“Ouvi a voz do Espírito Santo falar comigo dentro da balada gay”, diz ex-lésbica

Há 6 anos Graziele Galvão teve um ‘Encontro com Deus’ que transformou por completo sua vida.

fonte: Guiame, Adriana Bernardo

Atualizado: Segunda-feira, 24 Maio de 2021 as 11:59

Graziele Galvão teve sua vida transformada por Jesus. (Foto: Arquivo pessoal)
Graziele Galvão teve sua vida transformada por Jesus. (Foto: Arquivo pessoal)

Em entrevista exclusiva ao Guiame, Graziele Galvão conta seu testemunho de transformação de vida ao ter um 'encontro com Deus' em evento realizado por uma igreja evangélica em Bragança Paulista, interior de São Paulo.

Ela diz que antes de conhecer o amor e a compaixão de Jesus, viveu 10 anos na homossexualidade por acreditar que tinha nascido homem em corpo de mulher. “Antes de assumir essa identidade de gênero, acreditava que eu tinha nascido no ‘corpo errado’”, diz.

Ela conta que quando criança, com 5 anos, tinha comportamento masculino e desejos por meninas. “Por não aceitar ser uma mulher, desejava ser um homem, para entender melhor a construção da ‘homossexualidade’, eu me perguntava por que eu sentia esses desejos, como foi construído em mim ou se era realmente genético”, explica.

Hoje com 33 anos, Grazi, como é chamada, disse que para compreender sua história precisou estudar os seus comportamentos e herança da minha família. “Eu nasci uma família disfuncional, houve muito abuso sexual em casa, meu Pai abusava da minha irmã na minha frente eu tinha 5 anos de idade. Fui crescendo nesse lar abusivo, isso foi mexendo com meu emocional e minha identidade, não acreditava que existia pai bom e ‘homens bons’. Meu pai bebia e ameaçava minha mãe se ela contasse para alguém sobre os abusos”, revela.

Grazi diz que a situação fez com que ela sentisse cada vez mais raiva de seu pai. “Eu falava para mim mesma que quando crescesse, me transformaria em um homem para cuidar do meu lar", diz. Por não ter referência de homem bom, isso foi criando dentro de si uma ‘nova identidade’, ela diz.

“Eu pensava não é bom ser mulher. Aos 8 anos de idade eu estava jogando bola na rua, um colega de futebol abusou de mim, isso trouxe raiva daquela situação de abuso e medo de contar para alguém, por ter abusos dentro de casa", lembra.

Passando por grandes conflitos e situações traumáticas, o que Grazi menos queria era levar mais dor para sua mãe. “Eu enxergava o sofrimento que minha mãe e minhas irmãs passavam. O tempo passou e aqueles traumas tinham ficado gravado na minha memória. Nunca contei para ninguém as coisas que aconteciam dentro de casa, tinha medo e me sentia envergonhada pela situação”, relata.

Ela diz que também descobriu que sua mãe tinha sofrido abuso sexual na sua infância, e sofreu quatro abortos. “Na época desse acontecimento, ela tinha contado para o meu avô, mas ele não acreditou no que ela disse, e acabou expulsando-a de casa aos 12 anos”, diz. A mãe de Grazi tinha sido abusada pelo filho do patrão e também ficou com medo de contar para alguém.

Nessa época, ela conheceu o pai de Grazi e pensava que as coisas seriam diferentes. “O que ela não sabia é que meu pai e a família dela já tinham essa maldição, como incesto na família. Meu pai chegou a abusar de muita gente. Sofremos muito na minha infância, por conta dessa situação, que trouxe muito ódio no meu coração e meus irmãos. Fui pegando nojo e raiva de homens, por causa dos traumas”, explica.

Homossexualidade

Os fatos vivenciados por Grazi fizeram com que ela começasse a pensar que se casasse com mulher tudo seria diferente. “Minha mente começou a construir uma identidade masculina, andava igual homem e aos 16 anos entrei na prática homoafetidade”, relata.

Aos 20 anos, ela conta que começou a tomar hormônio, pois desejava ser igual homem, ter barba. “Comecei a treinar e me tornei ‘maromba’ na época. Quem olhava para mim nunca imaginava que embaixo do meu sorriso e da nova identidade existiam dores do passado”, diz.

Grazi acreditava que quanto mais se tornasse masculino mais seria completa, e começou a criar bloqueios sobre seu passado. “Não perdoava meu pai, odiava comemoração do Dia dos Pais, que para mim era a pior data. O rancor estava me matando, sonhava com meu pai, que ele estava abusando na minha irmã na minha frente, e eu estava matando-o no sonho, esse tipo de pesadelo era constante”, relata.

