Evangélicos escancaram suas preferências e apoio a candidatos nas eleições muncipais

Caça a ‘voto evangélico’ mobiliza pleito municipal no Pará

Atualizado: Quarta-feira, 2 Maio de 2012 as 8:51

O Pará tem ficado agitado com as proximidades das eleições, igrejas pentecostais e neopentecostais escancaram suas preferências e o apoio dos evangélicos na corrida eleitorall vem sendo disputado por candidatos de todas as crenças porque, em geral, pode ser decisivo na disputa.

O processo mais sofisticado de escolha dos ungidos com o apoio da igreja ocorre entre os fiéis da Quadrangular, uma das maiores agremiações religiosas do Pará, com estimados 100 mil fiéis apenas na capital paraense. Para decidir quem apoiará, a igreja, que tem entre seus líderes o deputado estadual Martinho Carmona (PMDB), iniciou as discussões há cerca de nove meses e chegou a abrir inscrições para prévias internas.

Para Belém, foram inscritos apenas dois postulantes ao título de candidato oficial da igreja: Paulo Queiroz (PMDB) e Lourival Cunha (PTB). As 13 regiões que formam a Quadrangular na capital se dividirão no apoio aos dois que disputarão vagas para a Câmara de Vereadores de Belém. Mesmo não tendo disputa entre eles (já que havia o mínimo de dois candidatos), a Quadrangular realizou uma espécie de plebiscito em que os fiéis tiveram que dizer sim ou não aos indicados.

Ao Diário do Pará, Carmona lembra que no processo de inscrição das prévias internas da igreja, podem se inscrever, não apenas pastores, mas qualquer participante - mesmo não batizados -e até pessoas de fora da comunidade. “Mas em geral, os pastores são escolhidos porque têm uma história e mais trabalho junto à comunidade do que quem acabou de chegar”. Ele ressalta que nada impede que um membro da Quadrangular se recuse a participar das prévias e se lance candidato, apostando em outras bases de apoio. “Não haverá retaliações, nem é considerado indisciplina, mas nesse caso, ele não receberá apoio formal da igreja”.

Na centenária Assembleia de Deus, são os cerca de 1,5 mil líderes religiosos que avaliam e dão a palavra final sobre os candidatos que terão apoio dos fiéis. Para as eleições proporcionais (à Câmara de Vereadores), as fichas foram colocadas no candidato Iran Moraes (PT), que concorrerá à reeleição, e na radialista France Macedo, que vai estrear na política com a possibilidade de transformar a popularidade que conseguiu com os programas de rádio em votos.

Na Igreja Universal, há uma cisão entre o chamado grupo político e o grupo que cuida das questões religiosas propriamente ditas. “Temos quem cuida do altar e quem cuida da política”, explica o pastor Raul Batista, lembrando que o senador e atual ministro da Pesca, Marcelo Crivella, por exemplo, precisou se licenciar para assumir a função pública. A palavra final sobre candidaturas e sobre possíveis apoios são dadas, contudo pelos bispos de cada cidade. Em Belém, as autoridades da Universal não se manifestaram, mas há indicações de que o próprio Raul receberá apoio dos fiéis da Universal, além de Antônio Rocha, ambos concorrendo à reeleição.

Ter o apoio dos líderes da Universal é garantia quase certa de poder contar com os votos de milhares de fiéis da igreja que mais cresceu nos últimos anos no País, mas por enquanto, ainda não há decisão sobre o candidato à prefeitura de Belém que será o ungido. Presidente do PRB, legenda que abriga a maioria dos políticos da Universal, Raul Batista diz que o partido ainda negocia com os pré-candidatos (na última eleição eles apoiaram José Priante, do PMBD), mas ressalta que a decisão partidária pode ser diferente da tomada pelos líderes religiosos.

A novidade é que neste ano, a Assembleia de Deus passou a avaliar a possibilidade de lançar um candidato próprio à prefeitura da capital. O pastor Samuel Câmara, a maior liderança da igreja no Estado, confirma que a ideia não está descartada e diz que a decisão final deve ser anunciada em uma semana. “Podemos, não apenas apoiar um dos candidatos já postos, mas lançar um nome que seja membro da comunidade de Deus”.

 

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