Cristão foi morto em protesto no Irã enquanto tentava recuperar corpo de amigo

Mohsen Rashidi, de 42 anos, foi espancado e baleado pelas forças de segurança, em Baharestão.

Fonte: Guiame Atualizado: quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 às 19:40
Mohsen Rashidi. (Foto: Article 18).
Mohsen Rashidi. (Foto: Article 18).

Um cristão de 42 anos foi identificado entre os milhares de manifestantes mortos durante os protestos contra o regime islâmico no Irã.

De acordo com o Article 18, uma organização que apoia cristãos perseguidos, Mohsen Rashidi foi baleado pelas costas enquanto tentava recuperar o corpo de um amigo morto durante uma manifestação na cidade de Baharestão, província de Isfahan, no dia 9 de janeiro.

Solmaz, a cunhada do cristão, contou que o amigo chamado Shahram Maghsoudlou foi alvejado pelas forças de segurança, que atiraram de metralhadora no peito do iraniano.

“Mohsen se aproximou do amigo para ajudá-lo, mas as forças de segurança o espancam severamente”, disse ela, ao Article 18.

Mais tarde, após as forças de segurança se dispersarem, Mohsen voltou ao local para tentar recuperar o corpo do amigo.

Porém, os militares o balearam pelas costas. Sangrando muito, ele foi socorrido por outros manifestantes e levado ao hospital, mas agentes impediram que Mohsen entrasse no pronto-socorro.

“Negaram o acesso a tratamento médico. Como resultado de um sangramento severo, Mohsen perdeu a vida”, relatou Solmaz.

Segundo a cunhada, a família do cristão o procurou durante 5 dias, sem saber se ele estava vivo ou morto.

Os familiares acabaram encontrando o nome de Mohsen na lista de vítimas assassinadas nas manifestações.

“A família foi ordenada a assinar um formulário falso, afirmando que ele era membro do grupo paramilitar Basij e que havia sido morto por manifestantes. A família recusou esse pedido; consequentemente, seu corpo só foi devolvido a eles depois de pagarem um bilhão de tomans (aproximadamente 8.000 dólares)”, denunciou Solmaz.

“As autoridades não permitiram que a família de Mohsen realizasse um funeral ou cerimônia de luto por ele, nem permitiram que colocassem uma lápide em seu túmulo”.

Mohsen Rashidi deixa esposa, uma filha de quatro anos e duas enteadas adolescentes. 

Rosto desconfigurado


Ehsan Afshari-Manesh. (Foto: Article 18).

Outro cristão de 39 anos também foi confirmado entre as vítimas assassinadas durante os protestos no Irã.

O iraniano Ehsan Afshari-Manesh morava na Suécia e havia viajado ao país natal para visitar seus pais idosos, no ano passado.

Porém, ele foi impedido de voltar à Suécia pelas autoridades e obrigado a completar o serviço militar.

Quando os protestos iniciaram em 28 de dezembro, o cristão participou das manifestações. O pastor de Ehsan, Hossein Bahrami, relatou que ele foi baleado duas vezes no estômago.

Depois que o cristão não voltou para casa, sua família o procurou por 11 dias até ser informada de sua morte. 

Conforme o jornal sueco Dagen, o rosto de Ehsan estava "irreconhecível porque estava completamente despedaçado" e ele só pôde ser identificado por suas tatuagens nas costas e ombros.

O cristão foi sepultado em Teerã no mês passado e sua igreja em Västerås, na Suécia, realizou um culto em sua memória.

"É terrível. Nós, como cristãos, não somos chamados a amaldiçoar ninguém, mas a abençoar todos, mas nessa situação é difícil abrir a boca. As pessoas estão de luto por ele tanto aqui na Suécia quanto no Irã”, declarou o pastor Hossein, em entrevista ao jornal Dagen.

"Há tantas pessoas morrendo no Irã, incluindo muitos cristãos. Ehsan é um deles”, lamentou.

Milhares de manifestantes mortos

Segundo o portal iraniano Iran International, mais de 36 mil pessoas foram mortas pelo regime aiatolá durante o auge dos protestos no início de janeiro, números semelhantes aos divulgados pela revista Time.

Segundo o veículo, a estimativa de mortos na violenta repressão ocorrida em 8 e 9 de janeiro foi baseada em dados extensos obtidos a partir de “documentos confidenciais, relatórios de campo e relatos de profissionais de saúde, testemunhas e familiares das vítimas”.

A publicação afirmou que os números tornam esses assassinatos “o massacre mais sangrento de civis durante protestos de rua, em um intervalo de dois dias, na história”.

De acordo com o relatório, a maioria dos assassinatos foi cometida pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e pela milícia aliada Basij, embora também tenham sido utilizados combatentes proxies vindos do Iraque e da Síria.

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