
As autoridades do Cazaquistão seguem aumentando a pressão para que igrejas cristãs se registrem oficialmente, afetando sobretudo as comunidades batistas ligadas ao Conselho de Igrejas.
Em outubro passado, dois policiais locais interromperam um culto dominical da comunidade batista do Conselho de Igrejas na vila de Balpyk-Bi, distrito de Koksu, exigindo que seus líderes registrassem oficialmente a igreja, segundo informou o grupo de direitos humanos Forum 18.
Conselho de Igrejas Batistas não buscam autorização do Estado para praticar sua fé, exercendo seu direito à liberdade religiosa conforme garantido pelo direito internacional dos direitos humanos.
Novas invasões
Semanas depois, oito agentes – alguns uniformizados e outros à paisana – voltaram a invadir a igreja.
“Um deles começou a filmar os presentes imediatamente”, relataram membros da comunidade.
“Quando a reunião terminou, os oficiais exigiram que todos os presentes escrevessem declarações. Eles colocaram um guarda nas portas e não permitiram que ninguém saísse. Quando os membros da igreja se recusaram a escrever as declarações, os oficiais chamaram um veículo e levaram cerca de dez pessoas para a delegacia local”, relataram.
No local, os agentes apresentaram acusações contra pelo menos nove integrantes da igreja, alegando que haviam “descumprido as exigências da Lei da Religião referentes à realização de ritos, cerimônias ou reuniões religiosas”.
Casos arquivados
O Tribunal Administrativo Interdistrital Especializado de Taldykorgan analisou recentemente os nove casos.
Segundo relataram os batistas ao Forum 18, “o policial local e os responsáveis por assuntos religiosos não conseguiram demonstrar que o acusado havia cometido qualquer infração”.
Por fim, o juiz rejeitou todos os processos, alegando “ausência do elemento de infração”.
Pressão policial
A polícia também esteve na igreja batista do Conselho de Igrejas, no distrito de Shu, no sul do Cazaquistão, para informar aos líderes que uma mulher havia apresentado uma denúncia.
Segundo ela, a igreja “estaria conduzindo aulas para crianças, nas quais os membros ensinavam versículos bíblicos decorados e princípios de moralidade baseados na Bíblia”.
De acordo com membros da igreja, “a essência do problema permanecia obscura, já que o estudo bíblico acontecia em uma igreja onde reuniões de crentes são realizadas há 40 anos”.
Os policiais exigiram que os pastores assinassem declarações, mas eles se recusaram, já que a polícia não soube explicar a razão do pedido e porque “qualquer assinatura pode acabar servindo de pretexto para aplicar uma multa”.
Interrogando crianças
Membros da igreja também relataram que policiais foram até a escola frequentada pelos filhos de um dos pastores e interrogaram a criança sem a presença dos pais, fazendo “todas as perguntas que queriam sobre as reuniões da igreja.
“Interrogar uma criança na ausência dos pais, especialmente dentro de uma escola, sobre questões que não têm relação com a educação, é uma séria violação dos direitos da criança. A polícia violou esse direito de forma grosseira”, enfatizaram.
Além disso, membros da igreja afirmaram que a polícia mantém fotos de todas as crianças que participam das atividades infantis da comunidade.
“A situação atual está causando grande preocupação entre os cristãos. Parece que alguém está muito insatisfeito com as reuniões dos crentes.”
A mulher que havia apresentado a denúncia à polícia trabalha como professora da mesma escola. Ela admitiu ao pai da criança que escreveu o relato “sob pressão e por orientação dos policiais”.
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