Pessoas com depressão não deveriam estar na liderança da igreja, diz pastor

O pastor Dale Partridge, amigo do falecido pastor Jarrid Wilson, que cometeu suicídio na última semana, acredita que alguns líderes precisam parar e serem curados.

fonte: Guiame, com informações do Christian Post

Atualizado: Quinta-feira, 19 Setembro de 2019 as 1:24

O pastor Jarrid Wilson morreu aos 30 anos após cometer suicídio. (Foto: Harvest Christian Fellowship)
O pastor Jarrid Wilson morreu aos 30 anos após cometer suicídio. (Foto: Harvest Christian Fellowship)

Pessoas que sofrem com doenças emocionais ou estão em dúvida sobre sua fé não devem estar na liderança da igreja, de acordo com o pastor Dale Partridge, amigo do falecido pastor Jarrid Wilson, que cometeu suicídio na última semana.

Em um texto publicado no site do ministério Relearn Church, Wilson conta que conversou com Jarrid sete dias antes de sua morte. Na ocasião, ele se queixou da intensidade e alta pressão que sua posição de pastor exigia.

Jarrid Wilson era pastor da Harvest Christian Fellowship, uma megaigreja em Riverside, na Califórnia, antes de cometer suicídio na noite de 9 de setembro. Ele fundou a organização Anthem of Hope (Hinos da Esperança, em tradução livre), dedicada às pessoas que lutam contra depressão e suicídio. 

O pastor Partridge argumentou que é “imprudente” e “anti-bíblico” as igrejas colocarem em uma posição de liderança pessoas que estejam lutando com doenças emocionais ou que tenham sérias dúvidas sobre sua fé.

“Como temos observado, homens que são colocados em papéis de pastores nas igrejas estão cometendo suicídio e apostasia pública em uma frequência alarmante. Esses homens também não tiveram lutas secretas. Quase todas essas tragédias recentes foram feitas por homens que confessaram abertamente sua doença mental e suas dúvidas de doutrina. A pergunta valiosa é: por que as igrejas colocam homens, que são tão sinceros com suas dificuldades, em posições de liderança?”, perguntou Partridge.

“A Bíblia nos dá instruções muito claras sobre as qualificações de um pastor na igreja (1 Timóteo 3 e Tito 1). Eles pedem que um homem seja sensato, autocontrolado, doutrinariamente sólido, disciplinado, provado, santo (e a lista continua). Igreja, não é aceitável, tolerante, compreensivo ou compassivo colocar um homem para pastorear um rebanho do povo de Deus que esteja lutando abertamente com doenças mentais. É anti-bíblico, é imprudente, é perigoso e, como vemos, é um alvo fácil para o inimigo”, continuou.

“Se o seu pastor admitiu um estado de doença mental, ele precisa ser discipulado, não discipular os outros. Ele precisa de descanso físico, não de intenso trabalho espiritual. Ele precisa de privacidade, não de publicidade. Ele precisa de oração diligente, sem uma pressão esmagadora. Ele precisa deixar o cargo, não ser levantado”, acrescenta.

Parar e descansar

Partridge afirma que é preciso construir um ambiente em que os pastores possam, sem vergonha e culpa, dizer: “Eu preciso me afastar para ser curado”.

“Se você é um pastor biblicamente qualificado e está passando por uma doença mental, sofrimento, dor ou vício, dê um passo atrás. Está tudo bem em descansar. Seu chamado pastoral estará lá quando você for curado e recuperado. Um pastor não deve ter medo de se tornar irrelevante, desnecessário ou esquecido. Eles não precisam sentir que estão falhando, estão preguiçosos ou fracos. Eles só precisam reconhecer que precisam se afastar e restaurar”, aconselha.

Ele esclareceu que seu texto era um apelo à uma reforma da Igreja de acordo com as Escrituras. “Em minha opinião e experiência, as igrejas que são centradas no público deixarão os pastores em carne viva. Sirva, trabalhe, ame, realize e sacrifique até que você não possa mais fazer isso. Ao longo dos anos, eu ouvi muitos pastores (que são mal pagos) falando sobre sua necessidade desesperada de uma pausa, mas não têm meios financeiros para conseguir. Em outras palavras, construímos uma máquina institucional para igrejas que não fornecem, mas comprometem a saúde que a Bíblia requer para os pastores do Novo Testamento”.

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