Igreja na Nigéria pede ação para deter massacre de cristãos por Fulanis: “Genocídio”

Apenas no primeiro semestre de 2021, jihadistas Fulani assassinaram pelo menos 1.909 cristãos em ataques.

fonte: Guiame, com informações do The Christian Post

Atualizado: Terça-feira, 10 Agosto de 2021 as 10:03

Apenas no primeiro semestre de 2021, jihadistas fulani assassinaram pelo menos 1.909 cristãos em ataques. (Foto: AFP via Getty Images/Audu Marte).
Apenas no primeiro semestre de 2021, jihadistas fulani assassinaram pelo menos 1.909 cristãos em ataques. (Foto: AFP via Getty Images/Audu Marte).

A Igreja na Nigéria está pedindo socorro para autoridades e comunidade internacional em meio a onda de violência por jihadistas Fulani que vitimiza centenas de cristãos no país africano. 

Após uma série de ataques fatais nos últimos dois meses, o reverendo Stephen Baba Panya, presidente da Igreja Evangélica Winning All, na Nigéria, pediu uma ação urgente para deter os assassinatos em massa, classificando a situação como genocídio

As autoridades devem "impedir o genocídio que está ocorrendo na terra Irigwe", disse o líder em um comunicado, afirmando que a violência contínua se tornou um "pesadelo" para o grupo étnico cristão Irigwe ( grupo indígena de Bassa no Estado do Plateau) e para Kaura na vizinha Southern Kaduna.

“Por mais de 21 anos, o povo Irigwe de Miango, uma comunidade cristã predominante, tem sofrido ataques da milícia Fulani, que resultaram na perda de vidas, propriedades e terras agrícolas. As últimas duas semanas, especialmente de domingo, 23 de julho a segunda-feira, 2 de agosto de 2021 foram o pior pesadelo de toda a terra Irigwe”, declarou o Rev. Panya. 

O líder também denunciou o descaso das forças de segurança nigerianos com a violência contra cristãos. “O que é tão triste e inexplicável é que muitas das aldeias, onde esses assassinatos e queimadas estão ocorrendo, estão basicamente localizadas atrás do Quartel da 3ª Divisão Blindada do Exército Nigeriano, mas essas milícias têm permissão para continuar seus assassinatos e carnificinas hediondas sem qualquer intervenção do Exército Nigeriano e outras agências de segurança”, afirmou Panya.

Segundo o pastor, nenhum militante Fulani empunhando uma AK-47 foi preso, enquanto os “jovens indígenas que tentaram se defender com instrumentos rudes são apresentados como agressores".

Entre 23 de julho e 2 de agosto, 70 pessoas foram mortas, pelo menos 15 aldeias foram destruídas, mais de 400 casas foram incendiadas, incluindo igrejas e um orfanato, quase 20 mil pessoas foram deslocadas e milhares de hectares de plantações agrícolas foram destruídas em uma onda de ataques contra cristãos, na área de Irigwe, no centro da Nigéria.

A organização cristã Christian Solidarity Worldwide (CSW) relatou que os jihadistas Fulani também atacaram as aldeias Ungwan Magaji, Kishicho, Kigam e Kikoba Irigwe em Kaura, no sul de Kaduna, deixando pelo menos 48 pessoas mortas, mais de 100 casas e pelo menos 68 fazendas destruídas. 

“É hora da comunidade internacional deixar de lado os debates sobre as origens e a natureza dessa violência e se concentrar em pressionar e ajudar a Nigéria a lidar com essa rede de atores não-estatais armados e organizados”, disse a líder da Equipe de Relações Públicas e Imprensa da CSW, Kiri Kankhwende.

De acordo com a International Christian Concern (ICC), a milícia Fulani é o quarto grupo terrorista mais mortal do mundo e ultrapassou o Boko Haram como a maior ameaça aos cristãos nigerianos. 

Apenas no primeiro semestre de 2021, militantes Fulani assassinaram pelo menos 1.909 cristãos em ataques, segundo a Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito (Intersociety, na sigla em inglês).




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