Não perderemos nossa fé, declaram cristãos diante da fúria do governo chinês contra o Cristianismo

Opressão das autoridades chinesas não consegue “matar” a igreja de 30 milhões de cristãos, que continua a crescer.

fonte: Guiame, com informações do NYT

Atualizado: Quarta-feira, 26 Dezembro de 2018 as 4:42

Governo comunista chinês realiza ampla campanha contra as igrejas cristãs. (Foto: Ng Han Guan/Associated Press)
Governo comunista chinês realiza ampla campanha contra as igrejas cristãs. (Foto: Ng Han Guan/Associated Press)

Enquanto os cristãos em todo o mundo se reuniam para celebrar o Natal, o governo do presidente Xi Jinping liderava mais uma campanha implacável contra igrejas e religiões não oficiais, fechando suas portas e prendendo seus líderes e membros. Segundo estimativas, estas igrejas, que hoje reúnem a 30 milhões de pessoas, continuam crescendo apesar da forte repressão.  

Em reportagem, o jornal The New York Times diz que a China está encerrando o ano de 2018 com a mais severa repressão contra o cristianismo em uma década. Mas, apesar de toda a investida, os cristãos permanecem realizando os cultos do jeito que conseguem. “Não perderemos nossa fé por causa da supressão das autoridades”, disse Gu Baoluo, um vendedor de arroz que frequenta uma das principais igrejas chinesas, a Early Rain Covenant Church, que foi fechada no início deste mês. 

Localizada em Chengdu, a Early Rain precisou realizar seus cultos ao ar livre. Além de fechar a igreja, a polícia confiscou Bíblias, fechou uma escola e um seminário administrados pela denominação e ainda prendeu o pastor principal sob a acusação de “incitar a subversão”.  Nos casos mais graves, o “crime” é punível com pelo menos cinco anos de prisão.

Culto de Natal

Ansioso para participar do culto de Natal, Gu Baoluo teve de arriscar-se ao se deslocar aé a casa de um amigo onde aconteceria a reunião. Gu diz que ama decorar árvores, cantar músicas da igreja e assistir ao desfile anual de Natal que conta sobre o nascimento de Jesus. Porém, este ano nada disso aconteceu em sua igreja por ter sido fechada.

Além de fechar as portas das igrejas, a polícia confiscou Bíblias, fechou uma escola e um seminário e prendeu o pastor de Early Rain sob a acusação de "incitar a subversão", que em casos graves é punível com pelo menos cinco anos de prisão. 

A casa do amigo de Gu foi o único lugar seguro para adorar: ali cantaram hinos e oraram pelos mais de 20 de membros da Early Rain que estão presos. Temendo que ele e seus amigos pudessem ter o mesmo destino, o Gu usou aplicativos de bate-papo criptografados para compartilhar informações sobre vigilância e assédio pela polícia. 

Repressão 

A campanha governamental liderada por Xi Jinping, o mais poderoso líder chinês desde Mao Tsé-tung, tem feito de tudo para controlar da forma mais agressiva o cristianismo e outras religiões em toda a China. 

Renée Xia, diretora internacional da China Human Rights Defenders, descreveu o esforço como tendo como alvo o “coração da resistência cristã clandestina”. O governo concentrou sua campanha em igrejas cristãs não oficiais que promovem ideias como a justiça social ou têm sido críticas da repressão do partido na sociedade. 

A repressão aumentou nas semanas anteriores ao Natal. Além da Early Rain, este mês a polícia fechou a Igreja Rongguili, de 40 anos, na cidade de Guangzhou, no sul da China, que tem milhares de fiéis. E em setembro, as autoridades em Pequim ordenaram o fechamento da igreja de Zion, com 1.500 membros, uma das maiores igrejas não oficiais da capital. 

O governo exige que grupos religiosos se registrem, embora muitos ainda cultuem igrejas não-oficiais, às vezes chamadas igrejas subterrâneas ou domésticas. 

Crescimento  

O partido comunista chinês acredita que o cristianismo é a religião que mais cresce na China. As autoridades desaprovam os valores e ideais ocidentais defendidos pelo cristianismo, como os direitos humanos, por estes entrarem em conflito com os objetivos do governo autoritário chinês.  

Mas os esforços empreemdidos pelo governo para destruir várias igrejas cristãs de alto perfil têm sido recebidos com resistência entre os fiéis, que não deixam de cultuar mesmo quando as portas de suas igrejas estão proibidas de serem abertas. 

Na véspera de Natal, as autoridades colocaram uma placa na antiga sede da Early Rain dizendo que o santuário do 23º andar foi convertido em escritórios para o governo local. 

Li Shuangde, uma professora em Chengdu que faz parte do Early Rain desde 2011, disse que as autoridades pediram para os membros da igreja assinar cartas afirmando que não acreditam mais no cristianismo. Diante disso, ela disse que a Early Rain não tinha escolha senão continuar a existir em segredo. “Nós nos mudamos para o subterrâneo”, disse. 

Igreja improvisada 

Os membros continuaram a realizar cultos de domingo, às vezes nas margens de um rio perto da antiga sede da igreja, que ficava em um prédio no centro da cidade. Mesmo com a repressão, os membros pediram a libertação de seus líderes detidos, incluindo Wang Yi, o pastor de Early Rain, e sua esposa, Jiang Rong. 

O Pr. Wang, em uma mensagem divulgada após sua detenção, disse que“a perseguição do regime comunista à igreja é um crime extremamente cruel. Como pastor da igreja, devo condenar estrita e publicamente tais crimes”. 

Wang estava programado para pregar um sermão de Natal na Early Rain intitulado "O Deus que concede a paz". Em vez disso, centenas de membros de sua igreja tiveram que se deslocar por Chengdu para improvisar seus cultos, que aconteceram escondidos em casas de amigos e parentes ou em igrejas acolhedoras.

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