"Agenda diária sem Deus é um desastre", afirma Elben Cesar

"Agenda diária sem Deus é um desastre", afirma Elben Cesar

Atualizado: Segunda-feira, 28 Dezembro de 2009 as 12

Diretor da revista Ultimato, o pastor Elben M. Lenz César enfatiza a importância da vida devocional e fala sobre os caminhos - e descaminhos - da igreja evangélica no Brasil Gosto muito da definição de John Stott: ''Evangelização é a difusão por todo e qualquer meio das boas novas de Jesus crucificado, ressurreto e agora reinando''.

IAP em Ação - Na sociedade em que vivemos, encontra-se tempo para tudo: internet, TV, relacionamentos sociais, esportes, vida religiosa, mas vida devocional com Deus não é muito comum. Por que o homem pós-moderno tem tanta dificuldade para ler e entender a Bíblia?

EC - O relaxamento da vida devocional é algo verdadeiramente preocupante. Sem alimento, a alma definha. A arte de ouvir a voz de Deus por meio da leitura regular e proveitosa das Escrituras, associada com a arte de falar com Deus por meio da oração sincera e sistemática, redundam na comunhão com Deus, sem a qual não há nada de fato proveitoso. Fé, alegria, coragem, disposição, entusiasmo, piedade, pontos de apoio, segurança e outras bênçãos dependem dessa comunhão. A agenda diária que não inclui o sagrado compromisso de estar diante de Deus é um desastre. No critério de Paulo, ''o exercício corporal é bom, porém o exercício espiritual é muito mais importante, é um revigorante para tudo o que você faz'' (I Tm 4:8, BV).

IAP em Ação - De que instrumentos a igreja dispõe para mudar este cenário?

EC - A igreja deve encorajar insistentemente as práticas devocionais e mostrar que o verdadeiro sucesso (folhas verdes e abundância de frutos no ano da sequidão) só é possível para quem está junto à fonte (Gn 49:22; Sl 1:3; Jr 17:7-8).

IAP em Ação - Numa entrevista recente, em que o senhor estava no papel de entrevistador, mencionou que continuamos indo ''atrás dos cantos de sereia'', mesmo sabendo que Jesus é fonte de água viva. O que são esses ''cantos de sereia''?

EC - Não me lembro dessa entrevista, mas não creio ser muito difícil enumerar os cantos de sereia. A graça barata, a fé sem obras, o ser visto e elogiado pelos outros e mais algumas não poucas coisas são cantos de sereia.

IAP em Ação - Qual sua visão bíblica sobre fé e obediência?

EC - A relação entre fé e obediência pode ser vista em Abraão: ''Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu e dirigiu-se a um lugar que mais tarde receberia como herança, embora não soubesse para onde estava indo'' (Hb 11:8). A fé propicia e facilita a obediência.

IAP em Ação - A revista Ultimato às vezes é criticada por evangélicos, por abordar assuntos da igreja católica, até em matérias de capa. Como editor da revista, o senhor a considera ecumênica? Por que destacar matérias que envolvem os católicos?

EC - Não tenho aquele ódio, aquela má vontade, aquela implicância contra os católicos romanos. Entendo que a igreja protestante é mais anticatólica do que antiespírita, quando deveria ser diferente, porque o espiritismo encontra-se muito mais distante do evangelho do que o catolicismo. Por essa razão, consigo enxergar, além das coisas que realmente assustam, coisas que animam, como, por exemplo, o mais ou menos recente incentivo à leitura da Bíblia. Enviamos graciosamente milhares de exemplares da revista a bispos e paróquias católicos romanos e a padres que não mais exercem o sacerdócio por terem se casado. Nosso único propósito é exercer uma influência cristocêntrica. A maior parte dos leitores não sabe que eu passei muito aperto com os padres quando vim para Viçosa (MG), na década de 60. Na época, o catolicismo praticado por eles era acentuadamente tridentino e faziam muitas coisas próprias para impedir a presença protestante. Naqueles primórdios, eu era o único pastor evangélico residente na cidade.

IAP em Ação - O que o senhor conhece sobre a Igreja Adventista da Promessa?

EC - Gostaria de conhecer mais sobre a Igreja Adventista da Promessa. O pouco que sei me entusiasma muito. Entendo que vocês valorizam mais a graça do que a lei, mais a fé salvadora do que as obras meritórias.

IAP em Ação - Sua visão sobre a igreja evangélica no Brasil é otimista ou pessimista? Por quê?

EC - Mesmo diante de tantos escândalos, tantas divisões, tantas distorções, sou otimista e não pessimista. Jesus declarou que as portas do inferno não se mostrarão mais fortes do que a sua igreja. A história ensina que a situação não é pior hoje do que foi ontem. Apenas o que está sendo construído sobre a areia vai desabar, mais cedo ou mais tarde.

Por Lilian Mendes

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