana são trancados em casa pela família por longos períodos, agredidos fisicamente e até mesmo expulsos da comunidade.
*Nome alterado por motivos de segurança.
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