Débora Diniz que excesso de programas evangélicos na televisão representa uma ameaça à liberdade de credo

Antropóloga crítica excesso de pastores na televisão

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 às 09:15

Um levantamento feito em meados de 2011 pela Folha.com mostrou que as igrejas estavam ocupando 140 horas por semana dos canais de TVs de sinal aberto.  Recentemente, essa carga horária aumentou com a compra pela Igreja da Graça de Deus, do missionário R.R. Soares, do espaço no horário nobre da Rede TV! por mais de R$ 6 milhões mensais. A denominação já detém o horário nobre da Band.

Para a antropológa Débora Diniz, essa expansão representa uma ameaça à liberdade de credo e à de expressão. Autora do livro “Laicidade e Ensino Religioso no Brasil” ela afirma ainda que a hegemonia nos meios eletrônicos da pregação evangélica tem propagado ideias conservadoras, fortalecendo, em decorrência, a intolerância religiosa. 

“Existe um favorecimento ao cristianismo, que oprime e impede que as minorias religiosas e as organizações não religiosas dedicadas à difusão de uma cultura de tolerância ocupem espaços e tenham voz”, disse a antropóloga ao iG. 

Débora acredita Diniz que o uso da TV deveria ser mais democrático porque se trata de um serviço de concessão pública concedido pelo Estado laico. Mas o que ocorre na prática, disse, é que alguns grupos de comunicação estão ganhando muito dinheiro com a venda de horários a igrejas milionárias. Além disso, algumas organizações religiosas acabam tendo os seus próprios canais de TV. 


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