
Um pastor curdo foi libertado da prisão após ser detido por sua fé durante uma viagem à Síria, sua terra terral.
Segundo o Baptist Press, Nihad Hassan lidera a Igreja Curda no Líbano, formada principalmente por membros que se converteram ao cristianismo após fugirem da Síria durante a guerra civil.
No dia 19 de julho, o líder foi capturado na cidade síria de Afrin, enquanto visitava familiares.
Segundo a Christian Solidarity Worldwide (CSW), uma organização que defende a liberdade religiosa, Hassan foi detido, provavelmente, por suas publicações nas redes sociais em defesa dos cristãos curdos que enfrentam perseguição na Síria.
"Nos últimos anos, ele expressou preocupações sobre a situação da população curda da Síria, e especialmente com os [cristãos] convertidos do Islã", afirmou a CSW, em um comunicado à imprensa.
"Ele também compartilhou postagens em sua página do Facebook consideradas ofensivas ao Islã e ao profeta do Islã, que supostamente foram o principal motivo de sua prisão pela polícia local”.
Nihad Hassan foi mantido na prisão de 20 de julho a 3 de agosto. A detenção do líder provocou uma campanha de oração por sua liberdade, conforme Wissam Nasrallah, presidente do Seminário Teológico Batista Árabe (ABTS).
“Isso realmente criou uma cadeia de orações entre curdos e entre os libaneses", relatou Nasrallah, em entrevista ao Baptist Press.
O presidente do seminário informou que o pastor Hassan foi libertado após duas semanas na prisão e retornou para sua casa em segurança em Beirute, no Líbano.
Celebração de boas-vindas
Na última quinta-feira (6), o pastor foi recebido com uma grande festa por sua família e congregação, que aplaudiram e comemoraram a volta de Hassan.
A missão brasileira “Família Aziz” compartilhou um vídeo do momento da celebração. O pastor reencontrou sua igreja, ao som de fogos de artifício e música local com músicos tocando instrumentos de percussão.
“Estamos encorajados, gratos pela intervenção de Deus. O Pastor Nihad está de bom humor. Seu tempo na prisão não foi em vão. Ele aproveitou seu tempo na prisão para ser uma boa testemunha”, disse Nasrallah.
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Cristãos em risco na Síria
Conforme o Christian Today, o novo governo sírio tem sido incapaz de impedir a violência de grupos militantes armados.
A vida se tornou mais desafiadora para os cristãos na Síria sob a nova liderança de Ahmed al-Sharaa – ligado a grupos islâmicos – que assumiu a presidência após a queda de Assad em dezembro de 2024.
O ataque terrorista à Igreja do Profeta Elias em junho de 2025 reacendeu os temores da comunidade cristã de sofrer mais perseguição de radicais islâmicos.
Em março do ano passado, confrontos entre forças governamentais e combatentes pró-Assad resultaram na morte de centenas de civis e soldados. Em menos de 24 horas, centenas de cristãos foram massacrados na região costeira da Síria por muçulmanos locais.
Relatórios indicam que o ataque coordenado ocorreu nas regiões sírias de Jableh e Baniyas, onde comunidades cristãs e alauítas vivem historicamente.
Para Meletius Shattahi, um dos líderes do Patriarcado Ortodoxo Grego de Antioquia, o governo sírio não está fazendo o suficiente para proteger as comunidades cristãs.
Shattahi contou que vídeos com ameaças circulam nas redes sociais, mostrando pregadores islâmicos armados defendendo o Islã em alto-falantes em bairros cristãos.
A Síria ocupa o 6° lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026 da Missão Portas Abertas de países mais difíceis para ser cristão.
"Cristãos que se convertem do Islã ou das crenças drusas enfrentam forte pressão familiar e social, especialmente em áreas de maioria muçulmana. Conversão pode levar a violência grave ou expulsão. O aumento da radicalização islâmica intensificou a resistência a convertidos de origens muçulmanas”, afirmou a Portas Abertas Internacional.
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