Médicos cristãos afirmam que podem curar tendência gay com homeopatia

Médicos cristãos afirmam que podem curar tendência gay com homeopatia

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 3:26

Uma associação de médicos católicos da Alemanha acredita que pode curar a orientação sexual de gays e lésbicas através do que está sendo chamado de “homo homeopatia”.

A Federação de Gays e Lésbicas na Alemanha (LSVD) está indignada, informou esta semana a revista online Telepolis. O motivo é que o Sindicato dos Médicos Católicos (UCP) está oferecendo em seu site “Terapias Alternativas para Homossexualismo”, que na realidade é apenas homeopatia. A LSVD, organização que defende os direitos da comunidade LGTB, classificou a atitude de “insulto” e “atrevimento”, que demostram “uma falta de respeito para com os homossexuais e bissexuais.” Lembram ainda que a Organização mundial de Saúde desde 1993 não classifica mais a homossexualidade como doença.

A associação médica e religiosa , que se autodenomina “a voz da comunidade médica alemã”, afirma em seu site que, embora “a homossexualidade não seja uma doença”, uma série de tratamentos estão disponíveis para controlar essa “inclinação”. Entre as possibilidades inclui-se “os tratamentos homeopáticos… com diluições, por exemplo, da chamada platina”, a “psicoterapia”, e o “aconselhamento espiritual”.

“Conhecemos um certo número de pessoas com sentimentos homossexuais que sofrem muitos e passam por uma estado de emergência espiritual e psicológica”, declarou o líder da associação médica Gero Winkelmann. “Se alguém está infeliz, doente ou sente que precisa de socorro, precisam ter a oportunidade encontrar opções de ajudar como nós.”

Winkelmann dirige uma clínica privada, com ênfase em homeopatia, na cidade de Unterhaching. Ele também explica que base científica dos tratamentos oferecidos pela UCP, inclui “literatura médico-psicoterápica, filosófica e teológica”, “pontos de vista minoritários de psicoterapeutas”, os “ensinamentos da Igreja Católica, as Sagradas Escrituras”, e os textos de Samuel Hahnemann [médico alemão considerado o pai da homeopatia moderna].

A porta-voz do LSVD Renate Rampf, rebate, afirmando: “Essas ofertas são perigosas… Eles usam as inseguranças de jovens homo ou bissexuais e seus pais… Tais ações terapêuticas são ‘risíveis e problemáticas’ porque podem ser desestabilizadoras… Todos os especialistas sérios concordam que a orientação sexual já é evidente na primeira infância”, acrescentou.

Winkelmann defende os tratamentos alternativos, dizendo que as intenções da organização não são para “ferir ou pressionar ninguém”, mas para oferecer uma “posição e opinião médica” para os interessados.

O site da UCP inclui o depoimento de um homem gay morador do sul da Alemanha que afirma ter se alegrado ao descobrir que a organização acredita ser possível “a mudança nas tendências homossexuais” e que encontrar um terapeuta para ajudá-lo nesse sentido foi difícil. “Infelizmente, a opinião generalizada dos psicoterapeutas é que a homossexualidade é inerente e inalterável”, escreve ele.

Mesmo que a UCP afirme não representar as políticas oficiais dos católicos, a Igreja Católica Alemã continua a lidar duramente em sua abordagem à homossexualidade, afastando sacerdotes que se assumem publicamente. Já os protestantes da Alemanha tendem a mostrar uma atitude mais liberal, inclusive ordenando sacerdotodes gays, embora a ala mais conservadora continua fazendo oposição às políticas pró-gay.

Em 2009, cerca de 30 pastores do estado de Renânia, escreveram uma carta aberta para condenar as declarações feitas por Alfred Buss, presidente da igreja do estado [luterana]. “A prática do homossexualismo não é consistente com a criação de Deus… Aqueles que desprezam a cura pela terapias estão negando uma opção de tratamento para as pessoas “que sofrem de sentimentos homossexuais”, encerra a carta.

Por Agência Pavanews, com informações de Der Spiegel e The Local

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