Primeiro parceiro de Neymar no Santos é pastor e sonha voltar a jogar

Primeiro parceiro de Neymar no Santos é pastor e sonha voltar a jogar

Atualizado: Quarta-feira, 10 Agosto de 2011 as 11:39

David Lessa da Silva, o Karioca, foi um dos primeiros companheiros de ataque de Neymar nas categorias de base do Santos, mas teve sua carreira transformada em uma "história de filme" em novembro de 2006. Artilheiro do time sub 15 e considerado uma das grandes promessas do clube, o atleta confessou que era “gato”, termo usado no futebol para um jogador que adultera a idade. Em vez de 15, Karioca tinha 20 anos, e usava o nome de outra pessoa para jogar futebol.   Segundo matéria no IG, o jogador, que também virou “pastor evangélico”, veia à tona por ele mesmo, já que Karioca confessou na Justiça sua verdadeira idade. Quase cinco anos depois, ele decidiu falar sobre o fato.   Karioca alega que o empresário que o levou para o Santos e os próprios diretores do clube da Vila Belmiro na época, foram os responsáveis por fazer seus documentos. Ex-menino de rua do Rio de Janeiro, o jogador não tinha documentação quando chegou a Vila Belmiro.

Após a mídia descobrir sua história, Karioca sofreu uma mudança radical na sua vida. O atacante que sonhava em chegar ao profissional junto com Neymar, passou a frequentar os tribunais e foi abandonado pelo Santos. O clube seguiu os conselhos do então técnico Vanderlei Luxemburgo, que achou melhor emprestar o jogador e não aproveitá-lo na equipe profissional. Karioca acredita que o treinador temia por comparações, já que Luxemburgo também teve problemas com a idade adulterada.

Enquanto aguarda por propostas, o atacante exerce a função de missionário e viaja o Brasil anunciando sua fé e contando sua história de vida. Após formar dupla de ataque com Túlio Maravilha nesta temporada, atuando pelo Canedense, de Goiás, Karioca está desempregado.   Confira a entrevista na íntegra:   iG: Como começou essa história de gato?

Karioca: Eu morava no interior do Rio de Janeiro. Comecei a viajar para a casa de parentes a busca de trabalho. Fui alguns mercados, mas como não tinha documentação eu voltei para a casa, pois não conseguia emprego. Nesse intervalo, precisavam de um jogador para completar um time na várzea, fiz quatro gols, e um rapaz me disse que eu tinha futuro com a bola. Mas, eu disse que não tinha documento, mas ele disse que providenciava tudo. Na época só dava Robinho e Diego. Fiz a “peneira” e o Santos gostou de mim.

iG: E a documentação?

Karioca: Quando perguntaram da documentação disse que meu empresário que sabia, e ele com o Santos resolveram tudo. Comecei a jogar, fazer gols e as pessoas falavam de mim. Eu tive uma proposta do PSV, da Holanda. Caiu nos ouvidos do Santos e começaram a ir ao Rio de Janeiro (uma espécie de ameaça), mas não sabiam quem eu era. Só denegriram a minha imagem, pois eu tinha essa proposta.

iG: O Santos fez isso para você não jogar na Europa?

Karioca: Eles foram atrás da minha documentação. O Santos oferecia todo dia um contrato para eu assinar, foi quando o Neymar foi para o Real Madrid e deram R$ 1 milhão de luvas para ele. Foram no alojamento com o contrato na mão para eu assinar.

iG: O Santos queria esconder, mas você confessou a verdade ao juiz?

Karioca: Por ai, a respeito da mídia não tinha vazado nada. Eles queriam pedir outra certidão, pois eu falei que era um menino de rua. Mas não teve como pedir a certidão. Eu falei, confessei para eles. Falaram que iam pedir uma certidão nova com o juiz, que eu disputar um campeonato no final do ano. Eu estava perdido, e o Santos falava isso para mim.

iG: Como você revelou a verdade ao juiz?

Karioca: Eu perguntei o que eles (Santos) iam fazer, eles disseram que iam dar um jeito na minha documentação, mas eu falei para o juiz: meu nome é Davi, falei o nome dos meus pais, disse que tinha pai e morava na rua. Eu falei que estava confessando, pois essas pessoas são gananciosas.

iG: Você era o único caso de “gato” no Santos?

Karioca: O próprio advogado do Santos falou para o juiz na minha última audiência, no dia 6 de abril, que o Santos descobriu oito ou nove casos, e porque só o meu nome foi para o jornal. Está no depoimento.

iG: Como foi jogar com o Neymar?

Karioca: Eu conheci o Neymar, magrinho, com o olho verdinho. Eu percebi que ele era diferente. Uma vez treinou o time menor com a gente. Ele foi no fundo, ameaçou cruzar e eu fui parar lá na fora. Depois disso foi gerando uma amizade. Quando ele chegava à Vila ia ao meu quarto. Eu o tenho como um grande amigo. Eu falo sem medo de errar: em qualquer lugar que o Neymar me ver na rua, ele vem até a minha pessoa, pois ele sabe da história que tivemos, do carinho que tenho por ele. Eu encontrei ele esses dias, ele me disse: vai lá em casa.

iG: Você é evangélico. Virou pastor, missionário?

Karioca: É uma coisa que tem começo, meio, mas não tem fim. Desde o momento que sai nos jornais como bandido, foi no momento que apeguei com Cristo. A primeira coisa que me chamou a atenção foi que a minha esposa: ela disse para eu confiar em Deus e que estava comigo. Quando ela falou isso eu entendi que os evangélicos tinham algo diferente, pois muita gente me acusou. Karioca: Tenho passado por várias cidades contando a minha história. Encontrei pessoas que me abraçaram quando muitos se afastaram de mim. Eu sei que onde abundou o pecado, super abundou a graça. Foi o momento mais difícil da minha vida, as pessoas gritavam na rua, olha o Karioca, o “gato”. Mas, graças a Deus encontrei um sogro e uma sogra, uma esposa maravilhosa e um Deus grande.     Por Pollyanna Mattos Com informações do IG

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