"Aprendi a orar por quem me odeia", diz cristão condenado a 15 anos de prisão no Irã

Amin Afshar-Naderi foi condenado a 15 anos de prisão por adorar a Deus em cultos domésticos e por "blasfemar" contra os muçulmanos.

fonte: Guiame, com informações do Christian Today

Atualizado: Quarta-feira, 12 Julho de 2017 as 10:28

Amin Afshar-Naderi escreveu uma carta onde ele questiona porque tanto ódio contra os cristãos. (Foto: Reprodução).
Amin Afshar-Naderi escreveu uma carta onde ele questiona porque tanto ódio contra os cristãos. (Foto: Reprodução).

Uma carta emocionante foi divulgada na internet. O cristão Amin Afshar-Naderi, condenado a 15 anos de prisão por adorar a Deus e “blasfemar” contra os muçulmanos, escreveu palavras que com certeza não foram fáceis. “O que eu fiz contra você? E por qual motivo você me odeia tanto? Aprendi na Bíblia a amar meus inimigos e orar por aqueles que me odeiam. Mas o que você realmente aprendeu?”

Amin, convertido ao cristianismo, afirma no registro que entrou em greve de fome na prisão de Evin, Irã. Ele decidiu isso depois de ter sido condenado, na semana passada, a passar 15 anos preso, após sofrer insultos contra sua fé cristã, de acordo com o site Mohabat News.

Ele foi um dos quatro cristãos sentenciados na semana passada. Kaviyan Fallah-Mohammadi e Hadi Asgari que haviam se convertido e seu pastor Victor Bet-Tamraz, que também foi preso.

Os outros três presos receberam 10 anos, mas Afshar-Naderi recebeu 15 porque sua sentença incluiu um crime adicional de “blasfêmia”. Dois deles foram resgatados. Asgari e Afshari-Naderi estavam na prisão desde agosto do ano passado e ambos foram acusados ​​de violar a segurança nacional realizando cultos domésticos e promovendo o cristianismo.

Insultos

Em sua carta, conforme relatado, Afshar-Naderi diz: "Aprendi a não falar uma linguagem abusiva. O que você aprendeu? Você estava usando linguagem rude durante o interrogatório, você se divertiu com minha crença e atacou minha religião. Nunca insultei vocês, não porque eu não pudesse, mas no fundo eu sempre orei pela saúde de vocês”, disse se referindo aos muçulmanos.

"Você escreveu um relatório cheio de mentiras, afirmando que eu estava insultando suas crenças religiosas! Você mesmo forçou os presos a assinar a confissão! Eu apenas assisti e orei por você. Já faz um ano que tenho tolerado todos esses insultos dos guardas da prisão e de todos vocês. Eu não fiz nada de errado e estou sendo privado de necessidades básicas”, comentou na carta.

“No entanto, sempre orei por você. Você não só deixou de cumprir com as suas promessas feitas no tribunal, em frente ao pastor, minha família e todas as pessoas presentes. Você me odiou cada vez mais todos esses dias e, finalmente me escondeu dos embaixadores dos países”, ressaltou.

Justiça, moral e lei

“Não tenho palavras. Faça o que quiser, como fez até agora, mas isso não está de acordo com a justiça, a moral e a lei. Há uma pergunta em minha mente, se somos realmente o que você diz e nós insultamos suas crenças religiosas e se o seu processo judicial, desde o momento da prisão até o interrogatório e as sessões judiciais eram legais, então por que você está nos escondendo das pessoas?”, questiona.

“Está tudo bem. Eu me rendo a sua decisão cruel e eu decidi terminar minha vida devagar e é por isso que estou em greve fome. Eu prometo que isso não vai lhe custar nada. Eu até nego receber qualquer medicamento. Espero que você fique um pouco melhor ao ver minha morte e meu sofrimento”, finalizou.

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