Índia: Pastor é obrigado a comer esterco e beber esgoto após acusação de conversão forçada

Um grupo de 40 extremistas hindus invadiram uma reunião de oração e agrediram o pastor Bipin Bihari Naik.

Fonte: Guiame, com informações de ICCAtualizado: quarta-feira, 28 de janeiro de 2026 às 15:45
O pastor Bipin Bihari Naik. (Foto: Reprodução/ICC)
O pastor Bipin Bihari Naik. (Foto: Reprodução/ICC)

Após ser acusado de converter hindus ao cristianismo à força, um pastor em Odisha, na Índia, foi obrigado a comer esterco de vaca e beber água de esgoto.

O incidente ocorreu no dia 4 de janeiro, no distrito de Dhenkanal e gerou indignação e críticas em todo o país.

Uma multidão de cerca de 40 pessoas, supostamente ligadas ao Bajrang Dal — o braço militante da organização nacionalista hindu Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) — invadiu uma casa reunião de oração na vila de Parjang e acusou o pastor de realizar “conversões forçadas”.

O pastor Bipin Bihari Naik foi tirado à força de dentro de casa e agredido com pedaços de madeira. Colocaram um pó vermelho em seu rosto e penduraram sandálias em seu pescoço. 

Em seguida, ele foi obrigado a andar pela aldeia, sendo exposto publicamente, por quase duas horas.

Segundo o International Christian Concern (ICC), Naik acabou sendo levado a um templo hindu local, onde suas mãos foram amarradas a uma barra de metal e ele foi forçado a consumir esterco de vaca e beber água de esgoto. Os extremistas também tentaram forçar o pastor a cantar hinos hindus, mas ele se recusou.

Acusação de conversão forçada

Após o ataque, em declarações ao portal Maktoob Media, Vandana, esposa do pastor, disse estar orgulhosa do marido por ele ter se recusado a ceder à pressão da multidão para cantar hinos hindus.

Vandana, que estava presente na reunião de oração, confirmou que a multidão invadiu a casa onde eles estavam orando e começou a agredir todas as sete famílias presentes.

Ela e os filhos conseguiram escapar e foram até a delegacia mais próxima. Lá, imploraram aos policiais que ajudassem o pastor.

“Mas foi somente depois de quase duas horas que a polícia chegou à aldeia”, afirmou a esposa, acrescentando que a intervenção policial não interrompeu o ataque imediatamente.

Apesar da polícia deter nove pessoas conectadas ao ataque, um boletim de ocorrência que acusava o pastor de conversão forçada foi registrado.

Líderes cobram medidas das autoridades 

O ministro-chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, afirmou que o ataque brutal ao pastor não é um crime isolado. Ele refletiu na onda de violência e ódio que está sendo sistematicamente fomentada pelo Sangh Parivar (o grupo ligado ao RSS).

“Obrigar um ser humano a comer esterco de vaca é um ato profundamente desumano, encorajado pelo silêncio e pela cumplicidade dos governos liderados pelo BJP”, disse ele.

O incidente gerou ampla condenação por parte de outros líderes, que descreveram o ato como uma grave violação dos direitos constitucionais.

Conrad K. Sangma, ministro-chefe de Meghalaya, condenou o incidente e instou as autoridades a conduzirem uma investigação minuciosa, além de pedir ação rápida e decisiva contra os responsáveis.

Em comunicado, a Conferência Episcopal Católica da Índia informou que se solidariza com Naik e cobrou das autoridades que garantam a segurança e a proteção de todos os cidadãos.

“Obrigar alguém a comer esterco de vaca é um grave ato de violência e humilhação, que atinge a dignidade e a fé do indivíduo”, relatou o comunicado.

No entanto, Naik e sua família foram levados para um local seguro. As outras famílias cristãs também foram realocadas para casas protegidas.

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