Aparentemente, Grazi se mostrava bem. Aparecia feliz e bem nas redes sociais, mas no fundo ela conta que se enganava e que precisava de ajuda para sair daqueles conflitos.

Tristeza profunda

Ao se converter, a mãe de Grazi teve uma “experiência muito forte com Deus. Ele curou suas feridas emocionais. Meu pai até começou a ir à igreja com ela, mas ele não quis saber de mudança e continuava na pornografia, até que eles separaram. Ele acabou se envolvendo com uma prostituta. Na época ele estava com trombose, quando saiu para se prostituir acabou tendo um infarto e morreu na hora”.

A situação foi mais um trauma para Grazi: “Quando isso aconteceu mexeu muito comigo, minha mente começou ter conflitos, não sabia mais o que pensar, tinha perdido a esperança de acreditar em um pai bom, ele morreu sem ver os filhos. A palavra diz que ‘o salário do pecado é morte’, ele tinha escolhido o caminho obscuro. Mesmo com sua morte, ainda sentia raiva do que ele tinha feito com minha família e, ao mesmo tempo, eu desejava no fundo do meu coração ter um pai, porque toda criança sonha com um pai bom".

O tempo foi passando e Grazi começou sentir depressão. Ela diz que estava infeliz, tinha esquecido seu passado, já não se lembrava mais de sua infância. “Fui construindo minha vida, deixando as marcas de sofrimento para atrás. Mesmo tendo chegado no corpo que eu sonhei, minha alma estava em profunda tristeza, não encontrava mais motivo para sorrir. Tentava esconder minha dor malhando, focava nós treinos, vivia comprando roupas, correndo atrás de curtidas em rede social, comecei a usar drogas para fugir dos conflitos que estavam dentro de mim. E nada resolvia ou curava a minha dor”.

Ela diz que se esforçou para manter uma "felicidade", mas o vazio aumentava cada vez mais. “Não tinha paz no coração. Tudo foi perdendo as cores, olhava para os ‘amigos’, eles pareciam felizes na homossexualidade e eu infeliz. Pensava: acho que não tem mais felicidade para mim. Comecei a ter relação com mulheres, havia muita traição de ambos os lados, eu não respeitava e tinha medo de amar alguém. Então era muito infiel, mentia para me sair bem na situação. Até que chega uma hora que você se cansa e quer entender por que tanta desgraça”, relatou.

Ela diz que sua família estava desmoronando, os seus irmãos tinham se envolvido com drogas e foram presos. Sua mãe sofreu muito no casamento e com seus filhos, “mas era uma mulher cheia de fé e esperança, acreditava na mudança da nossa família”.

‘Ouvi a voz do Espírito Santo’

A história de Grazi começaria a mudar pela perseverança de sua mãe, única convertida da casa. “Minha mãe começou a orar por mim e pelos meus irmãos, e Deus teve misericórdia de nós. Quando estava na ‘balada gay’, bêbada e drogada, comecei a brigar com uma ex, nessa briga começou a surgir todo o meu passado na minha mente e pensava em toda situação que estava vivendo”, conta.

Foi nesse momento que Grazi diz ter ouvido Deus falar com ela. “Eu ouvi a voz do Espírito Santo de Deus falando comigo dentro da balada gay. Ele dizia que Jesus me amava, que Deus não tinha me criado daquele jeito. Que Deus queria mudar minha vida”.

Ela relara que foi uma voz mansa, que tomou conta do seu coração. “Eu tentava procurar a voz na balada e percebi que só eu que a estava ouvindo. Então pedi para Deus que tirasse aquela dor do meu coração. No dia seguinte, uma amiga foi em casa falar de Jesus para mim, minha mãe já estava orando por mim e pela minha família. Minha amiga fez um convite para eu ir ao ‘Encontro com Deus’. Era um evento da igreja que ela frequentava”, lembra.

Grazi ministrando na igreja. (Foto: Arquivo pessoal)

Ela conta que acabou aceitando o convite com uma condição: que Deus revelasse porque sua vida e família precisaram passar por aquela situação. “Nesse evento tive uma experiência com Jesus, Ele estava me mostrando a cura das feridas, meu futuro sendo transformado e toda minha casa sendo salva”, lembra.

Grazi diz que Deus mostrava a ela que estava curando toda aquela dor e sofrimento: “Eu saí impactada pela experiência com Espírito Santo. Fui cheia do Espírito Santo de Deus, e muita revelação começou a vir na minha mente”.

