Após 55 dias preso injustamente, jovem é solto ao pedir ajuda a Deus sobre engano

Danilo Felix Vicente contou sobre o drama vivido em três presídios por onde passou após preso por engano, acusado de um assalto em Niterói.

fonte: Guiame, com informações do Globo

Atualizado: Quarta-feira, 30 Setembro de 2020 as 3:36

Jovem e negro Danilo foi reconhecido equivocadamente pela vítima. Na porta do presídio, ele encontrou com a esposa Ana Beatriz e o irmão Diogo Felix. (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)
Jovem e negro Danilo foi reconhecido equivocadamente pela vítima. Na porta do presídio, ele encontrou com a esposa Ana Beatriz e o irmão Diogo Felix. (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)

O auxiliar administrativo Danilo Felix Vicente de Oliveira, de 25 anos, teve sua oração respondida ao pedir ajuda de Deus para vítima que o reconheceu por engano voltasse atrás. O jovem ficou 55 dias preso por crime do qual foi injustamente acusado.

Na saída do presídio, Danilo Félix foi recebido com um beijo pela mulher Ana Beatriz Sobral, de 21, e pelo irmão Diogo Félix. Ele disse ter se sentido aliviado ao saber, na audiência desta segunda-feira (28), que a vítima do roubo da motocicleta havia voltado atrás do reconhecimento feito na delegacia.

“Foi uma sensação de alívio. Pedi muito a Deus para tocar no coração dele e para que a Justiça fosse feita. E ela foi feita”, disse.

O jovem foi preso injustamente após uma fotografia dele ter sido retirada das redes sociais e usada pela Polícia Civil em um inquérito por conta de um assalto que jamais cometeu.

“A coisa mais valiosa que a gente tem é a família e a liberdade. Não quero passar por isso de novo. Foram 55 dias onde eu fiquei longe do meu filho, de 1 ano, e não o vi a começar andar. Também passei preso o Dia dos Pais e os aniversários da minha mulher e do meu pai (os dois fizeram aniversário 8 de agosto)”, disse Danilo, muito emocionado.

Nesta terça-feira (29), um dia após ser absolvido pela Justiça, Danilo contou ao sair do Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão, onde estava preso, ter sido informado que a mesmo foto, de 2017, foi utilizada para o incriminar em outros dois inquéritos da 76ªDP (Niterói).

Danilo abraça a mulher, Ana Beatriz, na saída do presídio, em São Cristóvão. (Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo)

A exemplo do caso em que já foi absolvido, a imagem foi exibida pela polícia a vítimas de outros dois assaltos, ocorridos em julho último. Ambas o reconheceram como sendo o autor dos roubos. Na foto usada pela polícia nos três procedimentos, Danilo aparece de cabelo curto e bigodes. Só que, há um ano, o rapaz usava cabelo grande com cachos e tranças. Ele teve o cabelo cortado após ser preso, no dia 6 de agosto, depois de dado entrada no sistema penitenciário.

Negro, morador de uma comunidade pobre de Niterói e sem antecedente criminal, o auxiliar administrativo diz estar estar sendo vítima de preconceito. Os três crimes que Danilo foi acusado ocorreram em um mesmo mês, ou seja, em julho de 2020. Dois deles, segundo os autos, ocorreram no dia 2.

“Pra mim, eu fui vítima de racismo. Mostraram uma foto antiga para que fizessem o reconhecimento do autor que seria um homem de cabelo curto. Eu usava cabelo grande com cachos há um ano. Como reconheceram a foto antiga? Quero correr atrás deste prejuízo”, diz o jovem.

Erro no reconhecimento

No primeiro inquérito que originou a prisão de Danilo, ele foi foi reconhecido pela foto como sendo autor de um roubo de uma motocicleta, celular e dinheiro. O crime aconteceu, no dia 2 de julho, em Niterói. Nesta segunda-feira, a vítima voltou atrás do reconhecimento, durante uma audiência na 1ª Vara criminal, e ele foi absolvido.

A segunda e a terceira acusação também são frutos de inquéritos da 76ªDP. Um deles ocorreu na parte da manhã do dia 2, mesma data que ocorreu o assalto ao motociclista, este último durante à noite.

O último roubo aconteceu no dia 14 de julho. Para os advogados Cristiane Lemos e Breno Guimarães, que defendem o auxiliar administrativo, não há dúvida que Danilo também é inocente dos outros dois casos.

“As vítimas fizeram o reconhecimento desta foto, de 2017, na qual ocorre o mesmo do processo que a gente teve a audiência e que designou absolvição do Danilo. Os outros processos também versam sobre isso, sobre esse reconhecimento, sobre essa foto. Óbvio que tudo preocupa, mas a gente tem muita certeza da inocência do Danilo”, disse a advogada.

De volta para casa

Antes de embarcar em um carro e de voltar para Niterói, o auxiliar administrativo fez questão de dizer que queria matar as saudades do filho.

“Tudo o que eu quero é abraçar meu filho, ir com ele para quadra, correr com menino e botar ele para chutar bola comigo”, disse.

 

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