George Foreman: o campeão que deixou o ringue pelo púlpito

“Você precisa aprender a lutar! Se você acredita em Deus, você tem que lutar por Ele”, diz o pastor.

fonte: Guiame, com informações do Estadão e George Foreman

Atualizado: Sexta-feira, 11 Janeiro de 2019 as 11:54

George Foreman é pastor da Igreja do Senhor Jesus Cristo, em Houston. (Foto: Divulgação/George Foreman)
George Foreman é pastor da Igreja do Senhor Jesus Cristo, em Houston. (Foto: Divulgação/George Foreman)

George Edward Foreman nasceu em 10 de janeiro de 1949 em uma família pobre da cidade de Marshall, Texas. Acaba de completar 70 anos de vida. Durante a infância, frequentemente intimidava crianças mais novas e não gostava de acordar cedo para ir à escola. Com 15 anos, Foreman brigava nas ruas da Quinta Ala de Houston e logo se tornou um assaltante. 

Sua vida começou a mudar através do Lyndon B. Johnson Job Corps, um programa desenvolvido para ajudar crianças carentes, onde fez um curso profissionalizante. Em uma viagem à Califórnia, Foreman conheceu Doc Broaddus, conselheiro do Job Corps e treinador de boxe. Foi Broaddus quem encorajou Foreman a se tornar um boxeador

Tão logo começou a treinar na academia, Foreman rapidamente estabeleceu um impressionante registro amador. O ponto culminante de sua carreira amadora no boxe veio nas Olimpíadas de 1968 na Cidade do México, onde ele ganhou uma medalha de ouro apenas após 25 lutas amadoras. Ele recebeu atenção extra quando ergueu a bandeira americana após sua vitória.

Trocando o ringue pelo púlpito 

George Foreman sofreu apenas sua segunda derrota profissional quando perdeu para Jimmy Young em uma luta de boxe em Porto Rico em 1977. E foi em seu vestiário, após a competição, que George teve uma experiência profunda com Deus que mudou sua vida para sempre.  

Apesar de George ser um dos principais candidatos para recuperar o título dos pesos pesados, ele se aposentou do boxe, aos 28 anos, para servir ao Senhor. George tornou-se um ministro ordenado e fundou a Igreja do Senhor Jesus Cristo, em 1980. 

Antes de se converter, embora Foreman tenha tido uma vida repleta de fama e fortuna, confessou que muito do que ganhou foi gasto sem Deus. Foreman diz que ninguém ficou mais surpreso de sua conversão do que ele próprio. 

Pastor firme em suas mensagens, costuma dizer no púlpito de sua igreja: “Você precisa aprender a lutar! Se você acredita em Deus, você tem que lutar por Ele”. 

História virou livro 

No livro “God in my vorner: A spiritual memoir by George Foreman” (Traduzido como “Deus no meu canto: uma memória espiritual de George Foreman”), Foreman conta sua história, onde conta sobre sua caminhada com Deus, que inclui pregações, evangelismo e abertura de uma igreja.“[No final dos anos 1970] eu estava pregando ocasionalmente na igreja, e eu adorava pregar, então eu comprei trinta minutos de rádio em uma estação de Houston e continuei pregando. [...] então quando eu fui para a cidade para fazer meu programa de rádio, não era incomum que vários amigos da minha antiga igreja me pedissem para liderar um estudo bíblico ou orar com eles.Três ou quatro de nós nos reunimos em várias casas, logo havia seis ou oito, depois dez pessoas presentes.  

Em pouco tempo, alguém perguntou: ‘George, você acha que poderíamos ter reuniões em minha casa?’ Eu acho que sim. Por que não? A igreja primitiva se reunia nas casas das pessoas. Eu acho que nós também podemos. 

Começamos a nos reunir informalmente em várias casas em Houston e, em pouco tempo, a multidão tornou-se grande demais para a maioria das casas acomodá-la. Eventualmente, compramos um pedaço de terra e um antigo prédio em ruínas no lado nordeste de Houston. Eu possuía uma grande tenda que eu pretendia usar em serviços de “evangelismo” ou “revival” ao ar livre, então colocamos a tenda no lote ao lado do prédio e realizamos cultos lá enquanto renovávamos a antiga estrutura. Eu realmente não pretendia começar uma nova igreja, mas eventualmente achamos benéfico organizar”. 

Propósito e dinheiro

Em 1980, sem dinheiro para manter o Centro da Juventude e da Comunidade que ajudava pessoas carentes locais, Foreman decidiu voltar ao ringue de onde estava afastado há 10 anos, determinado a fazer o que fosse necessário para manter o local funcionando.

Ainda forte, Foreman derrubou 23 de seus 24 adversários, entre eles o brasileiro Adilson Maguila Rodrigues, antes de perder para Evander Holyfield, por pontos, em um duelo épico.

Recuperou o cinturão, ao nocautear Michael Moorer, 18 anos mais novo, e se tornou o campeão mais velho do boxe. Lutou até 1997, aos 48 anos, e sempre teve o respeito de todos os admiradores do boxe.

Milionário, virou garoto propaganda de uma marca de grill, com a qual lucrou mais de 110 milhões de dólares. Atualmente, faz comerciais de televisão e dá palestras. “Vivo muito melhor do que mereço”, afirma.

Família e Deus

Foreman diz que o trabalho dos pais é plantar boas sementes e ser exemplo aos filhos. “No tempo de Deus, nossos filhos ficarão com sede e, se nós, como bons pais, plantarmos boas sementes, essas sementes ficarão imersas na água, irão se enraizar e produzirão fruto espiritual em nossos filhos”.  

Ele acredita que “plantamos boas sementes” acontece de duas formas: falando a verdade e modelando a verdade, vivendo uma fé autêntica diante deles. “As crianças têm um senso inato de saber quando algo ou alguém é falso, então a autenticidade é vital”.

George diz que ensinou seus filhos a viverem unidos. “Eu lhes digo: ‘Se um de nós subir, todos subiremos juntos. E, se um deles cair, todos desceremos juntos!’.

O ex-boxeador diz que sempre ouviu que a melhor coisa que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles. “Isso fala muito para nossos filhos. Se tratarmos nossas esposas com dignidade e respeito, então nossas filhas virão a esperar isso dos homens que entrarem em suas vidas. Todos os homens serão mantidos no padrão ‘papai’ e isso pode ser uma coisa boa”. 

Sobre Deus e a fé, Foreman diz que a maioria das crianças molda suas imagens e atitudes a respeito de Deus com base em seus pais. “Essa é uma responsabilidade muito alta. Se nossas personalidades são insensíveis, excessivamente críticas, irracionais ou viciantes, nossos filhos crescerão com uma imagem distorcida de Deus. Se formos seguros, amorosos, pacientes e compassivos, nossos filhos terão uma compreensão mais saudável da verdadeira natureza de Deus”.

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