Ela conta que não tinha ninguém por perto para lhe dizer o que estava acontecendo, porque os convidados tinham fica orando em outro ambiente. “E eu senti a mão de Deus vindo sobre mim. Eu tive visão aberta. Eu saí do evento, com a certeza de que vi Jesus naquele lugar, Ele me segurava, eu o vi me tirando dos cativeiros onde eu estava. E a dor tinha ido embora, assim como os desejos que eu sentia por mulher e o ódio de homens. Deus tocou nessas áreas da minha vida”, relata.

Nova vida

Grazi diz que quando saiu do evento, foi em busca de uma nova vida. “Comecei ir à igreja, comecei estudar sobre homossexualidade, fui para seminários. E comecei buscar nas Escrituras experiências com Deus, passei a compreender mais sobre a homossexualidade, comportamentos e heranças de família”, diz.

“Passei por um processo de desconstrução masculina dentro de mim, comecei a orar pedindo para Deus colocar desejo em mim de voltar a ser mulher. Pedi a Deus que me ajudasse a perdoar meu pai, e eu perdoei tudo que ele fez. Deus me ajudou a ter força para perdoar. Hoje não sinto raiva dele e nem mais traumas. Deus me curou”, testemunha.

Grazi conta que nesse tempo teve de aprender novos hábitos e abandonar a mente masculina para ter uma mente feminina.

Ela conta que adquirir os novos comportamentos foi difícil no início. “Foram muitas lutas, passei pelo processo de paciência, esperando em Deus. Para cada situação de provação, Deus me dava discernimento sobre como vencer as guerras dentro de mim. Tudo era novo para mim, Deus tinha levantado um casal de pastores e amigos cristãos para me ajudar nessa caminhada”, diz.

Ela diz que começou também a renunciar as suas redes sociais, roupas, pensamentos pecaminosos, passando a ter novos hábitos, vida disciplinada, estudo da palavra e andar sobre a verdade.

Sobre homossexualidade, Grazi diz acreditar que é comportamento, adquirido pela forma como a criança está sendo criada. “Cada situação precisa ser estudada sem julgamento e sim com amor e misericórdia. Jesus teve paciência comigo, isso explica minha história. No meu caso, ter nascido em uma família disfuncional cheia de conflitos, agressões e abuso sexual foi a ponte que trouxe bloqueios sobre homens”, explica

Grazi diz que sua fé em querer uma resposta trouxe a verdade sobre os desejos que tinha. “A decisão de deixar a homossexualidade me fez enxergar o ponto. Existe muita gente também que deseja deixar os desejos da homoafetividade e não sabe como. Eu acredito que é pela fé. É deixa Deus mostrar as raízes de quando começaram esses desejos, pois só Deus sabe o desejo do coração do homem”.

Processos de restauração

Faz 6 anos que Grazi deixou a homossexualidade e conta que não sente mais desejos por mulher. “Foram processos de restauração, determinação sobre aquilo que você deseja. Eu encontrei em Jesus tudo o que precisava, ele também restaurou a área da paternidade, hoje eu consigo ver Deus como Pai bom e amoroso”, diz.

Grazi diz que a igreja precisa estar preparada para receber os homossexuais. “Muitos deles sofrem, têm medo de contar seus conflitos por causa dos julgamentos. Eu levei 3 anos dentro da igreja ainda com conflitos. Jesus teve paciência comigo, eu quis deixar a prática”, diz ela, citando Romanos 8:28: “E sabemos que Deus faz com que todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito”. 

“Existe propósito para cada um: conhecer a verdade andar sobre ela. Tudo o que eu passei, os sofrimentos, lembras de cada trauma e deixar Deus curar cada um deles, digo que cooperou para o meu bem e para eu poder ajudar o próximo”, explica.

Grazi diz que cooperou também para sua família. “A decisão de deixar Deus restaurar fez com que meus irmãos também experimentassem esse amor de Jesus, eles foram curados e suas vidas foram transformadas por Jesus.  Quando você decide mudar sua vida, também traz restauração para sua casa”, afirma.

Ela diz que a igreja precisa estar preparada para cada situação, estudar, fazer seminários sobre sexualidade. Grazi diz que em cada homossexual existe uma história: “Para você compreender essa história e ajudá-lo, é preciso sentar para ouvir e acolhê-lo, amar essa pessoa, orar para que Jesus revele a ele sua identidade, pois o amor cura multidão de pecados”.

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