"Eu quero apagar o Estado Islâmico da minha memória", diz mulher após repressão na Síria

Souad Hamidi, de 19 anos, emocionou o mundo ao se fotografada em um momento que simboliza sua libertação da opressão do Estado Islâmico.

Fonte: Guiame, com informações do Christian TodayAtualizado: sexta-feira, 17 de junho de 2016 18:55
"Fizeram-nos usar o niqab contra a nossa vontade, então eu o tirei dessa forma como uma resposta para eles", disse Hamidi. (Foto:  DNA India)
"Fizeram-nos usar o niqab contra a nossa vontade, então eu o tirei dessa forma como uma resposta para eles", disse Hamidi. (Foto: DNA India)

Quando as forças apoiadas pelos EUA retomara das mãos do Estado Islâmico, a vila de Souad Hamidi, de 19 anos, no norte da Síria, a jovem rapidamente arrancou o 'niqab' [véu] - que ela tinha sido forçada a usar desde 2014 - e sorriu, tornando-se manchete de grandes jornais, em diversas partes do mundo.

"Eu me senti liberta", disse Hamidi à Reuters, depois de trocar o seu véu preto, que cobria o rosto por um lenço vermelho para a cabeça. "Fizeram-nos usar o niqab contra a nossa vontade, então eu o tirei dessa forma como uma resposta para eles".

Nas duas últimas semanas, as Forças Democráticas da Síria (SDF), apoiadas por ataques aéreos liderados pelos EUA, travaram uma ofensiva contra a cidade de Manbij, que estava sob domínio do Estado Islâmico, próximo à fronteira da Síria com a Turquia.

As forças sírias foram cortando rotas para Manbij, cercando a cidade e aproveitando aldeias periféricas como a vila de Am Adasa, onde vive Hamidi.

A jovem disse que ela acordou uma manhã para ouvir que forças sírias - que incluem a milícia curda YPG e combatentes árabes - tinham chegado na sua aldeia.

"Nós vimos combatentes das forças sírias atrás de nossa casa, preparando trincheiras para seus atiradores. Pensamos que eles eram do terroristas do Estado Islâmico, que ainda estavam dentro da aldeia", disse ela.

"Saímos, temendo que poderíamos ser usados como escudos humanos durante os ataques aéreos", disse ela.

Sua família retornou mais tarde, quando os soldados das forças sírias já tinham expulsado os terroristas do Estado islâmico que ainda restavam no local.

A vila de Am Adasa esteve sob o controle dos militantes desde 2014, quando o Estado Islâmico proclamou seu califado, abrangendo a Síria e Iraque. Os governos da Síria e do Iraque lançaram ofensivas em outras frentes contra o grupo.

Sob o domínio do Estado Islâmico, a vida era estritamente regulada, disse Hamidi, incluindo códigos de vestimenta.

"Eles puniam as pessoas que não seguissem suas regras, por vezes, forçando-as a ficar em covas / sepulturas durante dias", disse ela. "Desde que as forças sírias assumiram o controle, estamos vivendo uma nova vida".

Já de volta à casa que pertence à sua família, Hamidi disse que ainda teme que o Estado Islâmico volte algum dia.

"Eu quero apagar o 'Daesh' [Estado Islâmico] da minha memória", disse ela. "Eu espero que cada área controlada pelo Daesh é libertado, que as pessoas são livres deles e podem viver como nós fazemos agora."

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