A morte de Champignon e o prazer de alguns evangélicos no inferno

A morte de Champignon e o prazer de alguns evangélicos no inferno

Atualizado: Sexta-feira, 4 Outubro de 2013 as 7

infernoA morte do Champignon, músico do Charlie Brown Junior  despertou em alguns dos chamados evangélicos um prazer mórbido pelo inferno. Há pouco vi no BLOG do Pavarine o Print Screen com algumas opiniões sobre a morte do músico brasileiro. 
 
Confesso que uma das "falas" muito me assustou. Um cristão disse: "Foi se encontrar com Chorão no inferno. Mais um que viveu a vida sem exaltar e glorificar o nome do Senhor Jesus Cristo."
 
Caro leitor, por favor me responda sinceramente como é que pode crentes em Jesus falar do Inferno com tanta naturalidade, sem contudo derramar uma lágrima sequer? Confesso que fico estarrecido com  o sarcasmo de alguns, bem como a frieza de outros, que aparentemente estão felizes com o falecimento de Champignon,
 
À luz disso, foi-me impossível não lembrar de Jonathan Edwards que ao tratar sobre o inferno disse:
 
"Se nós que cuidamos das almas soubéssemos como é o inferno e conhecêssemos a situação dos condenados à perdição, ou se por algum outro meio nos tornássemos conscientes de quão pavorosa é a condição deles; se ao mesmo tempo soubéssemos que a maioria dos homens foi para lá e víssemos que nossos ouvintes não se dão conta do perigo – nestas circunstâncias, seria moralmente impossível que evitássemos mostrar-lhes com muita seriedade a terrível natureza de tal desgraça e como estão extremamente ameaçados por ele. Nós até mesmo lhe clamaríamos em alta voz.
 
Quando os ministros pregam friamente sobre o inferno, advertindo os pecadores de que o devem evitar, por mais que suas palavras digam que é infinitamente terrível, eles acabam se contradizendo; pois à semelhança das palavras, as ações também têm sua própria linguagem. Se o sermão de um pregador ilustra a situação do pecador como imensamente pavorosa, enquanto seu comportamento e sua maneira de falar contradizem isso – mostrando que ele não pensa assim – tal ministro vai contra seu objetivo, porque neste caso a linguagem das ações é muito mais eficaz do que o significado puro e simples de suas palavras. Não que eu credite que devemos pregar somente a Lei; acontece que ministros talvez preguem suficientemente outras coisas. O evangelho deve ser proclamado tanto quanto a Lei e esta deve ser pregada apenas para preparar o caminho para o evangelho, a fim de que ele possa ser proclamado de modo mais eficaz. A principal tarefa dos ministros é pregar o evangelho: "Porque o fim da Lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê" (Rm 10.4). Portanto, um pregador ficaria muito além da verdade se insistisse demais nos terrores da Lei, esquecendo seu Senhor e negligenciando a proclamação do evangelho. Mesmo assim, porém, a Lei realmente deve ser enfatizada, e sem isso a pregação do evangelho talvez seja em vão.
 
Certamente, é belo falar com seriedade e emoção, conforme convém à natureza e importância do assunto. Não nego que possa existir um pouco de impetuosidade imprópria, diferente daquilo que, pela lógica, decorreria da natureza do tema, fazendo com que forma e conteúdo não estejam de acordo. Alguns dizem que é ilógico usar o medo a fim de afugentar as pessoas para o céu. Contudo, acho que faz parte da lógica o esforço para afugentar as pessoas do inferno em cujas margens elas se encontram, prontas para cair dentro dele a qualquer momento, mas sem se dar conta do perigo. Não seria justo afugentar alguém para fora de uma casa em chamas? O medo justificável, para o qual há uma boa razão, certamente não deve ser criticado como se fosse algo ilógico."
 
Caro leitor, os que falam do inferno sem lágrimas nos olhos e com frieza na alma apontam para o fato de que não entenderam a mensagem do Evangelho. 
 
Ouso afirmar que se entendêssemos de toda nossa alma o que significa o inferno não seríamos tão maldosos em nossos comentários, antes pelo contrário, choraríamos diante do Eterno, simplesmente pelo fato de sabermos que uma alma se perdeu.
 
Com tristeza no coração!
 
 
- Renato Vargens
 

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