Holanda faz eutanásia em bebê de 1 ano com doença grave: “É abominável”

A criança, que nasceu prematura e desenvolveu paralisia cerebral, passou por eutanásia a pedido dos pais.

Fonte: Guiame, com informações de The Christian Post e G1 Atualizado: quinta-feira, 1 de outubro de 2026 às 14:06
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Kelly Sikkema).
Imagem ilustrativa. (Foto: Unsplash/Kelly Sikkema).

Um bebê de apenas 1 ano com deficiência grave passou por eutanásia na Holanda. O caso é o primeiro no país, que permite o suicídio assistido de crianças menores de 12 anos desde 2024.

A eutanásia do bebê foi confirmado pelo governo holandes em junho deste ano quando a ministra da Saúde, Sophie Hermans, apresentou ao parlamento o relatório anual do comitê que fiscaliza abortos tardios e eutanásia.

Segundo o documento, o pedido de eutanásia da criança foi feita pelos pais no final de 2025 e o procedimento foi autorizado após uma equipe médica analisar o caso.

O bebê de quase 2 anos de idade foi eutanasiado por sedação gradual com "substâncias indutoras de coma”. 

O nome e o sexo da criança não foram divulgados. O comitê informou que o bebê nasceu prematuro com 26 semanas e apresentou múltiplas complicações. 

Ele teve infecções graves que causaram sepse, desenvolveu paralisia cerebral espástica e deficiência visual, e foi diagnosticado com epilepsia grave.

O médico responsável pelo cuidado do bebê avaliou que "a criança não estava sofrendo continuamente de forma insuportável" e sugeriu cuidados paliativos e outras opções de tratamento.

Porém, o comitê afirmou que outros tratamentos causariam efeitos colaterais. Além disso, um médico independente declarou que a criança estava sofrendo e atendia aos requisitos das regras para a interrupção da vida.

Então, a equipe avaliadora de médicos e os pais decidiram pela eutanásia do bebê, entendendo que ele não apresentaria melhora.

“Considerado inapto para a vida”

Liana Graham, assistente de pesquisa da The Heritage Foundation, um think tank que promove políticas públicas conservadoras, condenou a legislação holandesa que permite eutanásia em menores de idade.

“A situação que se desenrola nos Países Baixos é abominável, mas não surpreende. Como alguém que se opõe ao suicídio assistido, há muito sustento que, assim que o Estado legitima a morte de idosos, é apenas uma questão de tempo até que autorize isso para outros grupos considerados ‘inaptos’ para a vida”, alertou ela.

Para a pesquisadora, pessoas com deficiência, recém-nascidos doentes e pessoas com doenças graves podem se tornar vulneráveis a eutanásia.

“A Holanda prova que a ladeira escorregadia da eutanásia é real. [A prática pode levar a] um futuro de menos liberdade e mais paternalismo”, afirmou.

Eugenia

Liana ainda criticou a linguagem usada no relatório sobre a aeutanásia do bebê de 1 ano.  O documento afirmou que "todos os aspectos de 'ser humano' em termos de habilidades motoras, comportamento e personalidade foram severamente afetados".

"Essas palavras escolhidas são extremamente reveladoras. O comitê não concluiu simplesmente, usando seu julgamento profissional, que a criança tinha um prognóstico ruim — ele fez um julgamento de valor sobre quais qualidades se encaixam adequadamente na categoria de 'ser humano'", avaliou.

“Isso remete de forma inquietante aos eugenistas e materialistas do século XX, que acreditavam que a humanidade não passava de um produto do meio ambiente e da matéria”, continuou. 

E finalizou: “Delegar autoridade a uma classe de especialistas não eleitos para determinar cientificamente quem é compatível com a vida e quem não é, está muito longe de ser uma expressão de liberdade, como alegavam os primeiros defensores da eutanásia”.

A eutanásia é legalizada na Holanda desde 2022. Em 2024, o país passou a permitir o procedimento também em crianças de 1 a 12 anos diagnosticadas com doenças incuráveis em estágio terminal.

Na Europa, a eutanásia é autorizada na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Espanha e Portugal. Outros países que também legalizaram a prática incluem Canadá, Colômbia, Austrália e Nova Zelândia.

Contribua mensalmente
com o GUIA-ME.

Somos um meio de comunicação cristão. Trabalhamos para informar com clareza e exatidão, sustentados por apuração responsável, revisão criteriosa e compromisso editorial.

Não atuamos como influenciadores de opinião, mas como jornalistas comprometidos com a verdade e os princípios de uma cosmovisão cristã.

Torne-se um apoiador
Siga-nos

Mais do Guiame

Davi o Filme

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições