Nigéria é um dos países mais perigosos para cristãos, diz relatório do governo americano

Parlamentares dos EUA entregam relatório à Casa Branca alertando sobre a grave perseguição a cristãos no país africano.

Fonte: Guiame, com informações do Comitê de Apropriações da Câmara dos Representantes dos EUAAtualizado: quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026 às 17:39
Casa incendiada em ataque na Nigéria. (Foto representativa: Portas Abertas)
Casa incendiada em ataque na Nigéria. (Foto representativa: Portas Abertas)

Um relatório entregue à Casa Branca por dois importantes comitês da Câmara dos Representantes dos EUA acendeu um novo alerta internacional sobre a perseguição a cristãos na Nigéria.

O documento afirma que o país africano se tornou um dos lugares mais perigosos do mundo para a prática do cristianismo, devido ao aumento de ataques violentos contra membros de igrejas, pastores e comunidades cristãs.

O material foi preparado conjuntamente pelo Comitê de Apropriações e pelo Comitê de Relações Exteriores da Câmara e apresentado ao governo americano com o objetivo de chamar atenção para a crise humanitária e religiosa que atinge milhares de cristãos nigerianos.

Segundo os parlamentares, o relatório reúne dados, análises e testemunhos que apontam para uma realidade marcada por assassinatos, destruição de vilarejos e deslocamento forçado de famílias cristãs.

Os ataques são frequentemente atribuídos a grupos extremistas e milícias armadas que atuam em diversas regiões do país.

Pressão por ações concretas

O deputado Riley Moore, envolvido na iniciativa, afirmou que o objetivo do relatório é pressionar o governo dos EUA a agir com mais firmeza diante da crise.

De acordo com ele, reconhecer a gravidade da perseguição é um passo importante para mobilizar medidas diplomáticas e políticas que ajudem a proteger a liberdade religiosa.

Já o presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Brian Mast, destacou que os EUA não podem permanecer em silêncio diante do sofrimento enfrentado por cristãos no país africano.

O presidente do Comitê de Orçamento da Câmara, Tom Cole (republicano de Oklahoma), disse:

“Nosso relatório conjunto se concentra na defesa de vidas, na preservação da liberdade religiosa e na luta contra o terrorismo. Afirmamos uma dualidade necessária, não importa onde estejamos: defendemos os princípios dos EUA reforçando a segurança. Protegemos a fé desmantelando o terrorismo.”

“E reconhecemos que um mundo em que os fiéis estejam seguros não é alcançado apenas pela esperança – ele é garantido por uma vigilância que dissuade o mal, enfrenta a violência e permanece de guarda para que a oração nunca fique indefesa.”

Violência crescente

Outro parlamentar que participou do relatório, Chris Smith, afirmou que, ao longo de quase duas décadas, autoridades nigerianas não conseguiram conter a escalada de violência promovida por grupos radicais.

Segundo ele, a falta de responsabilização dos agressores contribuiu para que os ataques continuassem a se intensificar.

A Nigéria, o país mais populoso da África, vive há anos sob tensão religiosa e conflitos armados em várias regiões.

“Por quase vinte anos, o governo nigeriano tem sido cúmplice e complacente diante da violenta perseguição religiosa que ocorre dentro de suas fronteiras. Ao deixar de punir e processar os extremistas islamistas que, de forma indiscriminada, estupram, torturam e assassinam cristãos e muçulmanos não radicalizados no país, o governo nigeriano apenas encorajou esses criminosos terroristas a infligir ainda mais sofrimento”, afirmou o parlamentar.

Organizações internacionais e entidades cristãs têm denunciado repetidamente assassinatos, sequestros e ataques contra igrejas e aldeias.

‘Lugar perigoso para os cristãos’

Após a divulgação do relatório que classificou a Nigéria como “o lugar mais perigoso do mundo para ser cristão”, o governo declarou que está empenhado em proteger todos os nigerianos, independentemente de religião ou região.

Em comunicado divulgado na terça‑feira pelo jornal nigeriano Punch, o ministro da Informação e Orientação Nacional da Nigéria, Mohammed Idris, afirmou que o país nunca adotou uma política de Estado de perseguição religiosa.

"A violência enfrentada por nossas agências de segurança não é motivada por políticas governamentais ou preconceito religioso, mas por ameaças complexas à segurança, incluindo terrorismo, crime organizado e tensões comunitárias de longa data", disse ele.

Essa não é, porém, a visão de Trump, que declarou que o cristianismo enfrenta uma “ameaça existencial” no país. O relatório se baseia em alegações feitas pelo presidente americano no ano passado.

Em 2025, Trump designou a Nigéria como um "País de Preocupação Especial" devido às recorrentes violações da liberdade religiosa.

Um alerta ao mundo

Para os autores do relatório, a situação exige atenção urgente da comunidade internacional. A expectativa é que a entrega do documento à Casa Branca contribua para ampliar o debate global sobre perseguição religiosa e estimule medidas concretas para proteger os cristãos na Nigéria.

Nos últimos anos, líderes religiosos e organizações humanitárias têm alertado que milhares de cristãos foram mortos ou obrigados a abandonar suas casas, em um cenário que muitos descrevem como uma das crises de liberdade religiosa mais graves da atualidade.

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