
O matemático e professor de Oxford cristão John Lennox alertou os cristãos de que a inteligência artificial (IA) pode fazer com que uma geração deixe de lado a leitura das Escrituras. Segundo ele, uma tecnologia criada para ajudar as pessoas pode se tornar uma “muito perigosa”.
Lennox falou sobre o assunto durante uma conversa com o também professor Wes Huff na 10ª Conferência Anual Sing!, realizada nos Estados Unidos.
Os dois discutiram o avanço da IA e os desafios que os cristãos enfrentam para continuar lendo e estudando a Bíblia em uma cultura cada vez mais conectada à tecnologia.
Segundo Lennox, a IA tem benefícios importantes, inclusive na medicina e na tradução da Bíblia. Porém, ele demonstrou preocupação com o impacto dos hábitos de leitura, principalmente entre os jovens.
“Um dos efeitos negativos é o rápido declínio da leitura, principalmente entre os jovens”, disse Lennox, acrescentando que muitos jovens se perguntam por que deveriam se dar ao trabalho de ler quando a IA pode fornecer respostas imediatas.
“Se negligenciarmos a leitura e o incentivo à leitura em crianças e jovens, isso os deixará em um estado de fome espiritual. Se a leitura diminuir, a leitura das Escrituras também diminuirá e, portanto, os cristãos não prosperarão”, acrescentou.
‘Seria uma tragédia se os crentes negligenciassem a Bíblia’
Lennox destacou que a Bíblia é essencial para que os cristãos conheçam e defendam sua fé. Por isso, afirmou que os fiéis precisam ler, estudar e meditar nas Escrituras em oração:
“Se os cristãos não lerem e meditarem nas Escrituras em oração, então, é claro, tornaremos a Igreja totalmente indefesa. Seria uma tragédia se os crentes agora negligenciassem a Bíblia por causa da IA”.
Wes Huff também alertou para o risco de a inteligência artificial se tornar um “novo intermediário” entre as pessoas e a Bíblia.
Ele comparou a situação atual com o período da Reforma, quando houve uma luta para que as Escrituras chegassem diretamente às mãos das pessoas.
Hoje, mesmo com acesso a inúmeras traduções da Bíblia, Huff afirmou estar preocupado com cristãos que preferem receber resumos feitos por IA em vez de ler e meditar na Palavra de Deus.
“Estamos confundindo os mecanismos que nos fornecem informações com a meditação, a leitura e o estudo aprofundado das Escrituras”, explicou Huff.
Ambos, porém, ressaltaram que a tecnologia não deve ser vista apenas como algo bom ou ruim.
“A IA, como todas as outras tecnologias, é como uma faca afiada. Você pode usar uma faca afiada para realizar uma cirurgia e salvar uma vida, mas também pode usá-la para matar”, destacou Lennox.
Segundo ele, uma das possibilidades positivas é o uso da inteligência artificial para traduzir Bíblias.
No entanto, Lennox alertou que uma ferramenta útil pode acabar se tornando “muito perigosa”.
“Acredito que precisamos de cristãos sérios realmente envolvidos na pesquisa em IA, para que possam aplicar seus princípios bíblicos e éticos”, disse ele.
Lennox também alertou os cristãos para que não tratassem a tecnologia como se possuíssem consciência humana. Ele enfatizou que a IA simula aspectos da inteligência humana, mas não possui as qualidades exclusivas dos que foram criados à imagem de Deus:
“A inteligência artificial não foi feita à imagem de Deus. O perigo reside no fato de ter sido feita à imagem humana, criada por humanos que têm falhas de pensamento”.
‘A verdadeira esperança’
Durante a conversa, Lennox e Huff também falaram sobre a busca dos jovens por significado, identidade, esperança, justiça e propósito.
Lennox contou que, ao longo de sua carreira, percebeu uma mudança nas perguntas feitas pelas novas gerações. Além das dúvidas sobre ciência e fé, questões existenciais ganharam cada vez mais destaque.
Segundo ele, a fé cristã responde a essas questões ao mostrar o valor e a dignidade do ser humano como alguém criado por Deus.
Questionado sobre como os cristãos podem conversar sobre a fé em uma sociedade cada vez mais cética e distraída, Lennox aconselhou os cristãos a serem bons ouvintes.
“Eu recomendaria o que tenho tentado fazer a vida toda, que é interagir com as pessoas fazendo perguntas e ouvindo-as, descobrindo de onde elas vêm, quais são suas reais preocupações. Seja honesto se você não souber as respostas. Simplesmente diga: ‘Não sei, mas vou pesquisar’”, explicou ele.
“Precisamos pensar não apenas no futuro da IA e da tecnologia. Precisamos pensar no futuro definitivo e na promessa central da fé cristã que Jesus fez naquele dia aos seus discípulos: Ele voltará”, acrescentou.
Por fim, ao refletir na orientação do apóstolo Paulo aos tessalonicenses sobre se converter “a Deus, deixando os ídolos”, Lennox alertou que os ídolos modernos também podem incluir sistemas de IA, que “preenchem sua vida e controlam sua mente”.
“A promessa maravilhosa é que Jesus voltará. Essa é a verdadeira esperança. Portanto, pessoal, não nos envergonhemos disso”, concluiu.
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