Guilherme de Pádua: "As pessoas ficam torcendo para verem a minha desgraça"

"As pessoas ficam torcendo para verem a minha desgraça"

Atualizado: Quarta-feira, 13 Junho de 2012 as 11:29

Guilherme de Pádua ficou preso seis anos e nove meses por matar a atriz Daniela Perez.

O ex-ator nunca deu sua versão dos fatos e hoje é obreiro da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte.

Essa semana Guilherme deu uma entrevista ao Jornal correio da Cidade e falou sobre a mudança de vida que optou.

Sobre sua conversão e o contato com a religião, ele respondeu:

"Na verdade, eu tinha pena e preconceito dos evangélicos. Geralmente, a mídia é contrária aos cristãos evangélicos. Houve um tempo em que era pior, há cerca de 15 anos. Hoje vejo que foi um grande engano pensar assim. Os evangélicos procuram seguir os valores, que trazem resultados positivos para a vida. Sinto muito pesar por não ter conhecido antes. Quando você crê em Jesus e na Palavra de Deus, recebe grandes bênçãos por seguir essa Palavra. Estou há 13 anos na Igreja Batista, da Lagoinha (antes eu já havia me convertido). Vou aprendendo as coisas e vendo que eu não tinha nenhum conhecimento; era uma criança. É como se eu tivesse nascido de novo".

Guilherme comentou a rejeição que sofre e o que fez se isolar por muito tempo. Ele conta que já levou até cuspida no rosto e que para muita gente o problema estaria resolvido se ele morresse. Hoje ele diz que não se isola mais e tenta entender essa rejeição das pessoas.

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"Procuro tratar todos com respeito e chego aos lugares objetivamente. Evito guardar isso no meu coração. Sempre penso que se tivesse no lugar dessa pessoa, talvez eu estaria fazendo a mesma coisa; não daria chance. O ser humano em si tem uma tendência muito grande de querer pisar em quem está caído. Às vezes descarrega as frustrações que ele mesmo tem no momento em que discrimina, condena, julga ou faz uma fofoca sobre uma desgraça que acontece na vida de alguém. Eu sou foco disso, às vezes, porque as pessoas ficam torcendo para verem a minha desgraça", diz ele.

Ter saído vivo do presídio foi propósito de Deus, seguindo Guilherme, pois ele não acreditava que sairia vivo já que quando chegou ouviu muitos gritos de 'demorou'.

"Aprendi que Deus tem um propósito na vida de todas as pessoas. Ele não ama mais uma pessoa do que outra, mesmo sendo o pior pecador. Se fosse assim, Jesus não teria se doado da maneira como se doou", expõe ele, "Jesus fez questão de dizer que veio para as pessoas que necessitam de uma mudança de vida, de caráter, se arrepender e considerar que precisam ter um ‘novo nascimento’, como a Bíblia diz. A Palavra de Deus mostra que tem oportunidade sim para o pecador, para o criminoso, desde que ele mude de vida".

O entrevistado frisou que a única coisa pior do que o pecado é a falta de arrependimento, coisa que não aconteceu com ele.

"Desde o momento em que você se dá conta de que fez algo terrível, bate uma tristeza, um remorso e, imediatamente, você quer voltar no tempo e não ter feito aquilo. Mas o arrependimento, como diz o meu pastor, Márcio Valadão, é você mudar de caminho, de atitude", explica.

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O que Guilherme de Pádua diria para Glória Perez, se a encontrasse? Ele respondeu essa pergunta na entrevista:

"Nunca encontrei com ela, depois que saí da prisão. Sei que ela não querer me ver ‘nem pintado de ouro’, mas eu e muitas pessoas oramos pela vida dela. Não tenho nem ideia do que falaria. Tentaria encontrar algo para dizer, que pudesse diminuir a dor, mas essa é uma situação que só a intervenção de Deus poderia encaminhar".

"O meu sofrimento continua até hoje. Talvez se tivesse tido uma pena de morte, o meu sofrimento teria acabado", diz Guilherme, "agora, se for pensar na dor de uma mãe, na perda de uma vida, tem como pagar? Às vezes, nem se eu morresse. Mas será que a gente tem que pagar? O fato de mudar e não se envolver mais nas mesmas coisas já não seria um bom resultado?", indagou.

Guilherme de Pádua acredita que é besteira ficar falando sobre o caso o tempo todo e, por isso, não insiste no assunto.

"Quero trazer à memória as coisas que me dão esperança. As pessoas têm sede de ficar sabendo e, mesmo se eu falasse, não acreditariam. É 'chover no molhado'", completa.


com informações do Jornal Correio da Cidade

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