Teológo diz que a Igreja Católica vive sua pior crise

Teológo diz que a Igreja Católica vive sua pior crise

Atualizado: Terça-feira, 14 Dezembro de 2010 as 11:17

O teólogo brasileiro Leonardo Boff assegurou na segunda-feira na Cidade do México que a Igreja Católica vive a sua pior crise atualmente, pelos casos de pedofilia que envolvem sacerdotes e pelo "acúmulo de poder de clérigos e da Santa Sé". Boff, um dos mais destacados representantes da Teologia da Libertação, considerou que a crise faz com que cada vez "mais fiéis emigrem rumo a outros cultos". "Esta profunda crise que a Igreja Católica enfrenta é pior que a da Reforma", responsabilizando por esta situação os bispos, cardeais e presbíteros, e não os fiéis. Boff participou da conferência "Igreja e Novos Desafios" em Casa Lamm, na Cidade do México, convidado por organizações como o Centro Nacional de Comunicação Social (Cencos). O filósofo e escritor brasileiro questionou a liderança do papa Bento XVI ao avaliar que, embora seja "um grande professor de teologia, não tem a altura de um pastor para liderar mais de um bilhão de pessoas".

Com relação à questão da pedofilia, que nos últimos anos pôs a Igreja Católica em xeque, Boff considerou que a situação foi agravada pelo apoio de João Paulo II ao sacerdote mexicano Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo e envolvido em casos de abusos a menores.

"É uma das maiores vergonhas para o Vaticano. Maciel era um pecador público, um criminoso, um ladrão, um pedófilo que chegou a molestar os próprios filhos", disse.

O sacerdote mexicano Marcial Maciel (1920-2008) foi afastado por Bento XVI em 2006 pelos abusos que cometeu durante décadas.

Em maio, o Vaticano confirmou os "gravíssimos e objetivamente imorais" comportamentos de Maciel.

Para Boff, "a Santa Sé, com todo o poder que possui, tentou aliviar a gravidade da situação, primeiro dizendo que eram calúnias, invejas e um complô, e que no final de contas teve que aceitar, mas sem tratar os abusos como crimes, e sim como pecados".  

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