Os Santos da Minha Época

Os Santos da Minha Época

Atualizado: Terça-feira, 25 Janeiro de 2011 as 4:59

A dmiro Beda, o venerável, inglês de boa memória que fez história entre 672 e 735  a.D. São Beda distinguiu-se não só pela espiritualidade mas também pela erudição em um tempo de poucas letras quando a Europa encontrava-se invadida por hordes bárbaras após a queda de Roma (476 a.D.). Como uma tocha acesa na escuridão espiritual e intelectual da idade chamada das trevas surge Beda. Só para começar o próprio nome, "beda", do saxônico, significa "oração". Uma frase dele foi suficiente para me cativar. “Vivi  bastante, – disse ao aproximar-se da morte – e Deus tem disposto bem da minha vida.”

A frase chama a atenção num tempo em que a fé precisa de reflexão. Os santos da minha época não vão à igreja para servir a Deus, mas antes para servir-se Dele. Movidos por ambição de sucesso e projeção e munidos da convicção de que Deus deve satisfazer-lhes os desejos, não hesitam em apresentar ao Altíssimo suas demandas e “direitos”. Quando a sorte lhes acena, correm deslumbrados para as luzes, travestidos de risível deslumbramento e afetada importância.

B eda, quando convidado pelo papa Gregório II para mudar-se para Roma, não se permitiu seduzir pelo sorriso traiçoeiro da fama e suplicou ao sumo pontífice que lhe permitisse permanecer na simplicidade de seu mosteiro em Jarrow. Essa atitude de santos de verdade é ilustrada, entre outros, na vida de Ildefonso (606-667 a.D.), que tendo sido escolhido pelo clero e demais fiéis para assumir o bispado de Toledo, Espanha, escondeu-se tendo que ser conduzido sob escolta para a consagração episcopal.

E nquanto alguns maquinam e até conspiram para aparecer e capitalizar seus minutos de fama ao lado de pessoas de prestígio, outros se esforçam na direção contrária. Ildefonso como Beda, não cairam no flerte com a vaidade pelos cargos e posições de enganosa famosidade. Não precisavam disso. Teriam aprendido essa desastrosa tecnica de marketing pessoal com Jesus que geralmente insistia com as pessoas que não espalhassem o milagre nelas operado por intermédio dele?

O s santos da minha época são diferentes... Amam as oportunidades de aparecer, de projetar seus egos inflados e mostrar quão importantes são... É óbvio que há excessões, mas essas tais são raras. Os santos da minha época amam os primeiros lugares na sinagoga, disputam posição e atenção, e não hesitam em puxar o tapete de quem ameaça seu projetinho de poder. É claro que há excessões, mas repito, são raríssimas... Os santos que fazem sucesso na minha época são estrelas e empresários bem sucedidos. Falam bonito, e ainda que rasos em erudição, são capazes de eletrizar audiências inteiras com discursos inflamados, mas sem quebrantamento, pois os santos da minha época não sabem o que é isso... É uma geração de olhos secos. Sinto-me estranho e deslocado nesse tempo; Acho que nasci na época errada!

Luiz C. Leite   é pastor, psicanalista, administrador de empresas, conferencista e escritor. Autor de "O poder do foco", editora Memorial; e "A inteligência do Evangelho", editora Naós; além de vários títulos por publicar.

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