Marina Silva anuncia neutralidade do PV no segundo turno

Marina Silva anuncia neutralidade do PV no segundo turno

Atualizado: Segunda-feira, 18 Outubro de 2010 as 8:59

A terceira colocada na eleição presidencial, Marina Silva (PV), oficializou na tarde de ontem a opção pela neutralidade no segundo turno. Em votação simbólica, a senadora referendou a posição para a nova etapa da corrida presidencial. Dos cerca de 170 votantes, apenas quatro declararam apoio a Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB). Mesmo Fernando Gabeira, o candidato derrotado ao governo do Rio que contou com o apoio do tucano no primeiro turno, preferiu a independência do partido.

Individualmente, os filiados serão liberados para aderir às campanhas da petista ou do tucano. É o que Gabeira faz ao endossar a candidatura de Serra. “O fato de não ter optado por um alinhamento neste momento não significa neutralidade quanto aos rumos desta campanha”, disse Marina.

Em carta aberta a ser encaminhada aos presidenciáveis, a ex-candidata do PV à Presidência da República fez duras críticas aos partidos de seus ex-adversários, aos quais chamou de “fiadores do conservadorismo”. Na plenária, Marina lamentou a disputa do “poder pelo poder”, o tom agressivo das discussões na eleição e a dificuldade dos candidatos em debaterem temas novos, numa clara referência à questão do desenvolvimento sustentável.

Marina começou seu discurso agradecendo seus ex-adversários por procurar seu apoio, mas lamentou que as candidaturas não tenham se posicionado com clareza sobre as dez propostas encaminhadas pelo PV, entre elas a proposta do novo Código Florestal, a reforma política e a construção de novas usinas nucleares. Mais adiante, a senadora criticou a dualidade da política brasileira na história republicana, o histórico confronto entre duas forças opostas e o pragmatismo da “velha política”. “Republicanos versus Monarquistas, UDN versus PSD, MDB versus Arena e agora, ironicamente, PT versus PSDB”, comparou.

"Dois partidos nascidos para afirmar a diversidade da sociedade brasileira se deixaram capturar pela lógica do embate entre si até as últimas consequências", lamentou. Segundo Marina, os dois partidos pregam a "mútua aniquilação" na disputa entre Dilma e Serra.

Na carta, Marina avalia que os quase 20 milhões de votos obtidos pelo PV no primeiro turno representa um "recado político relevante" a favor da superação do velho modelo. "Entendam-os como a expressão de um desejo enraizado no povo brasileiro de sair do enquadramento fatalista que lhes reserva de escolher outros valores e outros conteúdos para o desenvolvimento nacional", disse.

Ao mencionar o voto dos evangélicos em sua candidatura, a senadora afirmou que seus ex-adversários fazem uma leitura errônea do eleitorado cristão. "Aqueles com quem compartilho os valores da fé, vão além da identidade espiritual. Sabem que votaram numa proposta fundada na diversidade, com valores capazes de respeitar os diferentes credos", alfinetou.

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