Empresário diz que foi alvo do MP por permitir célula cristã em sua empresa

Em entrevista ao programa Pensando o Brasil, Tallis Gomes diz que atendeu ao pedido de funcionários evangélicos para realizarem encontros de oração na empresa.

Fonte: Guiame, com informações de O Antagonista e JotaAtualizado: segunda-feira, 6 de julho de 2026 às 17:53
Tallis Gomes durante entrevista ao programa Pensando o Brasil. (Captura de tela/YouTube/O Antagonista)
Tallis Gomes durante entrevista ao programa Pensando o Brasil. (Captura de tela/YouTube/O Antagonista)

O empresário Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi e cofundador da G4 Educação, afirmou que foi alvo de uma atuação do Ministério Público após permitir que funcionários evangélicos realizassem uma célula cristã semanal dentro da empresa.

Segundo Tallis, embora seja católico, ele não viu problema em autorizar que os colaboradores utilizassem as dependências da empresa para encontros de oração e louvor.

“Eu, por exemplo, fui processado pelo Ministério Público porque toda segunda na minha empresa tem uma célula dos evangélicos e eles fazem orações lá e fazem louvor e tal. E eu acho lindo isso. Sou católico, né? Mas não tenho absolutamente nada contra isso.”

Ao compartilhar um trecho de sua participação no programa Pensando o Brasil, de O Antagonista, transmitido ao vivo em 25 de junho, Tallis escreveu:

“Até onde vai a inversão de valores de um país em que o empresário que trabalha, emprega, educa e produz valor para a sociedade vira alvo por permitir que pessoas cultuem a Deus dentro da própria empresa?”

Na publicação, o empresário ainda defendeu a importância da fé no ambiente de trabalho.

“Sem Deus, toda obra humana é apenas areia. Quando a fé se torna alicerce, o trabalho ganha sentido, o lucro encontra propósito e a vida se ordena em direção a algo maior do que o dinheiro, o poder ou a aprovação pública.”

Tallis contou que a iniciativa partiu dos próprios funcionários.

“Me pediram: ‘Posso fazer isso na empresa?’ Claro! Toda manifestação cristã é bem-vinda ali.”

Ao comentar o caso, Tallis afirmou não compreender o motivo da atuação do órgão.

“Eu fui processado pelo Ministério Público por isso, sabia? (...) Eu não entendo o que o Ministério Público tem a ver com isso. Uma empresa privada, o dono dessa empresa permitir que seus funcionários louvem a Deus na sua empresa. O que isso tem de ruim? Ou seja, qual o valor que essa turma está produzindo para a sociedade? Eu questiono.”

Denúncias deram origem a procedimentos

Os procedimentos públicos conhecidos sobre o caso indicam que o Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou, em 2024, três Notícias de Fato, que são procedimentos administrativos utilizados para analisar denúncias antes da abertura de uma investigação formal.

Um dos trechos da denúncia reproduzido pelo site Jota na época afirma:

“Os trabalhadores da empresa G4 Educação trabalham de domingo a domingo, num regime de 80 horas semanais e são obrigados a participarem de grupos de oração dentro da empresa, pois os sócios são evangélicos. Além disso, no processo seletivo é enfatizado que não são contratados profissionais que sejam alinhados a ideologias de esquerda”, diz trecho de uma das denúncias apresentadas ao MPT. 

Os procedimentos divulgados tratam de um conjunto mais amplo de denúncias trabalhistas, das quais a questão dos grupos de oração aparece como um dos elementos investigados.

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