"Defendo o Estado laico, mas não o Estado ateu", diz Roberto de Lucena sobre menção a Deus nas cédulas de real

Roberto de Lucena: "Defendo o Estado laico, mas não o Estado ateu"

Atualizado: Quarta-feira, 21 Novembro de 2012 as 2:14

 

O deputado federal Roberto de Lucena (PV) discursou no plenário da Câmara sobre o pedido de retirada da frase 'Deus seja louvado' das cédulas de real.
 
Lucena, que também é pastor da Igreja O Brasil Para Cristo, defende o Estado laico, mas não o Estado ateu, como ele mesmo diz em seu pronunciamento.
 
Confira abaixo alguns trechos do pronunciamento do deputado federal:
 
 
"O procurador Jefferson Aparecido Dias, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal de São Paulo, entrou com uma ação na segunda-feira, dia 12, em que pede que as novas cédulas de real passem a ser impressas sem a expressão “Deus seja louvado”, por entender que a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado e da liberdade religiosa.
 
A  frase “Deus seja louvado” foi inclusa na cédula da moeda brasileira em 1986, quando na Presidência  da República estava o Senador José Sarney — hoje Presidente do Senado. E, quando nesta semana indagado acerca dessa ação, o mesmo reagiu inconformado dizendo: “É uma falta do que fazer do Ministério Público”. Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, povo brasileiro, assomo a esta tribuna para lamentar essa ação, movida pelo representante do Ministério Público paulista.
 
Eu lamento!
 
Reconheço a laicidade do Estado, estabelecida pela nossa Constituição.
 
Aliás, defendo a laicidade do Estado.
 
Em nenhum momento que tivemos Estado e religião misturando-se, confundindo-se, desde a conversão de Constantino ao Cristianismo, tivemos mais coisas a comemorar do que a lamentar. Sempre tivemos mais a lamentar do que a comemorar.
 
Defendo o Estado laico, mas não o Estado ateu. Somos um Estado laico, mas não somos um Estado ateu, nem um Estado laicista!"
 
 
"Registro, Sr. Presidente, de Odilo Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, a seguinte manifestação: Para quem não crê em Deus, ter ou não esta referência não deveria fazer diferença, e para quem crê em Deus, isso significa algo. E os que creem em Deus — disse o Arcebispo de São Paulo —, também pagam impostos e são a maior parte da população brasileira."
 
 
"Penso, Sr. Presidente, que, mais do que afetar, incomodar, produzir desconforto por uma questão religiosa e por ideologia de Estado, é pela mensagem que este símbolo promove. A mensagem que este símbolo a todos nós prega. E qual é a mensagem?
 
A mensagem é a de termos que enfrentar, em nossa consciência social e humana, o fato de que aí está o Homem mais injustiçado de todos os tempos.
 
Sim, Sr. Presidente, porque se trata de uma pessoa que foi um bom cidadão, cumpridor de seus deveres e de suas obrigações. Foi um bom filho, um bom irmão, um bom cidadão. Apenas promoveu o bem, levando uma mensagem de paz, de não violência. Ajudou os pobres e fez dos pobres a sua razão de vida, a sua missão de vida."
 
 
"Essa é uma mensagem que me parece promover desconforto a pessoas que, em nome da ideologia de Estado, têm questionado os símbolos religiosos, têm questionado agora a frase na cédula de real “Deus seja louvado!” como que numa expressão e num reconhecimento de gratidão pelas bênçãos que o nosso País tem tido, tem recebido, de apesar de todas as dificuldades que nos cercam sermos uma Nação rica, de um solo fértil, uma Nação que tem água, que tem petróleo, que tem riquezas minerais, uma Nação que desde seu princípio, desde a Carta de Caminha, tudo que se planta se colhe, tudo que planta, dá."
 
 
"Encerro as minhas palavras com a posição do Banco Central que emitiu um parecer jurídico em que diz que como na cédula não há referência a uma “religião específica” é perfeitamente lícito que a nota mantenha a expressão “Deus seja louvado!’.
 
O Estado, por não ser ateu — diz a nota do Banco Central —, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência a existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa.
 
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, muito obrigado a V.Exas.
 
Vamos reagir! Que a sociedade reaja, que esta Casa reaja, e que Deus abençoe o Brasil."
 

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