Ana Paula critica aceitação de transexuais em times de vôlei femininos: "Uma armadilha"

Ana Paula afirmou que não tem como negar as diferenças biológicas entre homens e mulheres, inclusive no esporte.

Fonte: Guiame, com informações do EstadãoAtualizado: quinta-feira, 18 de janeiro de 2018 14:34
Ana Paula (esquerda) criticou a aceitação de Tifanny (direita), que é transexual, em um time feminino de vôlei. (Imagem: Guiame - Edição)
Ana Paula (esquerda) criticou a aceitação de Tifanny (direita), que é transexual, em um time feminino de vôlei. (Imagem: Guiame - Edição)

O caso de Tifanny - atleta transexual que tem atuado no vôlei feminino - tem gerado muita polêmica, não só entre os 'mais conservadores', mas também entre muitos atletas, inclusive as próprias jogadoras da categoria. Na última terça-feira (16), a ex-jogadora e campeã mundial de vôlei de quadra e de praia, Ana Paula Henkel, publicou no Estadão uma carta aberta "aos dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) e estendida aos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), em defesa das modalidades femininas dos esportes profissionais".

Ana Paula criticou o fato de um time feminino ter em quadra uma "jogadora" que biologicamente ainda é um homem, jogando contra mulheres.

Segundo a campeã mundial, este fator pode "representar a ameaça de total desvirtuação das competições femininas, que pode ocorrer com a aceitação de atletas que nasceram homens, que desenvolveram musculatura, ossos, capacidade pulmonar e cardíaca como homens, em modalidades criadas e formatadas especificamente para mulheres".

"A verdade mais óbvia e respeitada por todos os envolvidos no esporte é a diferença biológica entre homens e mulheres. Se não houvesse, por que estabelecer categorias separadas entre os sexos? Por que colocar a rede de vôlei masculina a 2,43m de altura e a feminina com 2,24m? Basta uma análise superficial com um mínimo de bom senso no porte físico de jogadores de basquete masculino e feminino para entender que não são intercambiáveis", destacou.

Ana Paula lembrou que suas declarações não têm qualquer intenção de expressar homofobia, nem mesmo "transfobia", mas sim de chamar a atenção das autoridades responsáveis pelo Esporte para a distorção de valores que devem ser respeitados, como a própria diversidade e as diferenças.

"Na celebração das diferenças é que nos tornamos ainda mais unidos, homens e mulheres, dentro e fora das quadras. E é apenas com esse legado que podemos olhar para cada indivíduo como um ser único e especial", afirmou.

"Num tempo em que a militância política condensa e resume o pensamento às pautas ideológicas para negar a realidade, não é difícil identificar a armadilha em que as entidades esportivas caíram e que podem levar junto todo o esporte feminino", acrescentou.

Ainda destacando que não tem o objetivo de colocar as mulheres em patamar inferior aos homens, Ana Paula continuou chamando a atenção para exemplos que comprovam as diferenças biológicas entre atletas da ala feminina e masculina, justamente o que justifica a separação em categorias.

"A nadadora americana Allison Schmitt estabeleceu o recorde mundial dos 200 metros (livre) em 1:53.61, um feito admirável, mas quando comparado aos 1:42.96 de Michael Phelps na mesma prova só evidencia a óbvia diferença física entre homens e mulheres", lembrou. "Seleções de futebol feminino costumam treinar (e perder) de times masculinos sub-17. Os exemplos são infinitos de como não faz sentido misturar homens e mulheres em modalidades onde a força física faz diferença no resultado final".

"É justo simplesmente fingir que estas inegáveis diferenças biológicas não existem em nome de uma agenda político-ideológica que servirá para cercear um espaço tão duramente conquistado pelas mulheres ao longo de séculos? Como aceitar homens 'biológicos' em competições como lutas, batendo impiedosamente em mulheres e ainda ganhando dinheiro, fama e medalhas por isso? Será que todos enlouquecemos ao permitir tamanho descalabro?", questionou.

Médicos também têm se pronunciado sobre a questão e contestado a recomendação do COI para permitir atletas transexuais competirem entre mulheres com apenas um ano de baixos níveis de testosterona.

"Inúmeros fisiologistas já atestaram que esse parâmetro estabelecido pelo COI não reverte os efeitos do hormônio masculino na já finalizada construção de ossos, tecidos, órgãos e músculos ao longo de décadas. Treinadores de voleibol no Brasil e na Itália já relatam que agentes esportivos estão oferecendo atletas trans que já podem competir no vôlei feminino, homens biológicos que ocuparão o lugar de mulheres nos times. Até quando vamos assistir calados a tudo isso? Eu me recuso", destacou.

Segundo Ana Paula, muitas jogadoras de vôlei acabam não expressando sua indignação sobre o assunto pela total falta de proteção das entidades esportivas.

"É uma diferença muito grande e nos sentimos impotentes", relatou Juliana Fillipeli, atleta do time de vôlei do Pinheiros. A declaração da atleta foi dada após assistir Tiffany Abreu, ex-Rodrigo, vencer seu time e ser, mais uma vez, recordista em pontos na partida.

Tiffany chegou a jogar na Superliga Masculina do Brasil como Rodrigo, mas hoje bateu recorde na Superliga Feminina em apenas poucos jogos, deixando para trás a campeã olímpica Tandara - uma das melhores atacantes do Brasil e do mundo.

Hormônio masculino e dopping

Ana Paula continuou apontando as incoerências desta decisão do Comitê Olímpico em aceitar transexuais nos times que condizem à suas respectivas "identidades de gênero", lembrando que entidades como a 'Agência Mundial Antidoping' (WADA) sempre fiscalizou com rigor a quantidade de hormônio masculino nas atletas femininas, justamente por reconhecer o efeito que a substância pode causar no desempenho da mulher em quadra.

"Fui testada dentro e fora das competições para provar que meu corpo não estava sendo construído em nenhum momento da minha vida com testosterona. De todos os testes, um dos mais importantes para mulheres é o que mede exatamente o nível do hormônio masculino, proibido de ser usado ou mesmo de ser naturalmente produzido em qualquer fase da vida de uma atleta mulher, além do permitido", disse.

"Em resumo, desde a adolescência preciso provar, cientificamente, que sou mulher para competir e depois manter minhas conquistas, títulos e medalhas. Quantas mulheres não perderam títulos ou foram banidas do esporte especificamente por conta deste hormônio que sobra num corpo masculino normal? Havia uma relação de confiança mútua entre atletas, entidades e confederações para garantir o esporte limpo, justo e honesto, sem atalhos ou trapaças. Esta relação está a um passo de ser quebrada", acrescentou.

Ana Paula finalizou sua carta aberta reconhecendo que o combate à intolerância deve continuar a ser promovido, mas a inclusão de homens (biologicamente falando) em times femininos, pelo simples fato de terem buscado uma 'transição de gênero' é precipitada.

"Essa apressada e irrefletida decisão de incluir biologicamente homens, nascidos e construídos com testosterona, com altura, força e capacidade aeróbica de homens, sai da esfera da tolerância e constrange, humilha e exclui mulheres", protestou.

 

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